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Clarice_1981
Acabei de chegar!
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Clarice_1981

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MensagemAssunto: Apresentação    Apresentação  Empty16/3/2021, 00:26

Oi pessoal.
Chegando aqui depois de longa jornada...
Tenho 39 anos, sou do Rio e estou há uma vida inteira me achando errada e tentando tratar algo que não sei se tem tratamento ou deve ser tratado. Confesso que no fundo eu mesma ainda acho que tem sim algo em mim bloqueado por algum trauma, mas seja isso verdade ou não, fato é que parar de tentar de tudo quanto é jeito resolver a questão me dá alívio. Mas me vi diante então de uma decisão que seria: parar de transar, me respeitar, equivale a nunca mais me relacionar com alguém romanticamente? Isso me deixou bem mal, pois ainda gostaria de encontrar novamente um parceiro, gosto dessa parte. Já tinha ouvido falar em assexualidade, mas só essa crise me fez tomar coragem de tentar entender mais o que seria uma forma diferente de viver uma relação.
Minha pré adolescência e adolescência chegaram sem que houvesse nenhum despertar de desejo sexual em mim. Não acho que sequer romanticamente tenha verdadeiramente me interessado por ninguém nessa época, eu inventava uns interesses em caras altamente impossíveis pra justificar não estar ficando com mais ng e me deixarem em paz, mas no fundo eu sabia que se algum deles me correspondesse eu tava lascada porque eu não conseguia me imaginar fazendo nada físico. O que não quer dizer que eu não tenha ficado com ninguém, mas sempre foi pra ver como seria, pra me achar e parecer "normal", por ficar lisonjeada por ter sido escolhida... mas nunca achei fisicamente bom e mesmo dos caras de quem eu gostava minimamente mais eu acabava fugindo por saber que vê-los novamente significaria ter que beijar mais, transar... lembro mt de ficar totalmente sem entender qd minha amigas relatavam que beijavam alguém, o cara ia passando a mão nelas e aí elas iam sentindo "um negócio" (sempre acompanhava o gesto de uma onda que vinha do baixo ventre haha) e eu pensava "que diabos é esse negócio?!? Qd passam a mão em mim só o que penso é em como vou conseguir escapar daquilo o mais rápido possível!".
Na faculdade me interessei por um rapaz que tb se interessou por mim, da minha parte era uma atração romântica mas não física e demorei 6 meses no maior drama até ficar com ele, pq a essa altura já tava virando um trauma e uma dificuldade me colocar nessas situações de beijos/carícias, mais 6 meses até namorar e aí perder a virgindade... mas também nunca gostei da parte física. A relação foi evoluindo, fui gostando dele e querendo estar junto, fomos melhores amigos e parceiros por mt tempo, e essa parte física meio que vinha no pacote... eu era tão boba e tb tão convicta de que eu tinha um pb e eu que tinha que me virar com ele que não tive o bom senso de entender que por mais que eu gostasse do cara, se sempre tive uma certa repulsa pelo cheiro dele, não tinha a menor chance de dar certo!!!! Enfim, casei com ele assim que me formei, tive 2 filhos, passamos 16 anos juntos. Nunca menti dizendo/fingindo gostar de sexo mas tb acho que ele não entendeu o quanto era ruim pra mim transar até eu explodir depois de, sei lá, uns 14 anos transando pouco mas transando por obrigação, de tempos em tempos, quando eu sentia que já tinha fugido o máximo possível e tinha que ceder... uma coisa horrorosa transar por obrigação assim, uma sensação de asco crescente e mesmo sendo eu a me colocar nessa situação uma sensação, no fim das contas, de violação.
Tomei coragem, me separei. Foi difícil porque ele é um cara razoavelmente legal (considerando o nível absolutamente pavoroso da grande maioria dos homens nesse horror que é o patriarcado), pai dos meus filhos e a essa altura já bastante consciente que não rolaria sexo entre a gente+ e ainda assim disposto a continuar comigo. Mas td o histórico de anos transando sem vontade pesou pra mim a tal ponto que não dava mais, eu já não queria nem que ele me abraçasse. Me separei como quem está dando adeus à única chance de ter um parceiro na vida.
Ao longo da vida fiz todo tipo de terapia possível, não só pela relação com sexo, claro, mas isso sempre presente: psicanálise, terapia corporal, bioenergética, body talk, massagem tântrica, microfisioterapia... haha. Que canseira tentar tanto mudar o que sempre fui... mas uma das coisas que queria tb e que consegui depois de tanto buscar foi me apaixonar. Me permitir me apaixonar e sentir toda a força disso, algo que não aconteceu com meu ex marido pq nossos mts meses de entrada em relação foram tensos e angustiantes pra mim, não era frio na barriga bom. Sempre tive medo dessa entrega e vulnerabilidade e também da parte física que viria junto, a "negociação" de meses com meu ex (que foi meu primeiro namorado) foi o que foi possível pra mim naquele momento.
Pois bem, tanto quis que me apaixonei. Do único jeito que acho que isso me é possível, através da convivência, de uma construção. Pela primeira vez na vida, já burra velha rs. Não deu certo e foi tão devastador que ainda não sei se consigo/quero me permitir viver tal intensidade novamente, mas pelo menos tirei a dúvida de que posso sim sentir td isso, consigo. Mas a parte física, ainda assim, apesar de uma paixão romântica digna de poemas épicos, não era tanto a minha. Abraçar etc, sim. Era algo que com meu ex eu já nem queria, de medo de que fosse virar sexo e que eu não sabia se com outra pessoa gostaria, ou nem isso... (gosto mt de afeto físico, por ex com amigas e família, mas qd entra um componente de possibilidade de virar algo sexual eu em geral já travo). Beijar também, pelo nível de frio na barriga que eu sentia por ele, foi uma experiência melhor do que jamais havia sido (eu senti o tal do "negócio" pela primeira vez na vida hahaha). E não posso dizer que sofri transando com ele, pq estava tão apaixonada que queria estar o mais próxima possível de todas as formas, o que incluía transar. Mas continuei não sentindo nada fisicamente ao transar e entendi perfeitamente que ao passar a parte da paixão insana eu ia me ver mais uma vez no dilema: continuar transando para não perder o cara que amo até que isso se torne absolutamente intolerável (e essa experiência eu já vi como acaba mal) ou dizer que não quer mais transar e perder o cara? Porque eu não tenho vontade minha de transar, não penso nisso, não sinto falta... Eu jurei a mim mesma após separar que nunca mais ia transar por obrigação, que não ia mais me obrigar a nada, mas e aí? Saio e como não sinto atração sexual, não tenho nada que me impulsione a ir em direção a alguém. Acho as pessoas lindas mas isso não se traduz de forma nenhuma em querer beija las! Penso "eu hein, nunca vi na vida!!!!". Acaba que por não ter desejo eu não tenho nem coragem de corresponder a olhares pq penso "e se ele entender isso como convite e vier até aqui?". Acaba que eu saio e parece que flutuo numa bolha pq nem olho em volta. Às vezes as amigas comentam que tem alguém me olhando e eu sequer percebi. Tb me sinto uma farsa em aplicativos pq penso que as pessoas ali supõem que se as coisas evoluírem a pessoa com quem deram match quererá eventual transar e eu acho que não será meu caso... Entrei pra ver como era mas logo saí, sem condição pra mim. Enfim, falei foi muito. Preciso é cair de cabeça na leitura aqui dos depoimentos de cada um pra entender como se navega esse outro mundo, essa promessa de mundo no qual seria possível me relacionar com alguém sem a pressão de que terei que transar sorrindo
Bjs!
Clarice
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kahu
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MensagemAssunto: Re: Apresentação    Apresentação  Empty16/3/2021, 16:00

O seu relato é mais comum do que você imagina. O grande dilema de muitos assexuais é justamente ser correspondido por alguém e ter que transar depois de beijar com alguém. Inclusive isso é um grande problema para os homens que muitas vezes são chamados de "fraco, brocha, homossexual", dentre outras apenas por rejeitar o sexo com uma mulher.
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MensagemAssunto: Re: Apresentação    Apresentação  Empty16/3/2021, 21:36

Oi, Clarice. Seja bem-vinda! fatia de bolo

Realmente não dá para dizer que você "não tentou". E acho que você faz muito bem em parar e tentar achar a resposta dentro de você. A leitura dos depoimentos certamente vão ajudar bastante, pelo que dá perceber você se identificará com muitos pontos.


"Se você ficar sozinho, pega a solidão e dança" (Três Dias, Marcelo Camelo)


https://www.assexualidade.com.br/
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MensagemAssunto: Re: Apresentação    Apresentação  Empty17/3/2021, 13:36

Obrigada Kahu e Sam pelas mensagens sorrindo
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MensagemAssunto: Re: Apresentação    Apresentação  Empty18/3/2021, 08:50

Clarice_1981 escreveu:
Oi pessoal.
Chegando aqui depois de longa jornada...
Tenho 39 anos, sou do Rio e estou há uma vida inteira me achando errada e tentando tratar algo que não sei se tem tratamento ou deve ser tratado. Confesso que no fundo eu mesma ainda acho que tem sim algo em mim bloqueado por algum trauma, mas seja isso verdade ou não, fato é que parar de tentar de tudo quanto é jeito resolver a questão me dá alívio. Mas me vi diante então de uma decisão que seria: parar de transar, me respeitar, equivale a nunca mais me relacionar com alguém romanticamente? Isso me deixou bem mal, pois ainda gostaria de encontrar novamente um parceiro, gosto dessa parte. Já tinha ouvido falar em assexualidade, mas só essa crise me fez tomar coragem de tentar entender mais o que seria uma forma diferente de viver uma relação.
Minha pré adolescência e adolescência chegaram sem que houvesse nenhum despertar de desejo sexual em mim. Não acho que sequer romanticamente tenha verdadeiramente me interessado por ninguém nessa época, eu inventava uns interesses em caras altamente impossíveis pra justificar não estar ficando com mais ng e me deixarem em paz, mas no fundo eu sabia que se algum deles me correspondesse eu tava lascada porque eu não conseguia me imaginar fazendo nada físico. O que não quer dizer que eu não tenha ficado com ninguém, mas sempre foi pra ver como seria, pra me achar e parecer "normal", por ficar lisonjeada por ter sido escolhida... mas nunca achei fisicamente bom e mesmo dos caras de quem eu gostava minimamente mais eu acabava fugindo por saber que vê-los novamente significaria ter que beijar mais, transar... lembro mt de ficar totalmente sem entender qd minha amigas relatavam que beijavam alguém, o cara ia passando a mão nelas e aí elas iam sentindo "um negócio" (sempre acompanhava o gesto de uma onda que vinha do baixo ventre haha) e eu pensava "que diabos é esse negócio?!? Qd passam a mão em mim só o que penso é em como vou conseguir escapar daquilo o mais rápido possível!".
Na faculdade me interessei por um rapaz que tb se interessou por mim, da minha parte era uma atração romântica mas não física e demorei 6 meses no maior drama até ficar com ele, pq a essa altura já tava virando um trauma e uma dificuldade me colocar nessas situações de beijos/carícias, mais 6 meses até namorar e aí perder a virgindade... mas também nunca gostei da parte física. A relação foi evoluindo, fui gostando dele e querendo estar junto, fomos melhores amigos e parceiros por mt tempo, e essa parte física meio que vinha no pacote... eu era tão boba e tb tão convicta de que eu tinha um pb e eu que tinha que me virar com ele que não tive o bom senso de entender que por mais que eu gostasse do cara, se sempre tive uma certa repulsa pelo cheiro dele, não tinha a menor chance de dar certo!!!! Enfim, casei com ele assim que me formei, tive 2 filhos, passamos 16 anos juntos. Nunca menti dizendo/fingindo gostar de sexo mas tb acho que ele não entendeu o quanto era ruim pra mim transar até eu explodir depois de, sei lá, uns 14 anos transando pouco mas transando por obrigação, de tempos em tempos, quando eu sentia que já tinha fugido o máximo possível e tinha que ceder... uma coisa horrorosa transar por obrigação assim, uma sensação de asco crescente e mesmo sendo eu a me colocar nessa situação uma sensação, no fim das contas, de violação.
Tomei coragem, me separei. Foi difícil porque ele é um cara razoavelmente legal (considerando o nível absolutamente pavoroso da grande maioria dos homens nesse horror que é o patriarcado), pai dos meus filhos e a essa altura já bastante consciente que não rolaria sexo entre a gente+ e ainda assim disposto a continuar comigo. Mas td o histórico de anos transando sem vontade pesou pra mim a tal ponto que não dava mais, eu já não queria nem que ele me abraçasse. Me separei como quem está dando adeus à única chance de ter um parceiro na vida.
Ao longo da vida fiz todo tipo de terapia possível, não só pela relação com sexo, claro, mas isso sempre presente: psicanálise, terapia corporal, bioenergética, body talk, massagem tântrica, microfisioterapia... haha. Que canseira tentar tanto mudar o que sempre fui... mas uma das coisas que queria tb e que consegui depois de tanto buscar foi me apaixonar. Me permitir me apaixonar e sentir toda a força disso, algo que não aconteceu com meu ex marido pq nossos mts meses de entrada em relação foram tensos e angustiantes pra mim, não era frio na barriga bom. Sempre tive medo dessa entrega e vulnerabilidade e também da parte física que viria junto, a "negociação" de meses com meu ex (que foi meu primeiro namorado) foi o que foi possível pra mim naquele momento.
Pois bem, tanto quis que me apaixonei. Do único jeito que acho que isso me é possível, através da convivência, de uma construção. Pela primeira vez na vida, já burra velha rs. Não deu certo e foi tão devastador que ainda não sei se consigo/quero me permitir viver tal intensidade novamente, mas pelo menos tirei a dúvida de que posso sim sentir td isso, consigo. Mas a parte física, ainda assim, apesar de uma paixão romântica digna de poemas épicos, não era tanto a minha. Abraçar etc, sim. Era algo que com meu ex eu já nem queria, de medo de que fosse virar sexo e que eu não sabia se com outra pessoa gostaria, ou nem isso... (gosto mt de afeto físico, por ex com amigas e família, mas qd entra um componente de possibilidade de virar algo sexual eu em geral já travo). Beijar também, pelo nível de frio na barriga que eu sentia por ele, foi uma experiência melhor do que jamais havia sido (eu senti o tal do "negócio" pela primeira vez na vida hahaha). E não posso dizer que sofri transando com ele, pq estava tão apaixonada que queria estar o mais próxima possível de todas as formas, o que incluía transar. Mas continuei não sentindo nada fisicamente ao transar e entendi perfeitamente que ao passar a parte da paixão insana eu ia me ver mais uma vez no dilema: continuar transando para não perder o cara que amo até que isso se torne absolutamente intolerável (e essa experiência eu já vi como acaba mal) ou dizer que não quer mais transar e perder o cara? Porque eu não tenho vontade minha de transar, não penso nisso, não sinto falta... Eu jurei a mim mesma após separar que nunca mais ia transar por obrigação, que não ia mais me obrigar a nada, mas e aí? Saio e como não sinto atração sexual, não tenho nada que me impulsione a ir em direção a alguém. Acho as pessoas lindas mas isso não se traduz de forma nenhuma em querer beija las! Penso "eu hein, nunca vi na vida!!!!". Acaba que por não ter desejo eu não tenho nem coragem de corresponder a olhares pq penso "e se ele entender isso como convite e vier até aqui?". Acaba que eu saio e parece que flutuo numa bolha pq nem olho em volta. Às vezes as amigas comentam que tem alguém me olhando e eu sequer percebi. Tb me sinto uma farsa em aplicativos pq penso que as pessoas ali supõem que se as coisas evoluírem a pessoa com quem deram match quererá eventual transar e eu acho que não será meu caso... Entrei pra ver como era mas logo saí, sem condição pra mim. Enfim, falei foi muito. Preciso é cair de cabeça na leitura aqui dos depoimentos de cada um pra entender como se navega esse outro mundo, essa promessa de mundo no qual seria possível me relacionar com alguém sem a pressão de que terei que transar sorrindo
Bjs!
Clarice
Seja bem-vinda, Clarice! bolo Que o fórum a ajude no processo de autoconhecimento!
Como bem disseram, verá por aqui relatos similares aos seus.


Visite o site oficial:
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Diana_Cwb
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MensagemAssunto: Bem vinda Clarice!   Apresentação  Empty26/3/2021, 10:11

Eu faço de suas palavras, minhas, é exatamente como me sinto. Sempre transei por obrigação, pois homens, se não tiver sexo pulam fora. Mas chegou a uma altura da vida que eu fujo de relacionamento para não ter que fazer coisas que não gosto. Estou feliz assim, mas a cobrança da sociedade é grande. Tenho uma filha adulta, estou na casa dos quarenta, dizem que eu pareço irmã mais velha da mijnha filha, ela mesma fica me forçando a encontrar alguém, me sugeriu até entrar no Tinder, pode?!
Para fugir das cobranças ocupo todo meu tempo, fui até fazer uma faculdade para ficar assoberbada e ter a "justificativa" de que não tenho tempo para relacionamento.
Algumas vezes, nessas cobranças, cheguei a dizer que nao tinha vontade de sexo, achando que a pessoa iria parar de insistir...pior! Falou que eu deveria procurar um médico, que eu estava com problemas hormonais. Mas sei que não é isso, sempre fui assim, me considero ace gray, se eu tiver sentimentos pela pessoa, raramente pode rolar ums carinhos, mas de preferência sem sexo. Estou me formando em biomedicina esse ano, e além de me conhecer, eu saberia, pelos conhecimentos teóricos que tenho, se eu tivesse algum problema hormonal. Enfim, comecei a procurar grupos de assexuais, mas esse assunto parece um tabu, mal se acha algo a respeito. Mas por depoimentos que encontrei pela internet, vi que existem milhares de assexuados. Se existisse um Tinder EXCLUSIVO para assexuados seria perfeito! Não quero sexo, mas adoraria ter alguém afetuoso, compreensivo e parceiro comigo.^^ Apesar de ser hetero, cheguei a cogitar que se eu encontrar alguém com as mesmas expectativas que eu, poderia ser mulher tb, pois ñ iria haver sexo, seríamos como melhores amigas...
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Lacri
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MensagemAssunto: Re: Apresentação    Apresentação  Empty26/3/2021, 10:50

Olá Clarice e Diana,

Adorei ler os relatos de vocês. Como nossas histórias de vida são semelhantes. Não são iguais porque sou assexual EXTRITO, não tenho nenhuma vontade de me relacionar com ninguém, e também não participo de redes sociais. Entendo perfeitamente o que vocês passaram e passam ainda. Aqui vocês verão que todos entendemos suas angústias.

No mais, nosso relato é o mesmo, só que vocês casaram e tiveram filhos, e agora descobriram a comunidade deste Fórum bem mais cedo e entendo que sofrerão um pouco menos que eu.

Só conheci este grupo no ano passado, já com 60 anos, e foi sensacional. Depois de ler vários depoimentos consegui identificar uma pessoa do meu círculo de amizades que tinha muito em comum comigo e toquei no assunto. Para minha surpresa ela também é assexual, e isso me deixou mais animada, pois agora conheço pessoalmente alguém que pensa e sente como eu, e que SOMOS NORMAIS, sem cobranças.

Passei pelas etapas de "todos falam, todos gostam, todos procuram..." e eu??? sempre fugindo! Em festas eu cansei de correr para o banheiro quando um rapaz começava a me olhar e demonstrava que ia se aproximar. Namorei, me forcei a ter contatos íntimos, mas sempre acabavam em choro e angústia, e no fim os relacionamentos acabavam. O último relacionamento que tive tem mais de 27 anos.

Até que um dia, com mais de 50 anos, uma amiga (de verdade) descobriu que existiam pessoas assim e me passou uma reportagem. Quando li, chorei de felicidade: eu era normal. Mas naquela época eu não tinha muito acesso à internet e o site era internacional. O importante é que me ajudou muito e MUDEI de atitude, decidi não tentar mais nada e assumi que realmente não gostava de sexo e mais importante "NÃO PRECISAVA DE SEXO" nem de ninguém. Foi um marco na minha vida. Até os homens pararam de se aproximar de mim... parecia que estava escrito na minha testa. Que alívio. Um ou outro que se aproximou desde então já ouvia logo um "não namoro" e partia para outra.

Espero que vocês também se conheçam e se compreendam, que é o mais importante. Os outros vão aceitar vocês também. E quem não aceitar ou entender não merece vocês. Tem sempre alguém que vai entendê-las.

Mais uma vez, foi muito bom ler suas histórias.
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@fanyflores
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Pensamento Ser diferente não é ruim, ruim é ser igual a todo mundo.

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MensagemAssunto: Re: Apresentação    Apresentação  Empty26/3/2021, 11:36

Clarice_1981 escreveu:
Oi pessoal.
Chegando aqui depois de longa jornada...
Tenho 39 anos, sou do Rio e estou há uma vida inteira me achando errada e tentando tratar algo que não sei se tem tratamento ou deve ser tratado. Confesso que no fundo eu mesma ainda acho que tem sim algo em mim bloqueado por algum trauma, mas seja isso verdade ou não, fato é que parar de tentar de tudo quanto é jeito resolver a questão me dá alívio. Mas me vi diante então de uma decisão que seria: parar de transar, me respeitar, equivale a nunca mais me relacionar com alguém romanticamente? Isso me deixou bem mal, pois ainda gostaria de encontrar novamente um parceiro, gosto dessa parte. Já tinha ouvido falar em assexualidade, mas só essa crise me fez tomar coragem de tentar entender mais o que seria uma forma diferente de viver uma relação.
Minha pré adolescência e adolescência chegaram sem que houvesse nenhum despertar de desejo sexual em mim. Não acho que sequer romanticamente tenha verdadeiramente me interessado por ninguém nessa época, eu inventava uns interesses em caras altamente impossíveis pra justificar não estar ficando com mais ng e me deixarem em paz, mas no fundo eu sabia que se algum deles me correspondesse eu tava lascada porque eu não conseguia me imaginar fazendo nada físico. O que não quer dizer que eu não tenha ficado com ninguém, mas sempre foi pra ver como seria, pra me achar e parecer "normal", por ficar lisonjeada por ter sido escolhida... mas nunca achei fisicamente bom e mesmo dos caras de quem eu gostava minimamente mais eu acabava fugindo por saber que vê-los novamente significaria ter que beijar mais, transar... lembro mt de ficar totalmente sem entender qd minha amigas relatavam que beijavam alguém, o cara ia passando a mão nelas e aí elas iam sentindo "um negócio" (sempre acompanhava o gesto de uma onda que vinha do baixo ventre haha) e eu pensava "que diabos é esse negócio?!? Qd passam a mão em mim só o que penso é em como vou conseguir escapar daquilo o mais rápido possível!".
Na faculdade me interessei por um rapaz que tb se interessou por mim, da minha parte era uma atração romântica mas não física e demorei 6 meses no maior drama até ficar com ele, pq a essa altura já tava virando um trauma e uma dificuldade me colocar nessas situações de beijos/carícias, mais 6 meses até namorar e aí perder a virgindade... mas também nunca gostei da parte física. A relação foi evoluindo, fui gostando dele e querendo estar junto, fomos melhores amigos e parceiros por mt tempo, e essa parte física meio que vinha no pacote... eu era tão boba e tb tão convicta de que eu tinha um pb e eu que tinha que me virar com ele que não tive o bom senso de entender que por mais que eu gostasse do cara, se sempre tive uma certa repulsa pelo cheiro dele, não tinha a menor chance de dar certo!!!! Enfim, casei com ele assim que me formei, tive 2 filhos, passamos 16 anos juntos. Nunca menti dizendo/fingindo gostar de sexo mas tb acho que ele não entendeu o quanto era ruim pra mim transar até eu explodir depois de, sei lá, uns 14 anos transando pouco mas transando por obrigação, de tempos em tempos, quando eu sentia que já tinha fugido o máximo possível e tinha que ceder... uma coisa horrorosa transar por obrigação assim, uma sensação de asco crescente e mesmo sendo eu a me colocar nessa situação uma sensação, no fim das contas, de violação.
Tomei coragem, me separei. Foi difícil porque ele é um cara razoavelmente legal (considerando o nível absolutamente pavoroso da grande maioria dos homens nesse horror que é o patriarcado), pai dos meus filhos e a essa altura já bastante consciente que não rolaria sexo entre a gente+ e ainda assim disposto a continuar comigo. Mas td o histórico de anos transando sem vontade pesou pra mim a tal ponto que não dava mais, eu já não queria nem que ele me abraçasse. Me separei como quem está dando adeus à única chance de ter um parceiro na vida.
Ao longo da vida fiz todo tipo de terapia possível, não só pela relação com sexo, claro, mas isso sempre presente: psicanálise, terapia corporal, bioenergética, body talk, massagem tântrica, microfisioterapia... haha. Que canseira tentar tanto mudar o que sempre fui... mas uma das coisas que queria tb e que consegui depois de tanto buscar foi me apaixonar. Me permitir me apaixonar e sentir toda a força disso, algo que não aconteceu com meu ex marido pq nossos mts meses de entrada em relação foram tensos e angustiantes pra mim, não era frio na barriga bom. Sempre tive medo dessa entrega e vulnerabilidade e também da parte física que viria junto, a "negociação" de meses com meu ex (que foi meu primeiro namorado) foi o que foi possível pra mim naquele momento.
Pois bem, tanto quis que me apaixonei. Do único jeito que acho que isso me é possível, através da convivência, de uma construção. Pela primeira vez na vida, já burra velha rs. Não deu certo e foi tão devastador que ainda não sei se consigo/quero me permitir viver tal intensidade novamente, mas pelo menos tirei a dúvida de que posso sim sentir td isso, consigo. Mas a parte física, ainda assim, apesar de uma paixão romântica digna de poemas épicos, não era tanto a minha. Abraçar etc, sim. Era algo que com meu ex eu já nem queria, de medo de que fosse virar sexo e que eu não sabia se com outra pessoa gostaria, ou nem isso... (gosto mt de afeto físico, por ex com amigas e família, mas qd entra um componente de possibilidade de virar algo sexual eu em geral já travo). Beijar também, pelo nível de frio na barriga que eu sentia por ele, foi uma experiência melhor do que jamais havia sido (eu senti o tal do "negócio" pela primeira vez na vida hahaha). E não posso dizer que sofri transando com ele, pq estava tão apaixonada que queria estar o mais próxima possível de todas as formas, o que incluía transar. Mas continuei não sentindo nada fisicamente ao transar e entendi perfeitamente que ao passar a parte da paixão insana eu ia me ver mais uma vez no dilema: continuar transando para não perder o cara que amo até que isso se torne absolutamente intolerável (e essa experiência eu já vi como acaba mal) ou dizer que não quer mais transar e perder o cara? Porque eu não tenho vontade minha de transar, não penso nisso, não sinto falta... Eu jurei a mim mesma após separar que nunca mais ia transar por obrigação, que não ia mais me obrigar a nada, mas e aí? Saio e como não sinto atração sexual, não tenho nada que me impulsione a ir em direção a alguém. Acho as pessoas lindas mas isso não se traduz de forma nenhuma em querer beija las! Penso "eu hein, nunca vi na vida!!!!". Acaba que por não ter desejo eu não tenho nem coragem de corresponder a olhares pq penso "e se ele entender isso como convite e vier até aqui?". Acaba que eu saio e parece que flutuo numa bolha pq nem olho em volta. Às vezes as amigas comentam que tem alguém me olhando e eu sequer percebi. Tb me sinto uma farsa em aplicativos pq penso que as pessoas ali supõem que se as coisas evoluírem a pessoa com quem deram match quererá eventual transar e eu acho que não será meu caso... Entrei pra ver como era mas logo saí, sem condição pra mim. Enfim, falei foi muito. Preciso é cair de cabeça na leitura aqui dos depoimentos de cada um pra entender como se navega esse outro mundo, essa promessa de mundo no qual seria possível me relacionar com alguém sem a pressão de que terei que transar sorrindo
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Clarice


Olá, seja bem vinda! Eu compreendo como deve ser complicado pra você, eu me indentifico com muita coisa que você falou. Eu acho que você está fazendo o certo, as vezes precisamos de um tempo pra pensar.
Eu também sou assexual, eu só descobri isso no início do ano, mas eu sempre soube que era diferente das outras pessoas, porque minhas primas e minhas irmãs na adolescência sempre ficavam ansiosas para arrumar um namorado e eu nem ligava pra isso, tanto que nunca namorei. Eu nunca me apaixonei e tenho pavor dessa parte da sexualidade. Ler testemunhos como o seu só me faz ter certeza de que sou assexual.
Espero que você consiga se encontrar e saber quem você realmente é.
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