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 Brincadeira: inventar história 1

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Alicy
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MensagemAssunto: Brincadeira: inventar história 1   19/6/2017, 00:44

Oi! Eu queria fazer uma espécie de brincadeira: inventar histórias. Assim: eu começo criando uma história, e aí qualquer pessoa a continua, e assim vai, à medida que as pessoas vão postando. A única regra é que uma mesma pessoa não pode postar novamente até que outras cinco pessoas tenham postado, a menos que o tópico passe um mês sem novas postagens. Então, vou começar:

[créditos à DC Comics]

Até o dia do ataque, Elisabeth Morel achava ser uma garota normal.
Estava acostumada a viver no mar. Passava o dia todo naquele navio, junto com o pai, um biólogo marinho, e alguns outros cientistas. Mas não daquele jeito.
O dia começou normal como qualquer outro: o capitão comandando o navio, os biólogos analisando criaturas marinhas, mergulhando, voltando, classificando e todas aquelas coisas que biólogos fazem, e Martin, filho do Régio e o único outro adolescente a bordo, dando em cima da garota.
- E aí, Lisa? Tem certeza que não é uma sereia? Com esse corpão, como você pode não ter saído do mar?
Martin não era o garoto mais belo do mundo. Rosto assimétrico, dentes tortos, cheio de espinhas, rechonchudo. Parecia ter um sorriso bobo permanente na cara. A aparência não incomodaria Elisabeth, se não fosse por sua insistência em assediá-la, todos os dias. Ela não se sentia nenhum pouco a vontade, nem quando ele dava uma simples cantada, nem quando convidava para fazer... bem, aquilo que pessoas supostamente juntas faziam durante as noites românticas. Elisabeth não sentia vontade, nunca sentiu, e nunca se sentiu atraída por ele. Nem por ninguém, mesmo tendo dezoito anos.
- Você devia dar uma chance para ele - dizia seu pai. - Você deveria dar uma chance para alguém. Você é bonita, afinal de contas.
Elisabeth não concordava, mas segundo os padrões, seria mesmo bonita. Possuía cabelos dourados compridos e ondulados, rosto simétrico, pele clara e olhos lilases. Mas, mesmo assim, não concordava com padrões.
- Pai - disse ela -, você sabe que isso é estúpido.
Seu pai deu um sorriso contido.
- Já pensou em sair desse navio e tentar morar em uma cidade, ou algo assim?
Elisabeth suspirou.
- Para onde eu vou ir? - disse ela.
Seu pai deu um sorriso.
- Não importa. O que importa é que você consiga um lugar.
Ele sempre era assim. Tentava confortá-la o tempo todo, deixá-la feliz. Era o típico pai companheiro. Quer dizer, ela gostava quando os dois se sentavam juntos e liam sobre as criaturas mais bizarras do fundo do oceano, mas ela simplesmente queria que ele parasse de dar conselhos. Só um pouquinho.
Martin ainda estava com aquele sorriso bobo na cara.
- Oras - disse ele. - Eu sei que você gosta de mim.
- Vai embora - protestou Elisabeth.
E então veio o ataque.
O navio oscilou. Som de bombas sendo disparadas. Estouros em todas as direções. E então do mar emergiu um exército de homens e mulheres em armaduras douradas e prateadas estranhas, como aquelas encontradas em ficção científica.
Um deles, de armadura prateada e que parecia mais velho, pulou no navio. Elisabeth ficou com medo, pensando em chamar o capitão, mas ele já seguia para o interior da cabine, onde estava seu pai. Ele pegou o velho pela gola da camisa e perguntou:
- Onde está o artefato?
O sr. Morel sacudiu a cabeça, alarmado.
- Não sei do que está falando.
Elisabeth correu até o seu pai, tentando agarrar o estranho.
- Solta meu pai!
O soldado prateado lhe deu uma braçada na cara, o que a fez tombar no chão. Ela não sabia que uma pessoa seria capaz de uma braçada tão forte.
O mundo girou. A borda de sua visão escureceu. De repente a única coisa que via era o teto da cabine e rosto do estranho, um sorriso de escárnio.
- Ora, ora - disse ele -, temos uma feiticeira. Não sabia que ainda haviam algum de vocês por aqui.
Elisabeth gemeu.
- Não sou uma feiticeira! - protestou ela. - Sou só uma garota normal. Não sei do que você está falando.
Ele riu.
- E tão presunçosa. Você nem deveria estar aqui. Vai para o campo de concentração, onde é o seu lugar.
- Fique longe da minha filha! - protestou o Sr. Morel.
O soldado prateado dirigiu um sorriso a ele.
- Ora, está com medo de levarmos a aberração? - caçoou ele. - Pois escolha, humano. A aberração, ou o artefato?
O pai de Elisabeth parecia assustado. Não sabia o que dizer. O tal artefato parecia importante. Mas ele a amava. Ela sabia disso.
Ele se virou para a garota, e disse silenciosamente: fuja.
E Elisabeth entrou ação. Ela se levantou, deu um chute na canela do inimigo com uma força que não sabia que era capaz, e que aparentemente lhe causou bastante dor, pois ele se agachou e agarrou o tornozelo. E então se virou, saiu da cabine, empurrou uns outros dois guardas no caminho, depois empurrou mais um quatro, correu até a amurada e saltou no oceano. Ela não sabia por que fez isso. Só sabia que algo dentro de si pulsava, assegurando que fazer isso era seguro, que nada de ruim iria acontecer. Quando caiu na água, só sentiu uma cosquinha no corpo e um "ventinho" frio. Ela nadou para longe, embaixo d´água, com uma velocidade que não sabia que era capaz.
Só depois de uns vinte metros perceberia que estava, literalmente e naturalmente, respirando embaixo d´água.



(Ok, isso ficou meio loooongo, mas eu sou perfeccionista e gosto de histórias bem escritas se bem que isso ficou muito breve, tipo uma crônica né. Enfim, fiquem à vontade para continuar!)
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Fujoshi
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MensagemAssunto: Re: Brincadeira: inventar história 1   19/6/2017, 01:43

Aquilo não estava acontecendo, só podia ser um sonho... Pessoas não devem respirar debaixo d'água, exércitos estranhos não surgem do nada de dentro do mar. Sim, era definitivamente um sonho.
Mas então por que ela não conseguia acordar?

Elisabeth parou de nadar e subiu até a superfície, não conseguindo organizar direito os seus pensamentos.
Assim que ela saiu da água, respirou fundo, mas não estava sem fôlego, o que mostrava que ela ainda não havia acordado - ela insistia para si mesma que era um sonho, por mais que tudo nela gritasse que não era.
Virou-se para trás e se surpreendeu com a distância que havia nadado, o navio estava muito pequeno e longe, e ela podia vê-lo desaparecer debaixo da água.

- Não! - Exclamou ao ver o navio afundar rapidamente, então ela fechou os olhos com força. - Eu não quero isso. Acorde! - Ela abriu os olhos logo depois, só para notar em desespero que nada à sua volta havia mudado. - Não, não. Acorde! Acorde! Por que não consigo acordar?! - "Porque não é um sonho..." sua mente lhe sussurrou.

Mas ela não queria acreditar naquilo, não queria acreditar que seu pai estava afundando agora junto com aquilo navio para uma morte inescapável.
Então ela lembrou-se do soldado.

O soldado queria algo de seu pai, então talvez ele não tivesse deixado-o morrer, mas as chances disso ter acontecido eram mínimas.
Ela deveria voltar? Seu pai havia deixado claro que queria que ela fugisse. Além disso, aquele soldado lhe chamou de feiticeira e ameaçou lhe levar. Mas ela não era feiticeira, não tinha como ela ser... Talvez se ele percebesse isso, ele os deixassem ir.
Esse pensamento pareceu uma grande piada, ela sabia que aquilo definitivamente não ia acontecer.


Elisabeth levou a mão ao rosto e o segurou, respirando fundo e tentando clarear sua mente tão confusa. Ela estava com medo, ela estava nervosa e ela estava perdida. O que deveria fazer? O que podia fazer?

Olhou em volta outra vez, vendo que se encontrava no meio do mar, sem nenhuma pista de para onde ir ou de onde estava, e o seu navio terminando de desaparecer na água escura do oceano.

Se desesperou. Aquele navio era a única coisa que podia ver, e era onde seu pai e todos os outros estavam. Ela não podia deixar aquilo afundar e se perder na correnteza. Voltar parecia ser sua única opção.
Então era isso que faria.

Decidida, soltou seu rosto, respirou fundo e fechou os olhos antes de mergulhar outra vez. Assim que sua cabeça afundou, ela abriu os olhos.
Ela havia respirado em baixo d'água há poucos minutos, mas ela não sabia como havia feito aquilo, ou mesmo se havia realmente feito aquilo. Temerosa, soltou sua respiração lentamente, e então inspirou um pouco, esperando a água entrar em seu nariz e ela começar a sufocar (o que seria o lógico de acontecer), mas ao invés disso, ela sentiu algo gelado invadir seu peito e um arrepio percorrer sua espinha. Foi uma sensação incrível, nunca se sentiu tão bem apenas por respirar.

Elisabeth respirou a água mais algumas vezes, então finalmente olhou para a frente e começou a nadar. Outra vez, ela se surpreendeu com a própria velocidade, ela parecia se deslocar tão naturalmente que era como se não houvesse nada ao seu redor. Ela pensava cada vez mais em chegar logo ao navio, depositando todas as suas esperanças nessa única e minúscula chance, a adrenalina parecia correr em suas veias e a impulsionar cada vez mais rápido.

Então, de repente, algo puxou seu braço e ela viu seu corpo ricochetar na água, parando de uma só vez. A primeira coisa que percebeu, foi que havia uma mão em volta do seu pulso. Virou-se rapidamente para ver quem era, mas antes que pudesse sequer olhar a pessoa, duas mãos envolveram seu rosto, tapando seus olhos, nariz e boca.
Elisabeth se debateu, mas não conseguiu se soltar. Então ela impulsionou seu pé e chutou na direção do seu braço, ouvindo uma exclamação de dor e tendo seu pulso solto. Mas assim que ia atacar a pessoa atrás de si, ela sentiu um choque em suas costas e seu corpo perdeu as forças, e em menos de 3 segundos, ela perdeu a consciência.



Adorei sua ideia, está aí minha continuação, espero ter ficado legal kkkk Bem, agora é esperar mais 5 pessoas ou então um mês para escrever de novo. Continuem pessoas, estou curiosa para saber como a história vai ficar  língua
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MensagemAssunto: Re: Brincadeira: inventar história 1   19/6/2017, 20:05

Quando Elisabeth acordou, se viu em um lugar escuro. Tateou as coisas ao redor e percebeu que estava deitada em uma cama de pedra. levantou-se e explorou a área. Estava dentro de uma cela.
Vários pensamentos povoavam a cabeça da jovem garota. Não conseguia mais definir o que era realidade. Se torturou com pensamentos dentro daquela cela por um tempo indeterminado. Não tinha nenhum relógio e a luz do sol ou da lua não chegava naquele cubículo fechado.
Escuridão total. Silêncio total. Elisabeth já não sabia mais se estava viva. Duvidava de tudo o que havia acontecido desde a invasão do navio. Duvidava de tudo o que aconteceu na sua vida desde que nasceu. Já não tinha certeza de nada.

Teria ela sequer existido?
improvável.

Quando o desespero já tinha quase tomado completamente o seu ser um som pode ser ouvido.

Era uma voz?
Não.
Eram várias.

diziam algo?
Não.
Apenas gritavam.

Finalmente as luzes se acenderam. Ela realmente estava em uma cela, por entre as grades, conseguia ver mais coisas. O mundo havia se expandido e surgiram algumas certezas. Poucas, mas o suficiente para manter a sanidade.
Os gritos voltarão e lhe arrancaram a pequena gota de alegria que havia surgido com o acender das luzes. A sua frente conseguia ver um chão de madeira e abaixo dele havia agua. Estava em um porto. Aqueles que gritavam eram homens de armadura. Como aqueles que haviam atacado o seu navio. Eles passavam correndo em frente a sua cela.

Mas do que fugiam?  

Sua resposta foi obtida quando um vulto escuro emergiu rapidamente da agua, se agarrou as costas de um dos soldados e lhe desferiu um seria de facadas na cabeça, em seguida, mergulhou novamente. Foi tudo tão rápido que os outros soldados não conseguiram esboçar nenhum tipo de reação. O cadáver do soldado caiu em frente a sua cela. Permitindo que ela pudesse ver o rosto desfigurado do infeliz.

O massacre continuou. Seu campo de visão era muito pequeno. Só podia escutar gritos e tiros. Depois de um tempo tudo caiu de volta ao silêncio.

O que será que aconteceu?
Vieram me resgatar?
impossível.

O vulto escuro emergiu mais uma vez dentro do seu campo de visão e começou a se aproximar. Parecia e não parecia humano. Assustada Elisabeth decidiu gritar:

- Quem é você?

O vulto continuou em silêncio enquanto se aproximava. Agora era possível definir o que era. Uma roupa de mergulho. O responsável pelo massacre estava dentro de uma roupa de mergulho.

Será que ele pretende me matar?
Ou veio me resgatar?

A garota estava com medo. As grades que, antes, representavam sua prisão, agora, eram a única coisa que a mantinha a salvo do assassino.

Ele continuou se aproximando, encostou nas grades, e se espremeu por entre elas, apesar de ser bem maior do que o espaço que havia disponível.

Ele estava comigo agora. Dentro da cela. Tentei chuta-lo como havia feito com o soldado, mas o seu corpo era estranhamente escorregadio. Acabei me desequilibrando e cai no chão.

O mergulhador estendeu a mão e me ajudou a me levantar.
Eu estava segura?
Ele colocou gentilmente a mão no meu pescoço e foi movendo-a até chegar a parte de trás da minha cabeça.
A ultima coisa que me lembro era a parede se aproximando cada vez mais do meu rosto.

Não haviam duvidas.
O mergulhador empurrou minha cabeça contra a parede.

Perdi a consciência.

Elizabeth acordou novamente. Já não aguentava mais desmaiar. Desta vez estava deitada em uma cama de verdade. percebeu que estava em um quarto desconhecido. Encontrou um espelho na parede e, depois de tanto tempo, pode ver seu rosto. Seu nariz estava quebrado com a ponta torta para direita e seu incisivo superior direito estava quebrado.

Infelizmente a garota não teve tempo de se preocupar com isso, pois a maçaneta do quarto acabara de ser aberta.

OBS 1: Escrever da um trabalho absurdo.
OBS 2: Peço perdão se tiver algum erro de coesão ou coerência no meu trabalho. fiquei com preguiça de corrigir.
OBS 3: Essa brincadeira foi uma ótima ideia. Parabéns por ter pensado nisso.
OBS 4: Desculpe se eu estraguei a história de alguém.
OBS 5: Se alguém estranhou a mudança de narração repentina de terceira pessoa para primeira. Existe um nome para isso, mas não me lembro dele. Basicamente é uma técnica pra  forçar o leitor a se colocar no lugar do personagem durante momentos de muita tensão. (Não sei se fiz certo, Mas o que ta feito ta feito)
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Alicy
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MensagemAssunto: Re: Brincadeira: inventar história 1   16/8/2017, 21:11

Já se passou mais de um mês e meio e ninguém continuou a história LOL' (Bem, eu podia ter continuado, mas não fiquei com vontade :/) Acho que vou mudar as regras: ao invés de um mês, quinze dias. Ao invés de outras cinco pessoas, somente outras duas. Logo, haverá alternância de três em três pessoas. A menos que alguém mais apareça, logo vamos fazer uma alternância de quatro em quatro, cinco em cinco, assim vai. Assim vai ficar uma brincadeira cíclica, como se estivéssemos reunidos em uma rodinha lol' Acho que assim fica melhor. Então, aqui está minha continuação:



Elisabeth deu um pulo, imediatamente ficando alerta, preparada para qualquer ataque. No entanto, uma voz masculina disse:

- Não tenha medo. Não estou aqui para machucar você.

Claro, você me machucou, pensou ela, mas se manteve de boca fechada.

Um homem entrou no quarto. Ainda estava usando a roupa de mergulho, mas sua cabeça estava exposta. Tinha a cabeça careca e pele escura, com cicatrizes atravessando o rosto, como se um tigre tivesse atravessado a garra em seu rosto.

Ele examinou a garota. Ela se sentiu envergonhada. Não gostava de se sentir observada. Além do mais, ainda estava irritada por aquele estranho tê-la machucado.

- O que você quer? - perguntou ela o mais suavemente possível, tentando conter a irritação. - Por que me machucou?

O homem deu um leve sorriso.

- Não posso negar que essas são boas perguntas. Quanto ao fato de te machucar... lamento. Tive de tomar medidas drásticas.

- Mas não precisava me machucar.

- Se eu não agisse rápido, você provavelmente não concordaria em vir até aqui. Provavelmente fugiria. Ou lutaria. Claro que seria uma luta bem interessante, mas não estou disposto a lutar.

A mente de Elisabeth se encheu com tantas perguntas que ela não sabia por onde começar.

- Aqui onde? E o que você quer dizer com luta interessante? Eu nem sei lutar! Nem sou tão forte!

O homem riu.

- Você não sabe, não é mesmo?

A moça ficou confusa.

- Não sei... do quê?

- Oras, é por isso que eu não gosto da sociedade, seja ela de Atlântida ou do mundo da superfície. Todos são cretinos e sempre escondem a verdade. Você, é claro, é uma feiticeira.

- Já me falaram isso - disse Elisabeth secamente, embora no fundo esteja ainda mais confusa. Atlântida? A dos mitos gregos e das histórias infantis? Aquela cidade subaquática habitada por sereias e peixes falantes que sempre aparece em desenho animado?

- Não estou dizendo uma feiticeira qualquer - explicou o homem rapidamente. - Olhe seu cabelo dourado. Seus olhos lilases. Eu sou um pesquisador da vida aquática há anos. Os dados não mentem. Você é uma feiticeira de Atlântida. Uma descendente direta dos antigos senhores.

Elisabeth não disse nada por um momento. As coisas estavam muito confusas.

Quer dizer, quando era mais nova, seu pai às vezes contava histórias de ninar sobre feiticeiros... Monges do mar que lutavam com espadas douradas brilhantes e podiam falar com as criaturas marinhas. Ela adorava ouvir aquelas histórias, mas, ao crescer, sempre pensara que eram todas inventadas. Sonhos de um biólogo marinho fã de Star Wars que queria ser escritor.

Agora ela pôde ver um exército inteiro surgir do mar e emboscar seu pai. Agora ela pôde se ver respirando embaixo d'água, como se a água fosse ar. Agora aquele homem estranho estava ali na sua frente, dizendo que todas aquelas histórias eram... verdade.

O que fez ocorrer outro pensamento: será que esse homem conhece meu pai? Será que ele me conhece?

Afinal, o que houve com o seu pai? O pensamento a afligiu. Será que ele estava bem?

- Não sei se eu acredito em você - disse ela (embora no fundo acreditasse) -, mas preciso que me diga: onde estou? E onde está meu pai?

O homem deu aquele meio sorriso característico, que o deixa assustador.

- Sobre seu pai, eu não tenho a mínima ideia - disse ele. - Mas eu posso te mostrar onde estamos. Venha.
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Karine
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MensagemAssunto: Re: Brincadeira: inventar história 1   17/8/2017, 00:52

Quando o homem lhe estendeu a mão, ela não sabia muito bem se aceitava o convite. Não sabia se podia confiar em si mesma, afinal depois de tudo o que aconteceu, seria possível Papai Noel existir? Enfim, nada disso importava já que seu pai estava em apuros. Ela devia sair daquele quarto. Segurou a mão do mergulhador e ele a puxou para que levantasse. Os músculos da sua perna esticaram numa fisgada, ela não estava acostumada a tantas aventuras assim.

Ela abriu a porta e andaram por um corredor muito iluminado. No fim dele, ela podia ver alguns vultos, mas não sabia dizer muito bem o que eram. Seu nariz formigava,mas ela não ousava mexer já que ele estava na posição errada:

-Ei, antes você podia me levar pra a enfermaria ,não é mesmo? Aqui tem uma?

-É o que eu estou fazendo.-e assim que ele disse isso, o corredor acabou e estavam ao ar livre.

Um ar livre bem diferente do que ela tinha imaginado. As pessoas andavam rápidas e ocupadas e ignoravam todo o cenário em volta: estavam dentro de uma enorme redoma de vidro, como um globo de cristal. Dava para ver os peixes rondando esbeltos o local, baleias enormes e inúmeros cardumes rodopiando no azul infinito.

A cidade consistia em um plano cheio de prédios brancos e cinzas, mas não muito altos a ponto de tocar o teto da redoma.  Elisabeth olhava tudo de boca aberta, e nem conseguiu falar mais nada. Aquilo tudo era surreal.
Entraram no primeiro prédio, e logo encontraram uma mulher toda de branco, luvas e cabelos encaracolados:

-Meu Deus, você precisa de um curativo. Seu nariz...

- Isso que eu ia dizer. –o mergulhador disse –Eu trouxe ela aqui justamente pra isso.

-On... onde é que eu estou?  -Elisabeth gaguejou alheia a conversa dos dois.

- Poxa, Cillas, o que está acontecendo?  Você nem explicou sobre a nossa base? – a mulher disse enquanto examinava o nariz torto.

- Nem deu tempo, vocês são muito apressadinhas.-ele disse enquanto a mulher aplicava alguma substância pegajosa no nariz da menina.

- Enfim, eu sou Maia e sou a diretora da base hospitalar da Aquapólis. Eu vou dar um jeito nesse seu nariz....  –ela disse e crack, botou o nariz no lugar num instantinho.  

Elisabeth soltou um gritinho , mas foi mais de susto que dor. Ficou apalpando o próprio nariz estupefata: estava no lugar certo!

-Esse anestesiante é ótimo. –Maia tirou a substância pegajosa do nariz da garota.

- Aquapólis? – Elisabeth voltou ao que importava num estalo - É uma cidade tipo a Atlântida?

-Não, Atlantida é bem melhor. Mas aqui a gente não precisa usar o traje de mergulhador todo o tempo. – Cillas, o seu resgatador disse .

- E por que vocês me resgataram?

- Garota, em que mundo você vive? –mas como ela não respondeu ,ele continuou -Precisamos de uma feiticeira, não é mesmo? Com tudo o que anda acontecendo.

- E o que anda acontecendo?

Maia e Cillas se entreolharam confusos, depois Maia começou a explicar:

- A guerra. Atlantida tem um novo governante e ele resolveu que quer acabar com os humanos. Onde você mora não tem jornal?

- É verdade- complementou Cilas-  onde você estava todo esse tempo?

- No barco do meu pai.

- Barco?  -Maia colocou as sobrancelhas no teto da testa

- Com humanos?  -Cillas fez o mesmo.

-É!

Os dois se olharam novamente em silêncio.

-Então você aprendeu os feitiços e sei lá mais o quê com quem?

-Eu não sou feiticeira! Eu não sei fazer feitiço nenhum!

Foi aí que os dois começaram a rir, depois a ficarem sérios e finalmente ficaram com os rostos tão duros quanto duas pedras. Cilas pegou em minha mão e respirou fundo:

-Pare de brincar, porque precisamos mesmo de sua ajuda. Estamos em guerra, você ouviu?


Gente, que brincadeira demais! Espero que não tenha ficado tão ruim a minha parte
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Fujoshi
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MensagemAssunto: Re: Brincadeira: inventar história 1   18/8/2017, 00:03

Aquilo estava ficando cada vez mais estranho, antes mesmo que pudesse processar uma informação, surgiam mais e mais coisas para deixá-la confusa.

Como assim guerra? Como assim precisavam de sua ajuda? Ela era apenas uma garota comum há pouco tempo, e agora ela estava em uma cidade submersa ouvindo que era uma feiticeira e que estava tendo um guerra? Sinceramente, aquilo era tão irreal que ela resolveu deixar sua sanidade de lado.

Franziu a testa e os encarou.

- Tudo bem... - Começou, falando lentamente. - Aconteceram várias coisas hoje, e eu estou muito confusa com tudo isso, mas eu não sei de guerra nenhuma. - Ela respirou fundo. - Por mais que fiquem dizendo isso, eu não posso ajudar vocês, não sei nada sobre essas coisas de "Atlântida" ou de"Feiticeiros".

Maia a encarou, o olhar descrente em seu rosto deixava claro que não acreditava nela. Já Cillas lhe tinha uma expressão apreensiva no rosto.

- Olha, sei que é divertido fazer brincadeiras, mas tudo tem seu momento, e agora não é hora disso. - A mulher falou. - Nós tivemos trabalho para conseguir trazê-la aqui, e precisamos que você colabore.

Elisabeth piscou os olhos, chocada por não estarem levando-a a sério.

- Eu já disse, não sei de nada do que vocês estão falando! - Exclamou. - Não sei de guerra nenhuma, nem de feiticeiras, muito menos de cidades subaquáticas!

Maia já estava abrindo a boca para responder, quando Cillas fez um sinal com a mão, pedindo-a para esperar.

- Você tem certeza disso? - Elisabeth assentiu. - Então porque você estava presa?

- Eu não sei. - Rspondeu, impaciente.

Ele suspirou.

- Isso vai ser mais difícil do que eu pensei. - Resmungou.

Antes que ela pudesse dizer qualquer outra coisa, Cillas pegou em sua mão, resmungou uma despedida para Maia, e a carregou para fora daquele prédio com passos rápidos.

- Ei! - Ela exclamou, tentando soltar seu braço do aperto. - Por que está fazendo isso? Me solte.

- Não já disse que não irei machucá-la? Se acalme. - Ele respondeu. - Apenas venha comigo, temos coisas para fazer.

Elisabeth parou de caminhar e puxou seu braço, fazendo-o parar também.
Ela olhou em seus olhos, determinada.

- Me solte. - Pediu. - Agora.

Após encará-la por alguns segundos, ele suspirou e soltou seu braço.

- Ok, eu posso lhe soltar, mas preciso que você me siga.

- Só lhe seguirei se me der respostas. - Afirmou, cansada de não entender nada que estava acontecendo. - Eu não estou nada, quero fazer perguntas e quero receber respostas adequadas. Então só irei com você, se prometer me explicar tudo que está acontecendo.

- Muito bem. - Ele respondeu rapidamente, sem nem hesitar. - Eu prometo que lhe explicarei, assim que chegarmos. Você pode confiar em mim, não lhe farei mal.

- Não posso confiar em você, te conheci há apenas alguns minutos.

Ele balançou a cabeça, concordando.

- Bom ponto, isso é verdade. - Disse. - Mas, se você não vier comigo, o que irá fazer sozinha aqui?

Ela abriu a boca e tornou a fechá-la. Olhou em volta, notando todos aqueles prédios e pessoas estranhas, percebendo que ele tinha razão. Ela não tinha outra alternativa além de ir com ele... Mas isso não significava que ela seria descuidada.

- Para onde vamos? - Perguntou.

- Verá quando chegarmos. - Ele respondeu, virando-se e voltando a caminhar. - Há alguém que precisa vê-la.

Apesar de a resposta não ter lhe convencido, ela respirou fundo e o seguiu. Não tinha outras opções, então, ao menos, enfrentaria a situação com a cabeça erguida.

E apesar de toda aquela situação estranha, ela mantinha em sua mente: precisava resgatar o seu pai.
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MensagemAssunto: Re: Brincadeira: inventar história 1   18/8/2017, 05:25

Os dois andaram até chegar em um carro, um carro normal como aqueles que se viam em todas as cidades do planeta. Elizabeth achava estranho ver algo tão mundano no meio de tanta loucura. Cilas destrancou o veiculo, abriu a porta para ela e disse:

- Pode entrar.

A garota relutou, mas já havia decidido ir até o fim daquela loucura então não teve escolha a não ser obedecer.

- A viagem vai ser longa - Disse ele enquanto mexia no rádio -  Tem algum pedido? - Perguntou

-Não - Respondeu Elizabeth desconfortável com a situação

A viagem demorou muito ou, ao menos, pareceu demorar. As preocupações da sua cabeça somadas com a trilha sonora de clássicos do século passado não deixavam o tempo passar. Conforme andavam, a cidade bonita e animada ficava cada vez mais escura e deserta.
Quando o carro finalmente parou eles estavam em frente à uma casa pequena e acabada próxima da parede da redoma. Quando saíram do veículo Cilas falou:

- Essas pessoas são as que mais entendem de feiticeiros na cidade, se alguém puder nos ajudar serão eles.

Quando ele bateu na porta ouviu-se um grito que dizia:

- Pode deixar que eu atendo! - Seguidos de passos estrondosos em direção à porta.

 Uma garota de baixa estatura, pela pálida, cabelos dourados, olhos lilases e penetrantes e rosto pontudo os olhou de forma entediada e falou:

- Ah é você. O que foi?

O Péricles está? - perguntou Cilas

-Não, mas ele já deve chegar. Quem é essa banguela que te acompanha? - perguntou a garota

Elizabeth fez um som de indignação, mas foi ignorada pelos dois.

- Alguém que eu quero que seu pai examine, gostaria de confirmar se ela é uma feiticeira. - Disse Cilas

-Entrem - disse a garota.

Assim que os três chegaram na sala a garota começou a rodear Elizabeth com um olhar curioso.

O que foi?- exclamou Elizabeth nervosa com a situação.

A garota, como se nem a tivesse ouvido, se aproximou e colocou a mão em sua boca e disse:

- Não está crescendo de novo. Que estranho.

Elizabeth respondeu dando um tapa em sua mão. A garota a ignorou de novo. Colocou a mão em seu pescoço e disse:

- Não tem guelras.

- Dá pra parar - gritou Elizabeth

- Não faço ideia do que ela é. - Disse a garota para Cilas, ignorando Elizabeth uma ultima vez.  

Este, por sua vez, estava sentando em um sofá olhando para um garoto ao lado dele. Aquele conseguia ser mais estranho que a garota, olhava fixamente para o chão sem mover um músculo, poderia ser facilmente confundido com um boneco de cera se não piscasse de vez em quando. Era baixo, magro, cabeça raspada, nariz grande e pontudo e um rosto perturbadoramente simétrico. Ele apenas existia na sala, ignorando todos os estímulos do mundo exterior.

- Argo, eu já te falei pra não apavorar as visitas. Vai pra algum outro lugar - disse a garota      

O garoto acenou com a cabeça, se levantou e foi embora.

A garota então se virou para Elizabeth e falou:

-Ele deve chegar daqui a pouco, pode ficar a vontade.

Elizabeth estranhou a educação repentina da garota, mas aceitou o convite e se sentou.

Nesse momento a porta se abriu, Péricles finalmente estava chegando.
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MensagemAssunto: Re: Brincadeira: inventar história 1   18/8/2017, 09:23

Que legal, rodinha de quatro xD Acho que agora é minha deixa...



Elisabeth acompanhou com os olhos o homem entrando na casa.

O homem aparentava ter uns cinquenta anos de idade. Usava óculos de aro de metal, e seus cabelos impressionantemente brancos estavam presos em um coque. Suas vestes vermelhas e marrons eram antiquadas - vestimenta comum às pessoas mais velhas da estranha cidade, Elisabeth supôs.

- Cillas - disse o velho, ao notar o homem de roupa de mergulho sentado no sofá antiquado - que surpresa. - Seus olhos se voltaram para Elisabeth. - Vejo que encontrou uma feiticeira.

- Papai - disse a menina baixinha -, até que enfim! Estava demorando.

O velho suspirou.

- Peço desculpas pela... inconveniência de minha filha, Íris - disse Péricles. - Ela pode ser um pouco impertinente de vez em quando.

Ele se voltou para a Elisabeth.

- Minha cara, hã...

- Elisabeth - disse a garota.

- Elisabeth - repetiu Péricles. - Você parece confusa.

- Eu quero saber sobre o que é todo esse negócio de "feiticeira" - admitiu Elisabeth. - Sobre essa história de Atlântida, a guerra, toda essa coisa de ser descendente dos "antigos senhores" e tudo o mais.

Péricles observou a garota por um tempo, curiosa. Então perguntou:

- Você não sabe de nada?

Elisabeth sacudiu a cabeça.

- Nada.

- Ela foi criada por humanos - falou Cillas.

Íris torceu o nariz.

- Por humanos? - indagou ela. - Na superfície? Então não me admiro que ela tenha essa cara de tonta.

- Íris - advertiu Péricles -, menos.

A menina suspirou pesado e se sentou em um dos sofás.

O velho observou, com seu olhar curioso característico, Cillas e Elisabeth.

- Vamos nos sentando - convidou ele. - Precisamos conversar.

***

Elisabeth observou o ambiente. Ela não gostava de se concentrar nos detalhes, sendo uma pessoa ansiosa como era, mas ela não podia deixar de notas as particularidades daquele ambiente. Constatou que a pequena sala de estar parecia ser maior, pois seu formato redondo dava a ilusão de mais espaço. Notou o piso coberto de cerâmicas com desenhos estranhos - pareciam runas, ou alguma coisa assim. Notou as almofadas antiquadas rondando os sofás de crochê desgastados, a luminária de cristal cheia de ramificações com várias pontas quebradas, e as velhas cortinas que outrora foram suntuosas que cobriam as paredes. Havia uma grande abertura de vidro para a janela entre duas cortinas, e dali podia-se ver a cidade de Aquápolis, com seus prédios brancos e sua arquitetura ao mesmo tempo arcaica e futurista, com detalhes meio gregos, meio vitorianos e meio Star Wars.

- Íris, faça para nós um chá - pediu Péricles.

Íris se mexeu desconfortavelmente no sofá.

- Mas, pai...

- Íris, por favor.

A menina suspirou pesado e se levantou, e então foi para outro cômodo em passos pesados.

- Não precisamos de chá - disse Cillas.

Péricles sorriu.

- Não se preocupe, meu amigo - disse o velho. - Eu sei que você não gosta de chá. Mas talvez a nossa moça se sinta mais à vontade com um ambiente mais aconchegante.

Elisabeth também não gostava de chá, mas não falou nada. Queria logo as explicações.


Eu poderia continuar, mas fiquei sem inspiração língua
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