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 Problema - pessoas preconceituosas na família (ou no convívio diário)

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Annabelle
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Pensamento Acho que as pessoas deviam pegar as coisas ruins que aconteceram em suas vidas e transformá-las em algo bom.

MensagemAssunto: Problema - pessoas preconceituosas na família (ou no convívio diário)   3/7/2017, 19:16

Eu já estou com 27 (vinte e sete) anos e nunca namorei, beijei, "fiquei", muito menos fiz sexo. Até agora, minha família não me incomodava com perguntas do tipo "e os namoradinhos?" e outras que provavelmente muitos aqui já conhecem. Por isso, eu estou escondendo minha assexualidade deles, pois se eu dissesse que não tenho interesse em sexo é capaz de acharem que "é só uma fase" ou, pior, que preciso de tratamento médico/psicológico.

No entanto, recentemente, quando completei 27 anos, no fim do mês passado (ironicamente, o dia do meu aniversário cai no dia do orgulho LGBT), minha mãe, ao me dar os parabéns disse: "espero que você alcance muitas conquistas, em especial seu primeiro namorado" (ela sabe que nunca namorei).

Tudo bem, eu sei que ela disse isso com a melhor das intenções, afinal todo pai ou mãe tem aquele "roteiro" para a vida dos filhos: crescer, se formar, namorar, sair de casa, casar e ter filhos. No entanto, eu não pude deixar de me sentir levemente incomodada, pois eu sei que o desejo da minha mãe de que eu arranje um namorado é algo que com 99,99% de certeza, nunca irá se realizar.

Mas ok. Se fosse só isso, seria o menor dos problemas. Vida que segue. Acontece que, há alguns dias atrás, meus familiares estavam conversando sobre as eleições presidenciais de 2018, até que minha mãe disse: "eu não tenho a menor ideia de quem votar em 2018, porque eu é que não voto no Lula, nem no Bolsonaro".

Aí um tio meu, irmão dela, perguntou por que ela não votaria no Bolsonaro e ela explicou que é por causa das posições agressivas dele em relação a mulheres e homossexuais. O meu tio, por sua vez, começou a proferir um monte de merdas a respeito de homossexuais: que isso é uma pouca vergonha, que onde já se viu dois barbados se beijando, que se fosse com o filho dele ele tomava uma surra de cinta, enfim, a palhaçada intolerante de sempre.

Pelo menos, eu tenho a sorte de, por fora, parecer uma moça "normal" como qualquer outra. Quer dizer, não tenho trejeitos masculinizados, e nunca demonstrei atração amorosa ou sexual por mulheres. às vezes, eu penso em criar coragem e assumir minha assexualidade para minha família, mas aí acontecem coisas como essa, para me lembrar que alguns de meus familiares ainda vivem no século XVI...

Enfim, desculpem se o texto não tem um propósito claro, era mais um desabafo.
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Fujoshi
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MensagemAssunto: Re: Problema - pessoas preconceituosas na família (ou no convívio diário)   3/7/2017, 23:47

Olha, eu não entendo muito sobre convívio com pessoas preconceituosas, porque minha família e colegas são bem de boa, e eu não realmente "convivo" com muitas pessoas.
Na verdade, meus colegas costumam ser bem mais abertos com isso, já minha família (principalmente meu padrasto e meu tio) vem com aquelas piadas e comentários "não preconceituosos"... Sabe como é, né? Não tem nada contra, mas sempre tem aquela piadinha sobre "viados".
Atualmente eu conheci uma colega no meu novo colégio que é bem religiosa, a opinião dela é que é errado, mas ela respeita. Ela não é contra, mas não é favor, ela é na dela.

Então, não conhecendo nenhuma pessoa (ou pelo menos achando que não) assim, eu não sei direito como é, mas como esse assunto sempre me interessou, eu resolvi pesquisar vídeos e coisas assim, e admito que até me surpreendi um pouco.
Como eu escrevo histórias com protagonistas gays (vulgo fanfics de animes kkk), eu preciso conhecer assuntos assim, pois muitas das minhas histórias quase não tem isso, mas eu resolvi começar a trabalhar com esse assunto. Atualmente escrevo um fanfic com um protagonista homorromântico e demissexual, e o outro homossexual, e nesse fanfic eu já comecei a trabalhar com o assunto homofobia, também comecei outra em que vou trabalhar muito com isso.
No geral, eu realmente estou começando a trazer esses assuntos a sério para muitas das minhas histórias, pois é algo que sempre quis pôr no que escrevo e também é algo muito importante, mas como eu nunca tive convívio ou experiências assim (tirando a de assexual), achei que não faria certo, mas na verdade me surpreendi com o jeito que consegui deixar até natural. Coloquei coisas parecidas com o que seu tio falou, e acho que estou conseguindo me sair bem com esse assunto.

Sobre essa questão de parecer uma moça "normal", velho, nisso eu não sou boa kkk
Quando eu era criança, eu até tinha um lado enorme com essas coisinhas de "rosa e fada", mas ao mesmo tempo, eu era tanto a nerd da escola, quanto a valentona (tinha problemas de raiva, e eram muito sérios). Depois de uns anos eu acabei tomando uma raiva disso, porque eu vi que normalmente as menininhas era "fracas e indefesas" então acabei ficando meio revoltada com isso, com os programas, brincadeiras, opiniões alheias... Eu não me sentia representada e não me identificava, então tive uma fase que eu simplesmente odiava rosa, vestidos, bonecas (apesar que nunca gostei muito de brincar com bonecas).
Atualmente eu acho que sou bem de boa, eu gosto muito de rosa, apesar de não ser minha cor favorita, e uso vestido as vezes, apesar de ainda preferir um bom e velho jeans. Eu tenho muitas características na minha personalidade que fogem do "padrão das garotas" e eu realmente faço questão de não esconder isso, pois não acho que isso me faça menos mulher, meu jeito de vestir também é bem pouco "feminino", sendo que quase sempre estou de calça jeans, blusa e casaco (e as vezes um tênis).
Já reclamaram várias vezes sobre eu ser assim, mesmo que as vezes tenham sido aqueles reclamaçõezinhas leves (tipo: "e tu é moleque por acaso?"), mas eu quase sempre rebato com um "só porque sou menina, não posso ser assim?" ou apenas não dou bola. Já me fantasiei (voluntariamente) de menino para uma peça escolar.
No geral, já fui sim questionada se era lésbica, e uma antiga colega passou alguns meses achando que eu era. E esse ano, no colégio novo, acredito que pelo menos algumas pessoas já se questionem isso.

Mas o pior é o meu padrasto. Minha mãe tava tirando umas roupas dele para dar, aí eu vi uma camisa muito legal (era branca, de botões e tinha o desenho de um dragão preto), então eu pedi a ela... Ela riu um pouco, mas me deu, já ele chegou e comentou com ironia "oh, tem algo errado aí"... Admito que fiquei bem irritada.
Outra vez eu tava conversando com minha mãe e ela (já que tem muito filho kkk) acabou me chamando de menino ao invés de menina, eu nem tinha percebido, mas meu padrasto parou a conversa só para comentar "ah, mostra o pinto aí... Tua mãe não acabou de te chamar de menino?", eu fiquei meio sem reação na hora, aí minha mãe se virou, riu meio sem graça e pediu desculpa (uma desculpa bem de leve), depois, quando fiquei pensando, eu fiquei com muita raiva.
Essas são só algumas que lembrei agora, mas ele já fez isso várias vezes, e isso realmente me irrita.

No geral, eu acho que as pessoas com quem convivo não costumam ser preconceituosas, apesar de fazerem alguns comentários e piadinhas. Mas se tem algo que realmente me irrita, é isso.

Acho que minha resposta também foi meio nada a ver e deve ter ficado um pouco confusa, mas vai assim mesmo kkkkk língua
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Ace Ventura
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MensagemAssunto: Re: Problema - pessoas preconceituosas na família (ou no convívio diário)   4/7/2017, 13:18

Parece que você pode se abrir com sua mãe, mas não com seu tio. Se seu tio não é muito próximo você realmente não precisa se abrir com ele.
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MensagemAssunto: Re: Problema - pessoas preconceituosas na família (ou no convívio diário)   11/7/2017, 09:59

Minha família é do tipo preconceituosa que não se assume, meu pai vive dizendo que não se importa com homossexuais, mas depois diz que é errado e se um filho dele fosse não seria mais filho... Minha mãe é um pouco mais leve por fora, mas é religiosa e em pensamento, é até pior que meu pai, ter um filho gay seria o pior pesadelo dela transformado em realidade (ou segundo pior, entre um filho morrer e ser gay, é dificil dizer qual ela acharia pior, claro que de primeira ela diria que morrer é pior, mas se parasse pra pensar, teria dúvidas com certeza). Ela já me disse várias vezes que quando estava grávida de mim, orava muito pedindo a Deus que se eu não fosse me tornar um "homem de Deus", que nem nascesse. Ela não disse abertamente a parte da homofobia, mas pelo resto do que disse, "homem de Deus" pra ela seria: honesto, trabalhador, cristão, hétero, etc.
Já disse pra ela que sou ace, não levou muito a sério, e como não toquei no assunto denovo, deve ter achado que foi algo isolado. Mas a primeira pergunta que me fez foi: "qual a chance de você ficar com um homem?", ficou aliviada quando eu respondi "zero", e depois disse coisas no sentido de isso é uma fase e você ainda não achou a pessoa certa, aquela mesma merda pretenciosa de sempre, porque todos sempre pensam que nos entendem melhor que nós mesmos.
Meu pai, ao que tudo indica, acha que sou gay, por isso tem medo de tocar no assunto, tem medo de eu dizer que sou gay, porque o pequeno mundo de héteros machistas e mulheres submissas dele cairia. Até minha mãe ja disse que ele pensa que sou gay, nunca namorei, beijei, não saio de casa sem motivo, nunca tive amigos e nunca demonstrei interesse claro em mulheres. Basicamente, nunca demonstrei interesse em pessoas, e como no mundo dele só existe preto ou branco, se nunca me interessei por mulheres, com certeza gosto de homens (vale dizer, esse é um dos piores defeitos dele, ele não dá à ninguém o benefício da dúvida, não pergunta, se ele desconfia de algo, mesmo que muito minimamente, passa a ter certeza daquilo imediatamente, e isso vale pra tudo).
Não tenho liberdade nenhuma pra falar com a família, como já disse, não tenho amigos, e como trabalho numa banca de jornal, tenho que aturar gente preconceituosa quase todo dia, além da minha família, é claro. Há alguns anos comecei a "me soltar" um pouco mais, sou andrógine (um gênero que seria uma mistura entre masculino e feminino), e me sinto bem mais a vontade com certos comportamentos, que para a maioria são, no mínimo, duvidosos. Cansei de agir como esperam de mim, e aos poucos estou alterando meu comportamento de acordo com o que me faz sentir confortável, o que faz as pessoas desconfiarem da minha sexualidade, e ficam usando indiretas.
Pra começar, não digo "obrigado", e sim "obrigada", a maioria não sabe, e nem nota, mas "obrigado" é a forma masculina, que os homens deveriam dizer, e "obrigada" é para as mulheres, muitos não pensam a respeito, muitas mulheres dizem "obrigado", mas nunca vi um homem sequer dizer "obrigada", então alguns estranham. Meu jeito de falar também não é muito masculino, apesar de minha voz ser grave, e de não ter nenhum sotaque estranho, falo baixo, de uma forma, digamos... calma, suave, talvez até delicada. 
Meu andar também não é "normal", não sei bem explicar como é, mas pareço mais uma mulher do que um homem andando. E tem uma coisa que eu sempre fiz e nem percebia até pouco tempo atrás, quando tenho que quase correr (como para atravessar uma rua rápido, não dá pra sair andando normalmente, mas também não é preciso correr demais), mais saltito do que corro, pareço até uma personagem de anime. Só falta dobrar os braços pra cima e ter peitos enormes pra balançar kkkkk. Outro dia fiz isso atravessando uma rua, e uns caras com mais ou menos a minha idade que estavam soltando pipa viram, ficaram olhando para mim e rindo, disseram alguma coisa que não entendi, olhei pra eles e comecei a rir, porque na hora eu pensei: "eles são tão idiotas que conseguem ver graça até em alguém andando kkk". Pararam de rir na hora, porque a graça de fazer essas palhaçadas é incomodar o outro, queriam que eu revidasse e tentasse me defender, mas ao invés disso, a piada pra mim foram eles tentando perturbar a minha paz.
Dentre esses e outros trejeitos e comportamentos nada masculinos, sem falar em alguns gostos diferentes que já deixei à mostra, convivo sempre com o preconceito, posso não ser gay, mas sinto na pele a homofobia, isso porque a sociedade nem reconhece a gente o suficiente pra nos odiar, somos odiados por tabela, assexualidade não existe, é homossexualidade enrustida. Mas minha indiferença absurda me protege, podem até ser diretos, me chamarem de viado pra baixo, o que eu vou fazer é olhar com o mesmo olhar calmo e sem reação de sempre e dizer: "mas e daí?"
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MensagemAssunto: Re: Problema - pessoas preconceituosas na família (ou no convívio diário)   

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Problema - pessoas preconceituosas na família (ou no convívio diário)

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