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 Pressões familiares

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Minakie
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MensagemAssunto: Pressões familiares   25/11/2017, 15:10

Tenho atualmente 26 anos e vivo (como sempre vivi) com os meus avós. Sou gamer por natureza (mas não hardcore, que tenho pouco jeito haha) por isso se passar 12h por dia a jogar aos fins de semana "é na boa". Tenho uma tendência natural para a procrastinação, que é exacerbada pela minha Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção que, por si só, influencia a pessoa a ser mais "calona" que a maioria das pessoas. Sempre que tento ajudar cá em casa, ou me tiram as coisas da mão e dizem "dá cá que eu faço", ou reclamam que estou a fazer tudo mal porque estou a "tentar despachar" ou simplesmente reclamam, depois de o trabalho já estar feito, que ficou mal feito. Porque, se não for feito 100% da maneira que eles fazem, está mal feito, e não são capazes de entender que pessoas diferentes têm maneiras diferentes de fazer as coisas.

Por todos estes motivos motivo, juntamente com anos a fio de depressão profunda causados, entre outras coisas, por bullying a nível familiar, nunca fui muito dada a ajudar com as tarefas de casa. Se me for dada a oportunidade, fico sentada em casa a jogar no PC sempre que tenha tempos livres. Adorava cozinhar também mas, sempre que tento, a coisa corre mal, pelos mesmo motivos mencionados acima. As poucas vezes nestes 26 anos que consegui cozinhar ou fazer uma sobremesa foi quando toda a família estava fora. E, para cúmulo, tinha de tirar fotos do que cozinhava para fazer prova futura porque depois toda a gente começava com o "tu nunca cozinhaste" eu respondia "cozinhei sim, ainda a semana passada fiz X" e toda a família dizia que eu devia ter sonhado, por isso comecei a guardar as fotos da comida que fazia no meu telemóvel para a minha família não me levar à loucura com a sua lavagem cerebral.

Lembro-me que desde criança (devia ter 9-10 anos) ansiei acabar os estudos para arranjar trabalho e ter dinheiro para sair cá de casa, devido ao ambiente hostil em que vivo. A verdade, é que nada correu como esperado. Depois de 4 anos na faculdade, nunca consegui encontrar emprego na minha área de formação, não era sequer chamada para entrevistas. Durante dois anos, fiz currículo em dezenas de sites de emprego diferente, criei perfil no LinkedIn, anunciei a amigos e conhecidos, criei um site de auto promoção, andei de porta em porta a distribuir currículos em mão. Foram dois longos anos no desemprego em que todos os dias a minha família gritava horas e horas a fio que eu não encontrava trabalho porque não queria, porque não me esforçava, porque era uma calona que só queria ficar em casa a jogar. O que acabou eventualmente por acontecer. Após dois anos de não só não ver quaisquer resultados para o meu esforço, como ainda ter de levar com o negativismo e bullying diários da minha família, a minha depressão piorou e perdi a vontade de sair de casa para entregar currículos de porta em porta. Perdi a vontade de procurar anúncios em sites de emprego. Perdi até a vontade de jogar e falar com os amigos online, mas ficava horas sentada em frente ao PC, muitas vezes sem fazer nada, simplesmente a olhar para o ecrã, para o vazio.

Acabei por fazer um curso de secretariado para poder tirar o ensino superior do currículo e só aí, após dois anos de angústia, as propostas começaram a surgir, não para a minha área de formação académica, mas para secretariado. Finalmente comecei a ser chamada para ir a entrevistas de emprego... mas nunca era selecionada. Ao contrário do prometido, acabei por não ficar a trabalhar no local onde estagiei para o curso, e fui trabalhar num call center da Apple. Quase meio ano depois, consegui finalmente encontrar trabalho em secretariado, onde me encontro atualmente, com a mágoa de saber que estou apenas a substituir uma baixa de gravidez e que, quando a colega sair, vou ter muito provavelmente de abandonar a empresa. O que é chato porque gosto da empresa, gosto do que faço e tenho uma colega 5* com quem tive uma ligação imediata e que é como a irmã que nunca tive.

Após dois anos de "tens de arranjar trabalho para começares a ajudar com as despesas", sempre pensei que ter trabalho mudaria alguma coisa cá por casa. Ao contrário do que me tinha sido dito toda a vida, recusaram que eu lhes desse uma parte do meu ordenado, queriam antes que eu juntasse o dinheiro "para o que eu precisasse". Por isso juntei para um computador. O portátil que tinha comprado na faculdade já não estava apto para fazer trabalhos e muitas vezes não ligava, por isso não era confiável. Comprar um computador foi mais um stress para a família. "Queres é um computador para jogar". Como se eu não jogasse no portátil também. Nada que não estivesse à espera.

Outra coisa que não mudou, foi a minha ajuda com as tarefas. Quanto mais hostil fica o ambiente cá em casa, menos vontade tenho de ajudar, e mais me chateiam com isso. Por isso sim, eu sei que podia fazer um pouco mais para ajudar. Mas de tudo, o que mais me incomoda, são os comentários sobre eu falar com pessoas no TeamSpeak, que evoluiu recentemente de "Não devias falar com pessoas estranhas na internet, ainda por cima de outros países!" para "Em vez de estares a falar com essas pessoas mais velhas, devias estar na internet à procura de jovens portugueses da tua idade, para ver se casas e assentas."...

Sei que se vivesse sozinha ia ter de perder mais tempo a fazer todas as tarefas domésticas que não faço agora: cozinhar, lavar, estender e passar a roupa a ferro e aspirar (sim, porque o resto eu faço, não sou assim tão calona), o que significa que ia ter menos tempo para jogar. Mas não ia ter pessoas a tentar esconder na comida alimentos aos quais sabem que sou alérgica, nem a dizer que estou gorda e devia fazer dieta para a seguir me irem comprar bolos para comer, nem a mandar bocas por ainda estar solteira, nem a obrigar-me a ir para a cama sempre à mesma hora como se ainda fosse bebé. Já expressei várias vezes cá em casa a minha vontade de juntar dinheiro para sair desta casa para fora, mas quase sempre se riem na minha cara. A verdade, é que não é fácil uma pessoa só conseguir ter dinheiro que chegue para viver sozinha, especialmente por aqui. Fiquei completamente estupidificada quando vi que as rendas mais baratas eram entre os 400€ e os 500€... Sim, as mais baratas. Por isso, sair cá de casa não está fácil.

Mais alguém tem este tipo de pressões por parte da família? As pessoas que conheço dizem-me todas "mas tens 26 anos! Com essa idade a minha família já não me tratava assim!" e eu fico a pensar que sou a única. triste
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MensagemAssunto: Re: Pressões familiares   27/11/2017, 15:04

Oi Minakie!

Sei muito bem o que você passa. Também fui muito desvalorizada pela minha família, sofri pressão para conseguir um emprego, tive/tenho depressão por causa desse ambiente hostil e sempre quis sair de casa cedo. É mais fácil conversar com desconhecidos, que com eles, infelizmente.

Já que você é gamer, sugiro criar um canal no YouTube de gameplay. Faça lives (ao vivo). Com os anos você vai conseguir dinheiro com isso. É bem melhor ser autônoma. Você não pode alugar um quarto? É bem mais barato que alugar uma casa ou apartamento.

Aqui muitas pessoas pegam um emprego temporário, mas se saem bem e acabam sendo efetivadas. Você pode estar só cobrindo uma licença maternidade, e mesmo assim, eles podem gostar do seu trabalho e te deixar mais.

O mais importante é você se valorizar, você se amar. Não interessa o que os outros pensam. A vida é um desafio e precisamos sair vencedores dela!


Se ame, se cuide.  coração roxo

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MensagemAssunto: Re: Pressões familiares   9/12/2017, 09:34

Minakie escreveu:
Tenho atualmente 26 anos e vivo (como sempre vivi) com os meus avós. Sou gamer por natureza (mas não hardcore, que tenho pouco jeito haha) por isso se passar 12h por dia a jogar aos fins de semana "é na boa". Tenho uma tendência natural para a procrastinação, que é exacerbada pela minha Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção que, por si só, influencia a pessoa a ser mais "calona" que a maioria das pessoas. Sempre que tento ajudar cá em casa, ou me tiram as coisas da mão e dizem "dá cá que eu faço", ou reclamam que estou a fazer tudo mal porque estou a "tentar despachar" ou simplesmente reclamam, depois de o trabalho já estar feito, que ficou mal feito. Porque, se não for feito 100% da maneira que eles fazem, está mal feito, e não são capazes de entender que pessoas diferentes têm maneiras diferentes de fazer as coisas.

Por todos estes motivos motivo, juntamente com anos a fio de depressão profunda causados, entre outras coisas, por bullying a nível familiar, nunca fui muito dada a ajudar com as tarefas de casa. Se me for dada a oportunidade, fico sentada em casa a jogar no PC sempre que tenha tempos livres. Adorava cozinhar também mas, sempre que tento, a coisa corre mal, pelos mesmo motivos mencionados acima. As poucas vezes nestes 26 anos que consegui cozinhar ou fazer uma sobremesa foi quando toda a família estava fora. E, para cúmulo, tinha de tirar fotos do que cozinhava para fazer prova futura porque depois toda a gente começava com o "tu nunca cozinhaste" eu respondia "cozinhei sim, ainda a semana passada fiz X" e toda a família dizia que eu devia ter sonhado, por isso comecei a guardar as fotos da comida que fazia no meu telemóvel para a minha família não me levar à loucura com a sua lavagem cerebral.

Lembro-me que desde criança (devia ter 9-10 anos) ansiei acabar os estudos para arranjar trabalho e ter dinheiro para sair cá de casa, devido ao ambiente hostil em que vivo. A verdade, é que nada correu como esperado. Depois de 4 anos na faculdade, nunca consegui encontrar emprego na minha área de formação, não era sequer chamada para entrevistas. Durante dois anos, fiz currículo em dezenas de sites de emprego diferente, criei perfil no LinkedIn, anunciei a amigos e conhecidos, criei um site de auto promoção, andei de porta em porta a distribuir currículos em mão. Foram dois longos anos no desemprego em que todos os dias a minha família gritava horas e horas a fio que eu não encontrava trabalho porque não queria, porque não me esforçava, porque era uma calona que só queria ficar em casa a jogar. O que acabou eventualmente por acontecer. Após dois anos de não só não ver quaisquer resultados para o meu esforço, como ainda ter de levar com o negativismo e bullying diários da minha família, a minha depressão piorou e perdi a vontade de sair de casa para entregar currículos de porta em porta. Perdi a vontade de procurar anúncios em sites de emprego. Perdi até a vontade de jogar e falar com os amigos online, mas ficava horas sentada em frente ao PC, muitas vezes sem fazer nada, simplesmente a olhar para o ecrã, para o vazio.

Acabei por fazer um curso de secretariado para poder tirar o ensino superior do currículo e só aí, após dois anos de angústia, as propostas começaram a surgir, não para a minha área de formação académica, mas para secretariado. Finalmente comecei a ser chamada para ir a entrevistas de emprego... mas nunca era selecionada. Ao contrário do prometido, acabei por não ficar a trabalhar no local onde estagiei para o curso, e fui trabalhar num call center da Apple. Quase meio ano depois, consegui finalmente encontrar trabalho em secretariado, onde me encontro atualmente, com a mágoa de saber que estou apenas a substituir uma baixa de gravidez e que, quando a colega sair, vou ter muito provavelmente de abandonar a empresa. O que é chato porque gosto da empresa, gosto do que faço e tenho uma colega 5* com quem tive uma ligação imediata e que é como a irmã que nunca tive.

Após dois anos de "tens de arranjar trabalho para começares a ajudar com as despesas", sempre pensei que ter trabalho mudaria alguma coisa cá por casa. Ao contrário do que me tinha sido dito toda a vida, recusaram que eu lhes desse uma parte do meu ordenado, queriam antes que eu juntasse o dinheiro "para o que eu precisasse". Por isso juntei para um computador. O portátil que tinha comprado na faculdade já não estava apto para fazer trabalhos e muitas vezes não ligava, por isso não era confiável. Comprar um computador foi mais um stress para a família. "Queres é um computador para jogar". Como se eu não jogasse no portátil também. Nada que não estivesse à espera.

Outra coisa que não mudou, foi a minha ajuda com as tarefas. Quanto mais hostil fica o ambiente cá em casa, menos vontade tenho de ajudar, e mais me chateiam com isso. Por isso sim, eu sei que podia fazer um pouco mais para ajudar. Mas de tudo, o que mais me incomoda, são os comentários sobre eu falar com pessoas no TeamSpeak, que evoluiu recentemente de "Não devias falar com pessoas estranhas na internet, ainda por cima de outros países!" para "Em vez de estares a falar com essas pessoas mais velhas, devias estar na internet à procura de jovens portugueses da tua idade, para ver se casas e assentas."...

Sei que se vivesse sozinha ia ter de perder mais tempo a fazer todas as tarefas domésticas que não faço agora: cozinhar, lavar, estender e passar a roupa a ferro e aspirar (sim, porque o resto eu faço, não sou assim tão calona), o que significa que ia ter menos tempo para jogar. Mas não ia ter pessoas a tentar esconder na comida alimentos aos quais sabem que sou alérgica, nem a dizer que estou gorda e devia fazer dieta para a seguir me irem comprar bolos para comer, nem a mandar bocas por ainda estar solteira, nem a obrigar-me a ir para a cama sempre à mesma hora como se ainda fosse bebé. Já expressei várias vezes cá em casa a minha vontade de juntar dinheiro para sair desta casa para fora, mas quase sempre se riem na minha cara. A verdade, é que não é fácil uma pessoa só conseguir ter dinheiro que chegue para viver sozinha, especialmente por aqui. Fiquei completamente estupidificada quando vi que as rendas mais baratas eram entre os 400€ e os 500€... Sim, as mais baratas. Por isso, sair cá de casa não está fácil.

Mais alguém tem este tipo de pressões por parte da família? As pessoas que conheço dizem-me todas "mas tens 26 anos! Com essa idade a minha família já não me tratava assim!" e eu fico a pensar que sou a única. triste

Minakie, expressarei abaixo a minha opinião sobre o que vc escreveu:

1) Gostar de games é uma coisa, passar muitas horas por dia jogando é outra. Que tal determinar um período específico para jogar (por exemplo, acho que 2 h/dia é algo bem razoável) e buscar outras atividades que também lhe sejam prazerosas?

2) Sugiro que procure enxergar a situação pelo lado da sua família. É natural que esperem que vc, com 26 anos, no mínimo consiga o suficiente para se sustentar. E se nem sequer lhe cobram para que ajude com as despesas da casa, desculpe-me pela sinceridade, auxiliar nas tarefas domésticas é o mínimo que deve fazer.

3) Se vc se dedicar bastante, quem sabe não seja efetivada no lugar da funcionária que está grávida, ou não arrumem uma vaga para vc também, na empresa? Não sofra por antecipação...mas, por via das dúvidas, cadastre-se em sites gratuitos de empregos e já prepare currículos para distribuir.

4) Quando uma situação está ruim, ou vc luta para melhorá-la, ou se conforma com ela. Se não está satisfeita com a vida que leva morando com seus avós, pode juntar o suficiente para poder sair de casa e morar sozinha. A partir do momento em que se tornar independente (da sua família) e se sustentar apenas com seu trabalho, poderá viver como quiser, sozinha.

5) Se vc mora com seus avós, sabe que não poderá contar com eles por muito tempo (ninguém vive para sempre)... então, é preciso agir. E é melhor fazer isso agora, enquanto ainda tem opção, do que por necessidade (quando eles não mais puderem ajudá-la, seja por estarem doentes e precisarem gastar mais consigo mesmos ou por terem falecido). Certamente, seus avós a pressionam visando o seu bem.
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Minakie
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MensagemAssunto: Re: Pressões familiares   9/12/2017, 11:56

Romântico escreveu:
Minakie, expressarei abaixo a minha opinião sobre o que vc escreveu:

1) Gostar de games é uma coisa, passar muitas horas por dia jogando é outra. Que tal determinar um período específico para jogar (por exemplo, acho que 2 h/dia é algo bem razoável) e buscar outras atividades que também lhe sejam prazerosas?

2) Sugiro que procure enxergar a situação pelo lado da sua família. É natural que esperem que vc, com 26 anos, no mínimo consiga o suficiente para se sustentar. E se nem sequer lhe cobram para que ajude com as despesas da casa, desculpe-me pela sinceridade, auxiliar nas tarefas domésticas é o mínimo que deve fazer.

3) Se vc se dedicar bastante, quem sabe não seja efetivada no lugar da funcionária que está grávida, ou não arrumem uma vaga para vc também, na empresa? Não sofra por antecipação...mas, por via das dúvidas, cadastre-se em sites gratuitos de empregos e já prepare currículos para distribuir.

4) Quando uma situação está ruim, ou vc luta para melhorá-la, ou se conforma com ela. Se não está satisfeita com a vida que leva morando com seus avós, pode juntar o suficiente para poder sair de casa e morar sozinha. A partir do momento em que se tornar independente (da sua família) e se sustentar apenas com seu trabalho, poderá viver como quiser, sozinha.

5) Se vc mora com seus avós, sabe que não poderá contar com eles por muito tempo (ninguém vive para sempre)... então, é preciso agir. E é melhor fazer isso agora, enquanto ainda tem opção, do que por necessidade (quando eles não mais puderem ajudá-la, seja por estarem doentes e precisarem gastar mais consigo mesmos ou por terem falecido). Certamente, seus avós a pressionam visando o seu bem.

Cada pessoa tem interesses diferentes. Eu saio de casa para fazer outras coisas quando o dinheiro e a saúde assim o permitem (porque "ir passear" custa dinheiro e também tenho problemas de saúde que me limitam e consultas que não são baratas). Quando não o permitem ou não me apetece, tenho o direito de fazer nos meus tempos livres o que me apetecer desde que não prejudique outras pessoas.

Eu ganho quase 1000€ mensais de salário, por isso consigo mais que o suficiente para me "sustentar", não sou nenhuma parasita. E o facto de não me cobrarem pelas despesas da casa, desculpe a honestidade, é problema deles. Eu já me ofereci para doar metade do meu salário para ajudar com as despesas da casa. Já me ofereci para pagar a alguém para vir ajudar com as tarefas domésticas. Todas as minhas ajudas e propostas foram rejeitadas porque o que eles querem é que seja EU a fazer. E, desculpe a sinceridade, não faço. Sou a única pessoa cá em casa que trabalha com um horário fixo. As restantes pessoas passam o dia inteiro em casa porque não têm emprego. O mínimo que essas pessoas podem fazer quando tratam da comida ou da roupa é fazer para todos, porque eu tenho menos tempo porque passo 8h por dia no trabalho e outras tantas encafuada nos transportes públicos, por isso quando chego a casa não tenho tempo nem energia para tratar da casa. E não é por ser a casa deles, porque se fosse a minha casa não ia ter energia também. Daí sugerir contratar alguém para nos ajudar mas, se não querem, não é problema meu. Além disso, se REALMENTE quisessem ajuda, não me censuravam e criticavam de cada vez que tento ajudar, que é o que sempre acontece. Já aconteceu várias vezes este mês e vai continuar a acontecer sempre. Sou insultada quando não ajudo e insultada quando ajudo. Chama-se bullying psicológico, não sei se já ouviu falar.

E, por falar nisso, até sugeri fazer livestreaming para ganhar mais dinheiro e poder ajudar mais com as despesas mas claro que, como seria fazer dinheiro a fazer uma coisa que eles não aprovam porque sabem que me faz feliz, não quiseram aprovar a ideia. E sim, é simplesmente porque me faz feliz. Não é por ser preconceito contra jogos ou nada do género. Porque quando o meu interesse era a leitura fui proibida de ler e quando o meu interesse era a música fui proibida de cantar. Porque nesta família é assim, tudo o que eles vejam que me deixa feliz acaba proibido. E é por isso que eu estou nem aí se aprovam ou não eu jogar nas minhas horas vagas.

Desde criança que tento juntar dinheiro para sair cá de casa (sempre juntei o pouco dinheiro que me davam nos natais ou aniversários ao invés de gastar em doces ou brinquedos). A família anda a tentar convencer-me que não compensa alugar casa, o melhor é comprar. Mas eu e o meu avô estivemos a fazer as contas e, até conseguir juntar dinheiro que chegue para conseguir pagar a escritura e a entrada (sim, porque o banco terá sempre de emprestar uma parte, a menos que me saia a lotaria), teria de juntar dinheiro durante cerca de 10 anos mais. Daí querer borrifar para isso e alugar, precisamente para poder sair de cá mais rápido, porque mais uma década aqui deve ser para rir.

Quanto ao tentar que gostem de mim no trabalho, tenho feito por isso, mas aqui não se trata de gostar ou não, porque o meu chefe e colegas todos gostam de mim, mas quem trata das contratações e despedimentos são os colegas do país vizinho. Colegas esses que, por cada departamento que em Espanha contratam 5-7 pessoas para fazer uma coisa, para Portugal contratam só 1 para fazer a mesma tarefa, porque eles acham que os portugueses são robôs super-máquinas e que 1 pessoa faz o trabalho de 5 ou 6. Por isso se a decisão fosse dos meus colegas ou do meu chefe, eu tenho 100% de certeza que tinha o lugar garantido, mas como não é... cá estarei para ver.

E nem tudo o que a família faz por nós é no nosso interesse. Chamar nomes, agressões físicas e ameaças de despejo ou de morte... já passei por tudo isso cá em casa. Essa história de "família é família blá blá blá whiskas saquetas" é muito giro nos filmes, mas a realidade nem sempre é tão utópica quanto a ficção. Eu não tenho nem nunca tive uma "família feliz" ou que me apoiasse, apenas pessoas que sempre inventam novas formas de me humilhar e tentar deitar abaixo. Até o facto de ter trabalho (e, repito, ser A ÚNICA com um emprego) é do tipo "ah sim, tu ganhas 1000 euros mas fulana ganha 3000. Porque o que eu faço nunca é bom que chegue. Eu sempre serei a ovelha negra da família que, aliás, não perde uma chance de listar porque é que eu nunca deveria ter nascido.
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Pensamento "O amor está acima da morte, assim como como o céu, do oceano" (Jean Baptiste Henri Lacordaire)

MensagemAssunto: Re: Pressões familiares   9/12/2017, 22:49

Minakie escreveu:
Cada pessoa tem interesses diferentes. Eu saio de casa para fazer outras coisas quando o dinheiro e a saúde assim o permitem (porque "ir passear" custa dinheiro e também tenho problemas de saúde que me limitam e consultas que não são baratas). Quando não o permitem ou não me apetece, tenho o direito de fazer nos meus tempos livres o que me apetecer desde que não prejudique outras pessoas.
Se vc morar sozinha, sim. Enquanto morar com seus avós, não terá tanta liberdade.
Na sua situação (que não sabia quão grave era, até ler sua resposta), eu aproveitaria o tempo livre para buscar uma renda extra e/ou um novo emprego (para sair logo daí).
Deixaria os passeios para depois (de sair da casa dos avós).
https://exame.abril.com.br/seu-dinheiro/20-formas-de-ganhar-uma-renda-extra-no-fim-do-mes/
https://clubedovalor.com.br/como-ganhar-dinheiro-em-casa/

Minakie escreveu:
Eu ganho quase 1000€ mensais de salário, por isso consigo mais que o suficiente para me "sustentar", não sou nenhuma parasita. E o facto de não me cobrarem pelas despesas da casa, desculpe a honestidade, é problema deles. Eu já me ofereci para doar metade do meu salário para ajudar com as despesas da casa. Já me ofereci para pagar a alguém para vir ajudar com as tarefas domésticas. Todas as minhas ajudas e propostas foram rejeitadas porque o que eles querem é que seja EU a fazer. E, desculpe a sinceridade, não faço. Sou a única pessoa cá em casa que trabalha com um horário fixo. As restantes pessoas passam o dia inteiro em casa porque não têm emprego. O mínimo que essas pessoas podem fazer quando tratam da comida ou da roupa é fazer para todos, porque eu tenho menos tempo porque passo 8h por dia no trabalho e outras tantas encafuada nos transportes públicos, por isso quando chego a casa não tenho tempo nem energia para tratar da casa. E não é por ser a casa deles, porque se fosse a minha casa não ia ter energia também. Daí sugerir contratar alguém para nos ajudar mas, se não querem, não é problema meu.
Ninguém a chamou de parasita... e na sua primeira mensagem vc não havia contado que propôs pagar alguém para realizar as tarefas domésticas. Pelo contrário, o que afirmou foi: "sim, eu sei que podia fazer um pouco mais para ajudar".

Minakie escreveu:
Além disso, se REALMENTE quisessem ajuda, não me censuravam e criticavam de cada vez que tento ajudar, que é o que sempre acontece. Já aconteceu várias vezes este mês e vai continuar a acontecer sempre. Sou insultada quando não ajudo e insultada quando ajudo. Chama-se bullying psicológico, não sei se já ouviu falar.

E, por falar nisso, até sugeri fazer livestreaming para ganhar mais dinheiro e poder ajudar mais com as despesas mas claro que, como seria fazer dinheiro a fazer uma coisa que eles não aprovam porque sabem que me faz feliz, não quiseram aprovar a ideia. E sim, é simplesmente porque me faz feliz. Não é por ser preconceito contra jogos ou nada do género. Porque quando o meu interesse era a leitura fui proibida de ler e quando o meu interesse era a música fui proibida de cantar. Porque nesta família é assim, tudo o que eles vejam que me deixa feliz acaba proibido. E é por isso que eu estou nem aí se aprovam ou não eu jogar nas minhas horas vagas.

Desde criança que tento juntar dinheiro para sair cá de casa (sempre juntei o pouco dinheiro que me davam nos natais ou aniversários ao invés de gastar em doces ou brinquedos). A família anda a tentar convencer-me que não compensa alugar casa, o melhor é comprar. Mas eu e o meu avô estivemos a fazer as contas e, até conseguir juntar dinheiro que chegue para conseguir pagar a escritura e a entrada (sim, porque o banco terá sempre de emprestar uma parte, a menos que me saia a lotaria), teria de juntar dinheiro durante cerca de 10 anos mais. Daí querer borrifar para isso e alugar, precisamente para poder sair de cá mais rápido, porque mais uma década aqui deve ser para rir.
Quando é grave a situação, nem há que se pensar em comprar (a não ser quando há dinheiro sobrando). Já que disse ganhar "mais do que o suficiente" para se sustentar, alugue um imóvel e viva sua vida com tranquilidade, sozinha.

Minakie escreveu:
Quanto ao tentar que gostem de mim no trabalho, tenho feito por isso, mas aqui não se trata de gostar ou não, porque o meu chefe e colegas todos gostam de mim, mas quem trata das contratações e despedimentos são os colegas do país vizinho. Colegas esses que, por cada departamento que em Espanha contratam 5-7 pessoas para fazer uma coisa, para Portugal contratam só 1 para fazer a mesma tarefa, porque eles acham que os portugueses são robôs super-máquinas e que 1 pessoa faz o trabalho de 5 ou 6. Por isso se a decisão fosse dos meus colegas ou do meu chefe, eu tenho 100% de certeza que tinha o lugar garantido, mas como não é... cá estarei para ver.
Como disse antes, o negócio é procurar outras alternativas e continuar a fazer o melhor que puder enquanto permanecer no emprego atual.

Minakie escreveu:
E nem tudo o que a família faz por nós é no nosso interesse. Chamar nomes, agressões físicas e ameaças de despejo ou de morte... já passei por tudo isso cá em casa. Essa história de "família é família blá blá blá whiskas saquetas" é muito giro nos filmes, mas a realidade nem sempre é tão utópica quanto a ficção. Eu não tenho nem nunca tive uma "família feliz" ou que me apoiasse, apenas pessoas que sempre inventam novas formas de me humilhar e tentar deitar abaixo. Até o facto de ter trabalho (e, repito, ser A ÚNICA com um emprego) é do tipo "ah sim, tu ganhas 1000 euros mas fulana ganha 3000. Porque o que eu faço nunca é bom que chegue. Eu sempre serei a ovelha negra da família que, aliás, não perde uma chance de listar porque é que eu nunca deveria ter nascido.
Lamento pela sua situação.
Espero que consiga sair logo da casa de seus avós.
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