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 Senta que lá vem história

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tocadolobo
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MensagemAssunto: Senta que lá vem história   Senta que lá vem história Empty9/1/2022, 02:04

Então, eu espero que vocês não tenham receio de textão, porque eu queria narrar um pouco da minha história com a sexualidade para ver se vocês que entendem mais do assunto me ajudam, hehehe.

Eu tenho 38 anos e estou saindo de um casamento de 8 anos justamente porque minha esposa não era satisfeita com a nossa vida sexual. Tentamos durante anos resolver as coisas, mas no final das contas vai ser melhor para ambos seguirmos em frente.
E só de um ano pra cá eu comecei a cogitar que eu esteja em algum lugar dentro do espectro ace. Mas sempre que eu leio a respeito fico com mais dúvidas. Por isso vim parar aqui no fórum.

Quando adolescente, eu me masturbava naturalmente como a maioria dos meninos dessa idade. Mas hoje vejo que não era exatamente igual. Quando os colegas começaram a ir a festas, beber, ir atrás de sexo, eu estava apaixonado por uma coleguinha da sala e só queria saber disso. No campo romântico eu sempre fui muito intenso, tenho dificuldade de me apaixonar por alguém, mas quando acontece eu fico anos, mesmo que não dê certo. Então depois que saí do colégio tive duas longas paixões. Ambas as garotas não se interessaram, mas eu permaneci apaixonado e sonhando que aquilo pudesse mudar. E foi assim que eu cheguei aos 30 anos sem nunca ter estado em um relacionamento e, portanto, virgem.
Eu tinha muita vontade de ter relações sexuais, mas só queria se fosse com uma garota que eu gostasse (se não ficou claro, eu sou hétero-romântico). Então conheci uma que se interessou por mim e nós começamos a namorar à distância. Com pouco mais de um mês, marcamos de nos encontrar pessoalmente. Ela sabia que eu era virgem e ela tinha me anunciado gostar muito de sexo, já tinha passado por vários relacionamentos.
Nesse final de semana ficamos praticamente o tempo todo na cama. Eu queria demais aquilo ali. Porém, no meio do ato sexual eu perdia a ereção. Coloquei a culpa no nervosismo. Ela achou que eu pudesse ser homossexual, mas eu tinha certeza que não era. Fui a um urologista e não tinha nada de errado biologicamente, então entrei na terapia.
Mas logo tivemos outras questões a resolver e a terapia nunca chegou efetivamente a tratar a minha sexualidade. Eu mesmo achava se tratar de ansiedade e pressão por ela ter dito ser experiente e tal.
Aos poucos as coisas foram melhorando, e eu conseguia chegar ao orgasmo durante a relação sexual. Mas continuei tenso, e quando eu achava que estava começando a relaxar, ela veio me dizer que não estava satisfeita, que eu parecia não estar gostando, que fazia tudo sempre igual, etc.
Nós nos amávamos muito, então nos casamos mesmo assim, com a confiança de que poderíamos resolver essa dificuldade de acertar nosso compasso sexual. Mas isso nunca aconteceu. A atividade sexual foi diminuindo e até que em uma das últimas vezes ela parecia ter gostado, mas não foi o bastante, e logo estávamos vivendo como dois amigos, o que pra ela não era suficiente. E, na verdade, nem pra mim, porque deixamos de nos beijar, de ficar juntinhos, e essas coisas eu definitivamente queria. Enfim, a separação vai ser bom para ambos e continuaremos amigos.
Sobre outras questões da sexualidade, eu me excito ao ver corpos de mulheres nuas e ao ver pornografia (embora, como vi em outro post aqui, goste mais das preliminares do que do ato em si). Na hora da masturbação, é mais natural pra mim fantasiar na minha cabeça uma cena com pessoas desconhecidas. Não só tenho dificuldade de me ver na cena, mas também as garotas por quem me interesso.
Talvez eu seja fray? Numa relação sexual com uma garota desconhecida, pode ser que eu aproveite melhor do que com uma com quem estou envolvido romanticamente?
Será que eu fiquei com alguma espécie de trauma? Hoje só de pensar em entrar numa nova relação eu já fico muito ansioso. Eu falo isso na terapia, mas a terapeuta disse que eu tenho que experimentar. Só que não sei bem como experimentar. Eu sou tímido, não é natural pra mim ir a, sei lá, um bar e conhecer uma garota e sair dali com ela pro motel, sabe? Isso não faz o menor sentido pra mim. Tentei recentemente entrar em aplicativos, mas as garotas que apareceram queriam algo sério e acharam que eu primeiro devia encerrar as coisas direito com a minha (ex-) esposa, porque ainda estamos morando sob o mesmo teto, é um ap comprado e vamos vender antes de cada um ir pro seu lugar.
E agora estou de papo com uma garota por quem eu já tinha um crush e ela por mim, e ela veio atrás quando soube que eu estava me separando. Mas ela é super alo e eu já contei que provavelmente eu esteja em algum lugar do espectro ace. Ela mora em SP, e eu em Brasília, e tenho muita vontade de ir lá conhecê-la, ver se rola química e tal, mas ao mesmo tempo me aterrorizo de pensar na possibilidade de sexo. E não é medo do ato em si, pelo contrário, eu queria praticá-lo, é ansiedade e, sobretudo, insegurança. Será que eu conseguiria ter uma relação não-monogâmica, por exemplo?

Enfim, gente, desculpem o textão, eu resumi o que deu, hahaha. Foi essa crush que sugeriu que eu entrasse em comunidades ace para conversar com as pessoas e tentar me descobrir. Obrigado de antemão pelas respostas. sorrindo
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MensagemAssunto: Re: Senta que lá vem história   Senta que lá vem história Empty10/1/2022, 17:51

eu me identifiquei com várias coisas que voce disse. na minha opinião, que pode estar errada, talvez o grande problema de tudo é voce se sentir realmente aceito como voce é pela outra pessoa.
talvez por causa dos filmes, séries e coisas do genero a gente cria uma super-expectativa de como deve ser o ato em si e acaba ficando inseguro e ansioso quanto à própria performance.
Talvez seria melhor conseguir se livrar das auto-cobranças primeiro.
Fantasiar com desconhecidos muitas vezes é só uma máscara pros medos.
No meu entendimento, acho que as fantasias chegam pra tirar a gente da angustia projetando a gente numa realidade que não é a nossa.
Voce nao parece do tipo de pessoa que sairia fazendo sexo sem ter desenvolvido algum tipo de vínculo... posso ter entendido errado, mas foi o que entendi lendo seu relato.
Sei lá, não tenha pressa.
Pra dar certo a outra pessoa precisa te aceitar e entender quem é voce. Independente se ela é ace ou alo.
Vc nao tem que mudar nada.
Vc tem que ser livre pra ser voce mesmo.
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MensagemAssunto: Re: Senta que lá vem história   Senta que lá vem história Empty10/1/2022, 18:03

theredqueen escreveu:
eu me identifiquei com várias coisas que voce disse. na minha opinião, que pode estar errada, talvez o grande problema de tudo é voce se sentir realmente aceito como voce é pela outra pessoa.
talvez por causa dos filmes, séries e coisas do genero a gente cria uma super-expectativa de como deve ser o ato em si e acaba ficando inseguro e ansioso quanto à própria performance.
Talvez seria melhor conseguir se livrar das auto-cobranças primeiro.
Fantasiar com desconhecidos muitas vezes é só uma máscara pros medos.
No meu entendimento, acho que as fantasias chegam pra tirar a gente da angustia projetando a gente numa realidade que não é a nossa.
Voce nao parece do tipo de pessoa que sairia fazendo sexo sem ter desenvolvido algum tipo de vínculo... posso ter entendido errado, mas foi o que entendi lendo seu relato.
Sei lá, não tenha pressa.
Pra dar certo a outra pessoa precisa te aceitar e entender quem é voce. Independente se ela é ace ou alo.
Vc nao tem que mudar nada.
Vc tem que ser livre pra ser voce mesmo.


Sim, eu acho que você está certa. Mas é difícil ter muita certeza de quem eu sou sem experimentar mais. Ao mesmo tempo, é como você disse, eu não sei se funcionaria sem um vínculo emocional pra mim. Mas talvez eu tenha que tentar pra ter certeza, não sei.
Eu acho que essas coisas são muito complicadas, e às vezes rótulos podem ajudar, mas em outras podem atrapalhar, porque, afinal, eu concordo que ninguém tem que mudar ou fingir ser quem não é pra agradar outra pessoa, é a receita para frustração e infelicidade.
Obrigado por comentar. sorrindo
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MensagemAssunto: Re: Senta que lá vem história   Senta que lá vem história Empty10/1/2022, 18:19

tocadolobo escreveu:
theredqueen escreveu:
eu me identifiquei com várias coisas que voce disse. na minha opinião, que pode estar errada, talvez o grande problema de tudo é voce se sentir realmente aceito como voce é pela outra pessoa.
talvez por causa dos filmes, séries e coisas do genero a gente cria uma super-expectativa de como deve ser o ato em si e acaba ficando inseguro e ansioso quanto à própria performance.
Talvez seria melhor conseguir se livrar das auto-cobranças primeiro.
Fantasiar com desconhecidos muitas vezes é só uma máscara pros medos.
No meu entendimento, acho que as fantasias chegam pra tirar a gente da angustia projetando a gente numa realidade que não é a nossa.
Voce nao parece do tipo de pessoa que sairia fazendo sexo sem ter desenvolvido algum tipo de vínculo... posso ter entendido errado, mas foi o que entendi lendo seu relato.
Sei lá, não tenha pressa.
Pra dar certo a outra pessoa precisa te aceitar e entender quem é voce. Independente se ela é ace ou alo.
Vc nao tem que mudar nada.
Vc tem que ser livre pra ser voce mesmo.


Sim, eu acho que você está certa. Mas é difícil ter muita certeza de quem eu sou sem experimentar mais. Ao mesmo tempo, é como você disse, eu não sei se funcionaria sem um vínculo emocional pra mim. Mas talvez eu tenha que tentar pra ter certeza, não sei.
Eu acho que essas coisas são muito complicadas, e às vezes rótulos podem ajudar, mas em outras podem atrapalhar, porque, afinal, eu concordo que ninguém tem que mudar ou fingir ser quem não é pra agradar outra pessoa, é a receita para frustração e infelicidade.
Obrigado por comentar. sorrindo

tente não se cobrar... viver sendo diferente já é dificil, e com uma carga de auto-cobrança em cima fica ainda mais difícil.
talvez seja dificil pra vc se sentir sozinho, término de relacionamentos carregam em si um certo luto, então viva este luto. Pegue um tempo pra voce mesmo pra meio que se localizar no mundo e ver o que de fato voce quer e até onde está disposto a ir pra conseguir.
ninguém é obrigado a atender as espectativas dos outros.
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MensagemAssunto: Re: Senta que lá vem história   Senta que lá vem história Empty10/1/2022, 18:58

Obrigado! sorrindo
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MensagemAssunto: Re: Senta que lá vem história   Senta que lá vem história Empty11/1/2022, 13:21

tocadolobo escreveu:
Então, eu espero que vocês não tenham receio de textão, porque eu queria narrar um pouco da minha história com a sexualidade para ver se vocês que entendem mais do assunto me ajudam, hehehe.

Eu tenho 38 anos e estou saindo de um casamento de 8 anos justamente porque minha esposa não era satisfeita com a nossa vida sexual. Tentamos durante anos resolver as coisas, mas no final das contas vai ser melhor para ambos seguirmos em frente.
E só de um ano pra cá eu comecei a cogitar que eu esteja em algum lugar dentro do espectro ace. Mas sempre que eu leio a respeito fico com mais dúvidas. Por isso vim parar aqui no fórum.

Quando adolescente, eu me masturbava naturalmente como a maioria dos meninos dessa idade. Mas hoje vejo que não era exatamente igual. Quando os colegas começaram a ir a festas, beber, ir atrás de sexo, eu estava apaixonado por uma coleguinha da sala e só queria saber disso. No campo romântico eu sempre fui muito intenso, tenho dificuldade de me apaixonar por alguém, mas quando acontece eu fico anos, mesmo que não dê certo. Então depois que saí do colégio tive duas longas paixões. Ambas as garotas não se interessaram, mas eu permaneci apaixonado e sonhando que aquilo pudesse mudar. E foi assim que eu cheguei aos 30 anos sem nunca ter estado em um relacionamento e, portanto, virgem.
Eu tinha muita vontade de ter relações sexuais, mas só queria se fosse com uma garota que eu gostasse (se não ficou claro, eu sou hétero-romântico). Então conheci uma que se interessou por mim e nós começamos a namorar à distância. Com pouco mais de um mês, marcamos de nos encontrar pessoalmente. Ela sabia que eu era virgem e ela tinha me anunciado gostar muito de sexo, já tinha passado por vários relacionamentos.
Nesse final de semana ficamos praticamente o tempo todo na cama. Eu queria demais aquilo ali. Porém, no meio do ato sexual eu perdia a ereção. Coloquei a culpa no nervosismo. Ela achou que eu pudesse ser homossexual, mas eu tinha certeza que não era. Fui a um urologista e não tinha nada de errado biologicamente, então entrei na terapia.
Mas logo tivemos outras questões a resolver e a terapia nunca chegou efetivamente a tratar a minha sexualidade. Eu mesmo achava se tratar de ansiedade e pressão por ela ter dito ser experiente e tal.
Aos poucos as coisas foram melhorando, e eu conseguia chegar ao orgasmo durante a relação sexual. Mas continuei tenso, e quando eu achava que estava começando a relaxar, ela veio me dizer que não estava satisfeita, que eu parecia não estar gostando, que fazia tudo sempre igual, etc.
Nós nos amávamos muito, então nos casamos mesmo assim, com a confiança de que poderíamos resolver essa dificuldade de acertar nosso compasso sexual. Mas isso nunca aconteceu. A atividade sexual foi diminuindo e até que em uma das últimas vezes ela parecia ter gostado, mas não foi o bastante, e logo estávamos vivendo como dois amigos, o que pra ela não era suficiente. E, na verdade, nem pra mim, porque deixamos de nos beijar, de ficar juntinhos, e essas coisas eu definitivamente queria. Enfim, a separação vai ser bom para ambos e continuaremos amigos.
Sobre outras questões da sexualidade, eu me excito ao ver corpos de mulheres nuas e ao ver pornografia (embora, como vi em outro post aqui, goste mais das preliminares do que do ato em si). Na hora da masturbação, é mais natural pra mim fantasiar na minha cabeça uma cena com pessoas desconhecidas. Não só tenho dificuldade de me ver na cena, mas também as garotas por quem me interesso.
Talvez eu seja fray? Numa relação sexual com uma garota desconhecida, pode ser que eu aproveite melhor do que com uma com quem estou envolvido romanticamente?
Será que eu fiquei com alguma espécie de trauma? Hoje só de pensar em entrar numa nova relação eu já fico muito ansioso. Eu falo isso na terapia, mas a terapeuta disse que eu tenho que experimentar. Só que não sei bem como experimentar. Eu sou tímido, não é natural pra mim ir a, sei lá, um bar e conhecer uma garota e sair dali com ela pro motel, sabe? Isso não faz o menor sentido pra mim. Tentei recentemente entrar em aplicativos, mas as garotas que apareceram queriam algo sério e acharam que eu primeiro devia encerrar as coisas direito com a minha (ex-) esposa, porque ainda estamos morando sob o mesmo teto, é um ap comprado e vamos vender antes de cada um ir pro seu lugar.
E agora estou de papo com uma garota por quem eu já tinha um crush e ela por mim, e ela veio atrás quando soube que eu estava me separando. Mas ela é super alo e eu já contei que provavelmente eu esteja em algum lugar do espectro ace. Ela mora em SP, e eu em Brasília, e tenho muita vontade de ir lá conhecê-la, ver se rola química e tal, mas ao mesmo tempo me aterrorizo de pensar na possibilidade de sexo. E não é medo do ato em si, pelo contrário, eu queria praticá-lo, é ansiedade e, sobretudo, insegurança. Será que eu conseguiria ter uma relação não-monogâmica, por exemplo?

Enfim, gente, desculpem o textão, eu resumi o que deu, hahaha. Foi essa crush que sugeriu que eu entrasse em comunidades ace para conversar com as pessoas e tentar me descobrir. Obrigado de antemão pelas respostas. sorrindo
Estou numa situação parecida com a sua e me identifiquei muito com o seu relato.
Fui apaixonado por uma colega da escola dos 15 aos 18 anos. Não queria ficar com ninguém só com ela e acabei todo esse período sem beijar na boca. Depois fiquei com uma pessoa que acabei casando. Depois de um tempo eu não tinha vontade de transar e nem sabia lidar no relacionamento (dificuldade de convivência e inexperiência). Acabou em divórcio.
Fiquei solteiro e totalmente perdido já que nunca soube flertar, ficar com desconhecidas e nem nada e foi terrível e angustiante.
Eu gosto de carinho e proximidade mas não de relacionar sexualmente só em contextos bem específicos pois não me sinto a vontade.
Enfim logo em seguida casei novamente com outra pessoa e temos total distância sexual, basicamente somos amigos que moram juntos.
Como ela é fria não gosta de beijo e de abraço e eu não gosto de sexo a gente é distante nesse sentido mas como ela não me cobra por sexo então eu vou levando e acabei me acostumando.
Hoje em dia eu nem sei me definir pois faz anos que não faço sexo e não tenho vontade alguma nem com ela e nem com ninguém.
Meu maior medo é de um dia ficar sozinho e ter que me relacionar com alguém ou ser cobrado por sexo por uma parceira.
A minha psicóloga diz que eu sou dependente emocional da minha esposa e acho que ela tem razão...
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MensagemAssunto: Re: Senta que lá vem história   Senta que lá vem história Empty11/1/2022, 17:56

O_Bala escreveu:
tocadolobo escreveu:
Então, eu espero que vocês não tenham receio de textão, porque eu queria narrar um pouco da minha história com a sexualidade para ver se vocês que entendem mais do assunto me ajudam, hehehe.

Eu tenho 38 anos e estou saindo de um casamento de 8 anos justamente porque minha esposa não era satisfeita com a nossa vida sexual. Tentamos durante anos resolver as coisas, mas no final das contas vai ser melhor para ambos seguirmos em frente.
E só de um ano pra cá eu comecei a cogitar que eu esteja em algum lugar dentro do espectro ace. Mas sempre que eu leio a respeito fico com mais dúvidas. Por isso vim parar aqui no fórum.

Quando adolescente, eu me masturbava naturalmente como a maioria dos meninos dessa idade. Mas hoje vejo que não era exatamente igual. Quando os colegas começaram a ir a festas, beber, ir atrás de sexo, eu estava apaixonado por uma coleguinha da sala e só queria saber disso. No campo romântico eu sempre fui muito intenso, tenho dificuldade de me apaixonar por alguém, mas quando acontece eu fico anos, mesmo que não dê certo. Então depois que saí do colégio tive duas longas paixões. Ambas as garotas não se interessaram, mas eu permaneci apaixonado e sonhando que aquilo pudesse mudar. E foi assim que eu cheguei aos 30 anos sem nunca ter estado em um relacionamento e, portanto, virgem.
Eu tinha muita vontade de ter relações sexuais, mas só queria se fosse com uma garota que eu gostasse (se não ficou claro, eu sou hétero-romântico). Então conheci uma que se interessou por mim e nós começamos a namorar à distância. Com pouco mais de um mês, marcamos de nos encontrar pessoalmente. Ela sabia que eu era virgem e ela tinha me anunciado gostar muito de sexo, já tinha passado por vários relacionamentos.
Nesse final de semana ficamos praticamente o tempo todo na cama. Eu queria demais aquilo ali. Porém, no meio do ato sexual eu perdia a ereção. Coloquei a culpa no nervosismo. Ela achou que eu pudesse ser homossexual, mas eu tinha certeza que não era. Fui a um urologista e não tinha nada de errado biologicamente, então entrei na terapia.
Mas logo tivemos outras questões a resolver e a terapia nunca chegou efetivamente a tratar a minha sexualidade. Eu mesmo achava se tratar de ansiedade e pressão por ela ter dito ser experiente e tal.
Aos poucos as coisas foram melhorando, e eu conseguia chegar ao orgasmo durante a relação sexual. Mas continuei tenso, e quando eu achava que estava começando a relaxar, ela veio me dizer que não estava satisfeita, que eu parecia não estar gostando, que fazia tudo sempre igual, etc.
Nós nos amávamos muito, então nos casamos mesmo assim, com a confiança de que poderíamos resolver essa dificuldade de acertar nosso compasso sexual. Mas isso nunca aconteceu. A atividade sexual foi diminuindo e até que em uma das últimas vezes ela parecia ter gostado, mas não foi o bastante, e logo estávamos vivendo como dois amigos, o que pra ela não era suficiente. E, na verdade, nem pra mim, porque deixamos de nos beijar, de ficar juntinhos, e essas coisas eu definitivamente queria. Enfim, a separação vai ser bom para ambos e continuaremos amigos.
Sobre outras questões da sexualidade, eu me excito ao ver corpos de mulheres nuas e ao ver pornografia (embora, como vi em outro post aqui, goste mais das preliminares do que do ato em si). Na hora da masturbação, é mais natural pra mim fantasiar na minha cabeça uma cena com pessoas desconhecidas. Não só tenho dificuldade de me ver na cena, mas também as garotas por quem me interesso.
Talvez eu seja fray? Numa relação sexual com uma garota desconhecida, pode ser que eu aproveite melhor do que com uma com quem estou envolvido romanticamente?
Será que eu fiquei com alguma espécie de trauma? Hoje só de pensar em entrar numa nova relação eu já fico muito ansioso. Eu falo isso na terapia, mas a terapeuta disse que eu tenho que experimentar. Só que não sei bem como experimentar. Eu sou tímido, não é natural pra mim ir a, sei lá, um bar e conhecer uma garota e sair dali com ela pro motel, sabe? Isso não faz o menor sentido pra mim. Tentei recentemente entrar em aplicativos, mas as garotas que apareceram queriam algo sério e acharam que eu primeiro devia encerrar as coisas direito com a minha (ex-) esposa, porque ainda estamos morando sob o mesmo teto, é um ap comprado e vamos vender antes de cada um ir pro seu lugar.
E agora estou de papo com uma garota por quem eu já tinha um crush e ela por mim, e ela veio atrás quando soube que eu estava me separando. Mas ela é super alo e eu já contei que provavelmente eu esteja em algum lugar do espectro ace. Ela mora em SP, e eu em Brasília, e tenho muita vontade de ir lá conhecê-la, ver se rola química e tal, mas ao mesmo tempo me aterrorizo de pensar na possibilidade de sexo. E não é medo do ato em si, pelo contrário, eu queria praticá-lo, é ansiedade e, sobretudo, insegurança. Será que eu conseguiria ter uma relação não-monogâmica, por exemplo?

Enfim, gente, desculpem o textão, eu resumi o que deu, hahaha. Foi essa crush que sugeriu que eu entrasse em comunidades ace para conversar com as pessoas e tentar me descobrir. Obrigado de antemão pelas respostas. sorrindo
Estou numa situação parecida com a sua e me identifiquei muito com o seu relato.
Fui apaixonado por uma colega da escola dos 15 aos 18 anos. Não queria ficar com ninguém só com ela e acabei todo esse período sem beijar na boca. Depois fiquei com uma pessoa que acabei casando. Depois de um tempo eu não tinha vontade de transar e nem sabia lidar no relacionamento (dificuldade de convivência e inexperiência). Acabou em divórcio.
Fiquei solteiro e totalmente perdido já que nunca soube flertar, ficar com desconhecidas e nem nada e foi terrível e angustiante.
Eu gosto de carinho e proximidade mas não de relacionar sexualmente só em contextos bem específicos pois não me sinto a vontade.
Enfim logo em seguida casei novamente com outra pessoa e temos total distância sexual, basicamente somos amigos que moram juntos.
Como ela é fria não gosta de beijo e de abraço e eu não gosto de sexo a gente é distante nesse sentido mas como ela não me cobra por sexo então eu vou levando e acabei me acostumando.
Hoje em dia eu nem sei me definir pois faz anos que não faço sexo e não tenho vontade alguma nem com ela e nem com ninguém.
Meu maior medo é de um dia ficar sozinho e ter que me relacionar com alguém ou ser cobrado por sexo por uma parceira.
A minha psicóloga diz que eu sou dependente emocional da minha esposa e acho que ela tem razão...

Realmente há uma identificação. Eu também tinha dependência emocional da minha esposa, inclusive, e também foi apontado pela minha psicóloga. Eu acho que vale a reflexão sobre se você está feliz dessa forma, nesse relacionamento. E às vezes a sua esposa também pode não ser feliz. Eu estava acomodado no meu casamento. Gosto muito dela, vivíamos numa harmonia imensa e era muito bom ter companhia para fazer coisas simples como ver uma série ou ir a um café. Mas, se da parte dela havia a falta do sexo, eu sentia falta de carinho, de ficar mais junto (e nos últimos anos já não tinha isso, no máximo pegar na mão ao andar), e também vivia em dependência completa emocionalmente dela, sem minha identidade própria. Tanto que quando caiu minha ficha de que íamos acabar de vez, eu fiquei alguns dias completamente sem chão, porque não enxergava nada na minha vida que não fosse ela. Mas tudo passa, e o pior desse período já passou.
Vale você avaliar, mas se estiver tudo bem assim, então ótimo. sorrindo
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