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 Brincadeira: inventar história 1

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Alicy
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MensagemAssunto: Brincadeira: inventar história 1   19/6/2017, 00:44

Oi! Eu queria fazer uma espécie de brincadeira: inventar histórias. Assim: eu começo criando uma história, e aí qualquer pessoa a continua, e assim vai, à medida que as pessoas vão postando. A única regra é que uma mesma pessoa não pode postar novamente até que outras cinco pessoas tenham postado, a menos que o tópico passe um mês sem novas postagens. Então, vou começar:

[créditos à DC Comics]

Até o dia do ataque, Elisabeth Morel achava ser uma garota normal.
Estava acostumada a viver no mar. Passava o dia todo naquele navio, junto com o pai, um biólogo marinho, e alguns outros cientistas. Mas não daquele jeito.
O dia começou normal como qualquer outro: o capitão comandando o navio, os biólogos analisando criaturas marinhas, mergulhando, voltando, classificando e todas aquelas coisas que biólogos fazem, e Martin, filho do Régio e o único outro adolescente a bordo, dando em cima da garota.
- E aí, Lisa? Tem certeza que não é uma sereia? Com esse corpão, como você pode não ter saído do mar?
Martin não era o garoto mais belo do mundo. Rosto assimétrico, dentes tortos, cheio de espinhas, rechonchudo. Parecia ter um sorriso bobo permanente na cara. A aparência não incomodaria Elisabeth, se não fosse por sua insistência em assediá-la, todos os dias. Ela não se sentia nenhum pouco a vontade, nem quando ele dava uma simples cantada, nem quando convidava para fazer... bem, aquilo que pessoas supostamente juntas faziam durante as noites românticas. Elisabeth não sentia vontade, nunca sentiu, e nunca se sentiu atraída por ele. Nem por ninguém, mesmo tendo dezoito anos.
- Você devia dar uma chance para ele - dizia seu pai. - Você deveria dar uma chance para alguém. Você é bonita, afinal de contas.
Elisabeth não concordava, mas segundo os padrões, seria mesmo bonita. Possuía cabelos dourados compridos e ondulados, rosto simétrico, pele clara e olhos lilases. Mas, mesmo assim, não concordava com padrões.
- Pai - disse ela -, você sabe que isso é estúpido.
Seu pai deu um sorriso contido.
- Já pensou em sair desse navio e tentar morar em uma cidade, ou algo assim?
Elisabeth suspirou.
- Para onde eu vou ir? - disse ela.
Seu pai deu um sorriso.
- Não importa. O que importa é que você consiga um lugar.
Ele sempre era assim. Tentava confortá-la o tempo todo, deixá-la feliz. Era o típico pai companheiro. Quer dizer, ela gostava quando os dois se sentavam juntos e liam sobre as criaturas mais bizarras do fundo do oceano, mas ela simplesmente queria que ele parasse de dar conselhos. Só um pouquinho.
Martin ainda estava com aquele sorriso bobo na cara.
- Oras - disse ele. - Eu sei que você gosta de mim.
- Vai embora - protestou Elisabeth.
E então veio o ataque.
O navio oscilou. Som de bombas sendo disparadas. Estouros em todas as direções. E então do mar emergiu um exército de homens e mulheres em armaduras douradas e prateadas estranhas, como aquelas encontradas em ficção científica.
Um deles, de armadura prateada e que parecia mais velho, pulou no navio. Elisabeth ficou com medo, pensando em chamar o capitão, mas ele já seguia para o interior da cabine, onde estava seu pai. Ele pegou o velho pela gola da camisa e perguntou:
- Onde está o artefato?
O sr. Morel sacudiu a cabeça, alarmado.
- Não sei do que está falando.
Elisabeth correu até o seu pai, tentando agarrar o estranho.
- Solta meu pai!
O soldado prateado lhe deu uma braçada na cara, o que a fez tombar no chão. Ela não sabia que uma pessoa seria capaz de uma braçada tão forte.
O mundo girou. A borda de sua visão escureceu. De repente a única coisa que via era o teto da cabine e rosto do estranho, um sorriso de escárnio.
- Ora, ora - disse ele -, temos uma feiticeira. Não sabia que ainda haviam algum de vocês por aqui.
Elisabeth gemeu.
- Não sou uma feiticeira! - protestou ela. - Sou só uma garota normal. Não sei do que você está falando.
Ele riu.
- E tão presunçosa. Você nem deveria estar aqui. Vai para o campo de concentração, onde é o seu lugar.
- Fique longe da minha filha! - protestou o Sr. Morel.
O soldado prateado dirigiu um sorriso a ele.
- Ora, está com medo de levarmos a aberração? - caçoou ele. - Pois escolha, humano. A aberração, ou o artefato?
O pai de Elisabeth parecia assustado. Não sabia o que dizer. O tal artefato parecia importante. Mas ele a amava. Ela sabia disso.
Ele se virou para a garota, e disse silenciosamente: fuja.
E Elisabeth entrou ação. Ela se levantou, deu um chute na canela do inimigo com uma força que não sabia que era capaz, e que aparentemente lhe causou bastante dor, pois ele se agachou e agarrou o tornozelo. E então se virou, saiu da cabine, empurrou uns outros dois guardas no caminho, depois empurrou mais um quatro, correu até a amurada e saltou no oceano. Ela não sabia por que fez isso. Só sabia que algo dentro de si pulsava, assegurando que fazer isso era seguro, que nada de ruim iria acontecer. Quando caiu na água, só sentiu uma cosquinha no corpo e um "ventinho" frio. Ela nadou para longe, embaixo d´água, com uma velocidade que não sabia que era capaz.
Só depois de uns vinte metros perceberia que estava, literalmente e naturalmente, respirando embaixo d´água.



(Ok, isso ficou meio loooongo, mas eu sou perfeccionista e gosto de histórias bem escritas se bem que isso ficou muito breve, tipo uma crônica né. Enfim, fiquem à vontade para continuar!)
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Fujoshi
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MensagemAssunto: Re: Brincadeira: inventar história 1   19/6/2017, 01:43

Aquilo não estava acontecendo, só podia ser um sonho... Pessoas não devem respirar debaixo d'água, exércitos estranhos não surgem do nada de dentro do mar. Sim, era definitivamente um sonho.
Mas então por que ela não conseguia acordar?

Elisabeth parou de nadar e subiu até a superfície, não conseguindo organizar direito os seus pensamentos.
Assim que ela saiu da água, respirou fundo, mas não estava sem fôlego, o que mostrava que ela ainda não havia acordado - ela insistia para si mesma que era um sonho, por mais que tudo nela gritasse que não era.
Virou-se para trás e se surpreendeu com a distância que havia nadado, o navio estava muito pequeno e longe, e ela podia vê-lo desaparecer debaixo da água.

- Não! - Exclamou ao ver o navio afundar rapidamente, então ela fechou os olhos com força. - Eu não quero isso. Acorde! - Ela abriu os olhos logo depois, só para notar em desespero que nada à sua volta havia mudado. - Não, não. Acorde! Acorde! Por que não consigo acordar?! - "Porque não é um sonho..." sua mente lhe sussurrou.

Mas ela não queria acreditar naquilo, não queria acreditar que seu pai estava afundando agora junto com aquilo navio para uma morte inescapável.
Então ela lembrou-se do soldado.

O soldado queria algo de seu pai, então talvez ele não tivesse deixado-o morrer, mas as chances disso ter acontecido eram mínimas.
Ela deveria voltar? Seu pai havia deixado claro que queria que ela fugisse. Além disso, aquele soldado lhe chamou de feiticeira e ameaçou lhe levar. Mas ela não era feiticeira, não tinha como ela ser... Talvez se ele percebesse isso, ele os deixassem ir.
Esse pensamento pareceu uma grande piada, ela sabia que aquilo definitivamente não ia acontecer.


Elisabeth levou a mão ao rosto e o segurou, respirando fundo e tentando clarear sua mente tão confusa. Ela estava com medo, ela estava nervosa e ela estava perdida. O que deveria fazer? O que podia fazer?

Olhou em volta outra vez, vendo que se encontrava no meio do mar, sem nenhuma pista de para onde ir ou de onde estava, e o seu navio terminando de desaparecer na água escura do oceano.

Se desesperou. Aquele navio era a única coisa que podia ver, e era onde seu pai e todos os outros estavam. Ela não podia deixar aquilo afundar e se perder na correnteza. Voltar parecia ser sua única opção.
Então era isso que faria.

Decidida, soltou seu rosto, respirou fundo e fechou os olhos antes de mergulhar outra vez. Assim que sua cabeça afundou, ela abriu os olhos.
Ela havia respirado em baixo d'água há poucos minutos, mas ela não sabia como havia feito aquilo, ou mesmo se havia realmente feito aquilo. Temerosa, soltou sua respiração lentamente, e então inspirou um pouco, esperando a água entrar em seu nariz e ela começar a sufocar (o que seria o lógico de acontecer), mas ao invés disso, ela sentiu algo gelado invadir seu peito e um arrepio percorrer sua espinha. Foi uma sensação incrível, nunca se sentiu tão bem apenas por respirar.

Elisabeth respirou a água mais algumas vezes, então finalmente olhou para a frente e começou a nadar. Outra vez, ela se surpreendeu com a própria velocidade, ela parecia se deslocar tão naturalmente que era como se não houvesse nada ao seu redor. Ela pensava cada vez mais em chegar logo ao navio, depositando todas as suas esperanças nessa única e minúscula chance, a adrenalina parecia correr em suas veias e a impulsionar cada vez mais rápido.

Então, de repente, algo puxou seu braço e ela viu seu corpo ricochetar na água, parando de uma só vez. A primeira coisa que percebeu, foi que havia uma mão em volta do seu pulso. Virou-se rapidamente para ver quem era, mas antes que pudesse sequer olhar a pessoa, duas mãos envolveram seu rosto, tapando seus olhos, nariz e boca.
Elisabeth se debateu, mas não conseguiu se soltar. Então ela impulsionou seu pé e chutou na direção do seu braço, ouvindo uma exclamação de dor e tendo seu pulso solto. Mas assim que ia atacar a pessoa atrás de si, ela sentiu um choque em suas costas e seu corpo perdeu as forças, e em menos de 3 segundos, ela perdeu a consciência.



Adorei sua ideia, está aí minha continuação, espero ter ficado legal kkkk Bem, agora é esperar mais 5 pessoas ou então um mês para escrever de novo. Continuem pessoas, estou curiosa para saber como a história vai ficar  língua
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MensagemAssunto: Re: Brincadeira: inventar história 1   19/6/2017, 20:05

Quando Elisabeth acordou, se viu em um lugar escuro. Tateou as coisas ao redor e percebeu que estava deitada em uma cama de pedra. levantou-se e explorou a área. Estava dentro de uma cela.
Vários pensamentos povoavam a cabeça da jovem garota. Não conseguia mais definir o que era realidade. Se torturou com pensamentos dentro daquela cela por um tempo indeterminado. Não tinha nenhum relógio e a luz do sol ou da lua não chegava naquele cubículo fechado.
Escuridão total. Silêncio total. Elisabeth já não sabia mais se estava viva. Duvidava de tudo o que havia acontecido desde a invasão do navio. Duvidava de tudo o que aconteceu na sua vida desde que nasceu. Já não tinha certeza de nada.

Teria ela sequer existido?
improvável.

Quando o desespero já tinha quase tomado completamente o seu ser um som pode ser ouvido.

Era uma voz?
Não.
Eram várias.

diziam algo?
Não.
Apenas gritavam.

Finalmente as luzes se acenderam. Ela realmente estava em uma cela, por entre as grades, conseguia ver mais coisas. O mundo havia se expandido e surgiram algumas certezas. Poucas, mas o suficiente para manter a sanidade.
Os gritos voltarão e lhe arrancaram a pequena gota de alegria que havia surgido com o acender das luzes. A sua frente conseguia ver um chão de madeira e abaixo dele havia agua. Estava em um porto. Aqueles que gritavam eram homens de armadura. Como aqueles que haviam atacado o seu navio. Eles passavam correndo em frente a sua cela.

Mas do que fugiam?  

Sua resposta foi obtida quando um vulto escuro emergiu rapidamente da agua, se agarrou as costas de um dos soldados e lhe desferiu um seria de facadas na cabeça, em seguida, mergulhou novamente. Foi tudo tão rápido que os outros soldados não conseguiram esboçar nenhum tipo de reação. O cadáver do soldado caiu em frente a sua cela. Permitindo que ela pudesse ver o rosto desfigurado do infeliz.

O massacre continuou. Seu campo de visão era muito pequeno. Só podia escutar gritos e tiros. Depois de um tempo tudo caiu de volta ao silêncio.

O que será que aconteceu?
Vieram me resgatar?
impossível.

O vulto escuro emergiu mais uma vez dentro do seu campo de visão e começou a se aproximar. Parecia e não parecia humano. Assustada Elisabeth decidiu gritar:

- Quem é você?

O vulto continuou em silêncio enquanto se aproximava. Agora era possível definir o que era. Uma roupa de mergulho. O responsável pelo massacre estava dentro de uma roupa de mergulho.

Será que ele pretende me matar?
Ou veio me resgatar?

A garota estava com medo. As grades que, antes, representavam sua prisão, agora, eram a única coisa que a mantinha a salvo do assassino.

Ele continuou se aproximando, encostou nas grades, e se espremeu por entre elas, apesar de ser bem maior do que o espaço que havia disponível.

Ele estava comigo agora. Dentro da cela. Tentei chuta-lo como havia feito com o soldado, mas o seu corpo era estranhamente escorregadio. Acabei me desequilibrando e cai no chão.

O mergulhador estendeu a mão e me ajudou a me levantar.
Eu estava segura?
Ele colocou gentilmente a mão no meu pescoço e foi movendo-a até chegar a parte de trás da minha cabeça.
A ultima coisa que me lembro era a parede se aproximando cada vez mais do meu rosto.

Não haviam duvidas.
O mergulhador empurrou minha cabeça contra a parede.

Perdi a consciência.

Elizabeth acordou novamente. Já não aguentava mais desmaiar. Desta vez estava deitada em uma cama de verdade. percebeu que estava em um quarto desconhecido. Encontrou um espelho na parede e, depois de tanto tempo, pode ver seu rosto. Seu nariz estava quebrado com a ponta torta para direita e seu incisivo superior direito estava quebrado.

Infelizmente a garota não teve tempo de se preocupar com isso, pois a maçaneta do quarto acabara de ser aberta.

OBS 1: Escrever da um trabalho absurdo.
OBS 2: Peço perdão se tiver algum erro de coesão ou coerência no meu trabalho. fiquei com preguiça de corrigir.
OBS 3: Essa brincadeira foi uma ótima ideia. Parabéns por ter pensado nisso.
OBS 4: Desculpe se eu estraguei a história de alguém.
OBS 5: Se alguém estranhou a mudança de narração repentina de terceira pessoa para primeira. Existe um nome para isso, mas não me lembro dele. Basicamente é uma técnica pra  forçar o leitor a se colocar no lugar do personagem durante momentos de muita tensão. (Não sei se fiz certo, Mas o que ta feito ta feito)
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Alicy
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MensagemAssunto: Re: Brincadeira: inventar história 1   16/8/2017, 21:11

Já se passou mais de um mês e meio e ninguém continuou a história LOL' (Bem, eu podia ter continuado, mas não fiquei com vontade :/) Acho que vou mudar as regras: ao invés de um mês, quinze dias. Ao invés de outras cinco pessoas, somente outras duas. Logo, haverá alternância de três em três pessoas. A menos que alguém mais apareça, logo vamos fazer uma alternância de quatro em quatro, cinco em cinco, assim vai. Assim vai ficar uma brincadeira cíclica, como se estivéssemos reunidos em uma rodinha lol' Acho que assim fica melhor. Então, aqui está minha continuação:



Elisabeth deu um pulo, imediatamente ficando alerta, preparada para qualquer ataque. No entanto, uma voz masculina disse:

- Não tenha medo. Não estou aqui para machucar você.

Claro, você me machucou, pensou ela, mas se manteve de boca fechada.

Um homem entrou no quarto. Ainda estava usando a roupa de mergulho, mas sua cabeça estava exposta. Tinha a cabeça careca e pele escura, com cicatrizes atravessando o rosto, como se um tigre tivesse atravessado a garra em seu rosto.

Ele examinou a garota. Ela se sentiu envergonhada. Não gostava de se sentir observada. Além do mais, ainda estava irritada por aquele estranho tê-la machucado.

- O que você quer? - perguntou ela o mais suavemente possível, tentando conter a irritação. - Por que me machucou?

O homem deu um leve sorriso.

- Não posso negar que essas são boas perguntas. Quanto ao fato de te machucar... lamento. Tive de tomar medidas drásticas.

- Mas não precisava me machucar.

- Se eu não agisse rápido, você provavelmente não concordaria em vir até aqui. Provavelmente fugiria. Ou lutaria. Claro que seria uma luta bem interessante, mas não estou disposto a lutar.

A mente de Elisabeth se encheu com tantas perguntas que ela não sabia por onde começar.

- Aqui onde? E o que você quer dizer com luta interessante? Eu nem sei lutar! Nem sou tão forte!

O homem riu.

- Você não sabe, não é mesmo?

A moça ficou confusa.

- Não sei... do quê?

- Oras, é por isso que eu não gosto da sociedade, seja ela de Atlântida ou do mundo da superfície. Todos são cretinos e sempre escondem a verdade. Você, é claro, é uma feiticeira.

- Já me falaram isso - disse Elisabeth secamente, embora no fundo esteja ainda mais confusa. Atlântida? A dos mitos gregos e das histórias infantis? Aquela cidade subaquática habitada por sereias e peixes falantes que sempre aparece em desenho animado?

- Não estou dizendo uma feiticeira qualquer - explicou o homem rapidamente. - Olhe seu cabelo dourado. Seus olhos lilases. Eu sou um pesquisador da vida aquática há anos. Os dados não mentem. Você é uma feiticeira de Atlântida. Uma descendente direta dos antigos senhores.

Elisabeth não disse nada por um momento. As coisas estavam muito confusas.

Quer dizer, quando era mais nova, seu pai às vezes contava histórias de ninar sobre feiticeiros... Monges do mar que lutavam com espadas douradas brilhantes e podiam falar com as criaturas marinhas. Ela adorava ouvir aquelas histórias, mas, ao crescer, sempre pensara que eram todas inventadas. Sonhos de um biólogo marinho fã de Star Wars que queria ser escritor.

Agora ela pôde ver um exército inteiro surgir do mar e emboscar seu pai. Agora ela pôde se ver respirando embaixo d'água, como se a água fosse ar. Agora aquele homem estranho estava ali na sua frente, dizendo que todas aquelas histórias eram... verdade.

O que fez ocorrer outro pensamento: será que esse homem conhece meu pai? Será que ele me conhece?

Afinal, o que houve com o seu pai? O pensamento a afligiu. Será que ele estava bem?

- Não sei se eu acredito em você - disse ela (embora no fundo acreditasse) -, mas preciso que me diga: onde estou? E onde está meu pai?

O homem deu aquele meio sorriso característico, que o deixa assustador.

- Sobre seu pai, eu não tenho a mínima ideia - disse ele. - Mas eu posso te mostrar onde estamos. Venha.
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Karine
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Pensamento "Mas o que pode valer a vida, se o primeiro ensaio da vida, já é a própria vida" Milan Kudera- A insustentável leveza do ser

MensagemAssunto: Re: Brincadeira: inventar história 1   17/8/2017, 00:52

Quando o homem lhe estendeu a mão, ela não sabia muito bem se aceitava o convite. Não sabia se podia confiar em si mesma, afinal depois de tudo o que aconteceu, seria possível Papai Noel existir? Enfim, nada disso importava já que seu pai estava em apuros. Ela devia sair daquele quarto. Segurou a mão do mergulhador e ele a puxou para que levantasse. Os músculos da sua perna esticaram numa fisgada, ela não estava acostumada a tantas aventuras assim.

Ela abriu a porta e andaram por um corredor muito iluminado. No fim dele, ela podia ver alguns vultos, mas não sabia dizer muito bem o que eram. Seu nariz formigava,mas ela não ousava mexer já que ele estava na posição errada:

-Ei, antes você podia me levar pra a enfermaria ,não é mesmo? Aqui tem uma?

-É o que eu estou fazendo.-e assim que ele disse isso, o corredor acabou e estavam ao ar livre.

Um ar livre bem diferente do que ela tinha imaginado. As pessoas andavam rápidas e ocupadas e ignoravam todo o cenário em volta: estavam dentro de uma enorme redoma de vidro, como um globo de cristal. Dava para ver os peixes rondando esbeltos o local, baleias enormes e inúmeros cardumes rodopiando no azul infinito.

A cidade consistia em um plano cheio de prédios brancos e cinzas, mas não muito altos a ponto de tocar o teto da redoma.  Elisabeth olhava tudo de boca aberta, e nem conseguiu falar mais nada. Aquilo tudo era surreal.
Entraram no primeiro prédio, e logo encontraram uma mulher toda de branco, luvas e cabelos encaracolados:

-Meu Deus, você precisa de um curativo. Seu nariz...

- Isso que eu ia dizer. –o mergulhador disse –Eu trouxe ela aqui justamente pra isso.

-On... onde é que eu estou?  -Elisabeth gaguejou alheia a conversa dos dois.

- Poxa, Cillas, o que está acontecendo?  Você nem explicou sobre a nossa base? – a mulher disse enquanto examinava o nariz torto.

- Nem deu tempo, vocês são muito apressadinhas.-ele disse enquanto a mulher aplicava alguma substância pegajosa no nariz da menina.

- Enfim, eu sou Maia e sou a diretora da base hospitalar da Aquapólis. Eu vou dar um jeito nesse seu nariz....  –ela disse e crack, botou o nariz no lugar num instantinho.  

Elisabeth soltou um gritinho , mas foi mais de susto que dor. Ficou apalpando o próprio nariz estupefata: estava no lugar certo!

-Esse anestesiante é ótimo. –Maia tirou a substância pegajosa do nariz da garota.

- Aquapólis? – Elisabeth voltou ao que importava num estalo - É uma cidade tipo a Atlântida?

-Não, Atlantida é bem melhor. Mas aqui a gente não precisa usar o traje de mergulhador todo o tempo. – Cillas, o seu resgatador disse .

- E por que vocês me resgataram?

- Garota, em que mundo você vive? –mas como ela não respondeu ,ele continuou -Precisamos de uma feiticeira, não é mesmo? Com tudo o que anda acontecendo.

- E o que anda acontecendo?

Maia e Cillas se entreolharam confusos, depois Maia começou a explicar:

- A guerra. Atlantida tem um novo governante e ele resolveu que quer acabar com os humanos. Onde você mora não tem jornal?

- É verdade- complementou Cilas-  onde você estava todo esse tempo?

- No barco do meu pai.

- Barco?  -Maia colocou as sobrancelhas no teto da testa

- Com humanos?  -Cillas fez o mesmo.

-É!

Os dois se olharam novamente em silêncio.

-Então você aprendeu os feitiços e sei lá mais o quê com quem?

-Eu não sou feiticeira! Eu não sei fazer feitiço nenhum!

Foi aí que os dois começaram a rir, depois a ficarem sérios e finalmente ficaram com os rostos tão duros quanto duas pedras. Cilas pegou em minha mão e respirou fundo:

-Pare de brincar, porque precisamos mesmo de sua ajuda. Estamos em guerra, você ouviu?


Gente, que brincadeira demais! Espero que não tenha ficado tão ruim a minha parte
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Fujoshi
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MensagemAssunto: Re: Brincadeira: inventar história 1   18/8/2017, 00:03

Aquilo estava ficando cada vez mais estranho, antes mesmo que pudesse processar uma informação, surgiam mais e mais coisas para deixá-la confusa.

Como assim guerra? Como assim precisavam de sua ajuda? Ela era apenas uma garota comum há pouco tempo, e agora ela estava em uma cidade submersa ouvindo que era uma feiticeira e que estava tendo um guerra? Sinceramente, aquilo era tão irreal que ela resolveu deixar sua sanidade de lado.

Franziu a testa e os encarou.

- Tudo bem... - Começou, falando lentamente. - Aconteceram várias coisas hoje, e eu estou muito confusa com tudo isso, mas eu não sei de guerra nenhuma. - Ela respirou fundo. - Por mais que fiquem dizendo isso, eu não posso ajudar vocês, não sei nada sobre essas coisas de "Atlântida" ou de"Feiticeiros".

Maia a encarou, o olhar descrente em seu rosto deixava claro que não acreditava nela. Já Cillas lhe tinha uma expressão apreensiva no rosto.

- Olha, sei que é divertido fazer brincadeiras, mas tudo tem seu momento, e agora não é hora disso. - A mulher falou. - Nós tivemos trabalho para conseguir trazê-la aqui, e precisamos que você colabore.

Elisabeth piscou os olhos, chocada por não estarem levando-a a sério.

- Eu já disse, não sei de nada do que vocês estão falando! - Exclamou. - Não sei de guerra nenhuma, nem de feiticeiras, muito menos de cidades subaquáticas!

Maia já estava abrindo a boca para responder, quando Cillas fez um sinal com a mão, pedindo-a para esperar.

- Você tem certeza disso? - Elisabeth assentiu. - Então porque você estava presa?

- Eu não sei. - Rspondeu, impaciente.

Ele suspirou.

- Isso vai ser mais difícil do que eu pensei. - Resmungou.

Antes que ela pudesse dizer qualquer outra coisa, Cillas pegou em sua mão, resmungou uma despedida para Maia, e a carregou para fora daquele prédio com passos rápidos.

- Ei! - Ela exclamou, tentando soltar seu braço do aperto. - Por que está fazendo isso? Me solte.

- Não já disse que não irei machucá-la? Se acalme. - Ele respondeu. - Apenas venha comigo, temos coisas para fazer.

Elisabeth parou de caminhar e puxou seu braço, fazendo-o parar também.
Ela olhou em seus olhos, determinada.

- Me solte. - Pediu. - Agora.

Após encará-la por alguns segundos, ele suspirou e soltou seu braço.

- Ok, eu posso lhe soltar, mas preciso que você me siga.

- Só lhe seguirei se me der respostas. - Afirmou, cansada de não entender nada que estava acontecendo. - Eu não estou nada, quero fazer perguntas e quero receber respostas adequadas. Então só irei com você, se prometer me explicar tudo que está acontecendo.

- Muito bem. - Ele respondeu rapidamente, sem nem hesitar. - Eu prometo que lhe explicarei, assim que chegarmos. Você pode confiar em mim, não lhe farei mal.

- Não posso confiar em você, te conheci há apenas alguns minutos.

Ele balançou a cabeça, concordando.

- Bom ponto, isso é verdade. - Disse. - Mas, se você não vier comigo, o que irá fazer sozinha aqui?

Ela abriu a boca e tornou a fechá-la. Olhou em volta, notando todos aqueles prédios e pessoas estranhas, percebendo que ele tinha razão. Ela não tinha outra alternativa além de ir com ele... Mas isso não significava que ela seria descuidada.

- Para onde vamos? - Perguntou.

- Verá quando chegarmos. - Ele respondeu, virando-se e voltando a caminhar. - Há alguém que precisa vê-la.

Apesar de a resposta não ter lhe convencido, ela respirou fundo e o seguiu. Não tinha outras opções, então, ao menos, enfrentaria a situação com a cabeça erguida.

E apesar de toda aquela situação estranha, ela mantinha em sua mente: precisava resgatar o seu pai.
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MensagemAssunto: Re: Brincadeira: inventar história 1   18/8/2017, 05:25

Os dois andaram até chegar em um carro, um carro normal como aqueles que se viam em todas as cidades do planeta. Elizabeth achava estranho ver algo tão mundano no meio de tanta loucura. Cilas destrancou o veiculo, abriu a porta para ela e disse:

- Pode entrar.

A garota relutou, mas já havia decidido ir até o fim daquela loucura então não teve escolha a não ser obedecer.

- A viagem vai ser longa - Disse ele enquanto mexia no rádio -  Tem algum pedido? - Perguntou

-Não - Respondeu Elizabeth desconfortável com a situação

A viagem demorou muito ou, ao menos, pareceu demorar. As preocupações da sua cabeça somadas com a trilha sonora de clássicos do século passado não deixavam o tempo passar. Conforme andavam, a cidade bonita e animada ficava cada vez mais escura e deserta.
Quando o carro finalmente parou eles estavam em frente à uma casa pequena e acabada próxima da parede da redoma. Quando saíram do veículo Cilas falou:

- Essas pessoas são as que mais entendem de feiticeiros na cidade, se alguém puder nos ajudar serão eles.

Quando ele bateu na porta ouviu-se um grito que dizia:

- Pode deixar que eu atendo! - Seguidos de passos estrondosos em direção à porta.

 Uma garota de baixa estatura, pela pálida, cabelos dourados, olhos lilases e penetrantes e rosto pontudo os olhou de forma entediada e falou:

- Ah é você. O que foi?

O Péricles está? - perguntou Cilas

-Não, mas ele já deve chegar. Quem é essa banguela que te acompanha? - perguntou a garota

Elizabeth fez um som de indignação, mas foi ignorada pelos dois.

- Alguém que eu quero que seu pai examine, gostaria de confirmar se ela é uma feiticeira. - Disse Cilas

-Entrem - disse a garota.

Assim que os três chegaram na sala a garota começou a rodear Elizabeth com um olhar curioso.

O que foi?- exclamou Elizabeth nervosa com a situação.

A garota, como se nem a tivesse ouvido, se aproximou e colocou a mão em sua boca e disse:

- Não está crescendo de novo. Que estranho.

Elizabeth respondeu dando um tapa em sua mão. A garota a ignorou de novo. Colocou a mão em seu pescoço e disse:

- Não tem guelras.

- Dá pra parar - gritou Elizabeth

- Não faço ideia do que ela é. - Disse a garota para Cilas, ignorando Elizabeth uma ultima vez.  

Este, por sua vez, estava sentando em um sofá olhando para um garoto ao lado dele. Aquele conseguia ser mais estranho que a garota, olhava fixamente para o chão sem mover um músculo, poderia ser facilmente confundido com um boneco de cera se não piscasse de vez em quando. Era baixo, magro, cabeça raspada, nariz grande e pontudo e um rosto perturbadoramente simétrico. Ele apenas existia na sala, ignorando todos os estímulos do mundo exterior.

- Argo, eu já te falei pra não apavorar as visitas. Vai pra algum outro lugar - disse a garota      

O garoto acenou com a cabeça, se levantou e foi embora.

A garota então se virou para Elizabeth e falou:

-Ele deve chegar daqui a pouco, pode ficar a vontade.

Elizabeth estranhou a educação repentina da garota, mas aceitou o convite e se sentou.

Nesse momento a porta se abriu, Péricles finalmente estava chegando.
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MensagemAssunto: Re: Brincadeira: inventar história 1   18/8/2017, 09:23

Que legal, rodinha de quatro xD Acho que agora é minha deixa...



Elisabeth acompanhou com os olhos o homem entrando na casa.

O homem aparentava ter uns cinquenta anos de idade. Usava óculos de aro de metal, e seus cabelos impressionantemente brancos estavam presos em um coque. Suas vestes vermelhas e marrons eram antiquadas - vestimenta comum às pessoas mais velhas da estranha cidade, Elisabeth supôs.

- Cillas - disse o velho, ao notar o homem de roupa de mergulho sentado no sofá antiquado - que surpresa. - Seus olhos se voltaram para Elisabeth. - Vejo que encontrou uma feiticeira.

- Papai - disse a menina baixinha -, até que enfim! Estava demorando.

O velho suspirou.

- Peço desculpas pela... inconveniência de minha filha, Íris - disse Péricles. - Ela pode ser um pouco impertinente de vez em quando.

Ele se voltou para a Elisabeth.

- Minha cara, hã...

- Elisabeth - disse a garota.

- Elisabeth - repetiu Péricles. - Você parece confusa.

- Eu quero saber sobre o que é todo esse negócio de "feiticeira" - admitiu Elisabeth. - Sobre essa história de Atlântida, a guerra, toda essa coisa de ser descendente dos "antigos senhores" e tudo o mais.

Péricles observou a garota por um tempo, curiosa. Então perguntou:

- Você não sabe de nada?

Elisabeth sacudiu a cabeça.

- Nada.

- Ela foi criada por humanos - falou Cillas.

Íris torceu o nariz.

- Por humanos? - indagou ela. - Na superfície? Então não me admiro que ela tenha essa cara de tonta.

- Íris - advertiu Péricles -, menos.

A menina suspirou pesado e se sentou em um dos sofás.

O velho observou, com seu olhar curioso característico, Cillas e Elisabeth.

- Vamos nos sentando - convidou ele. - Precisamos conversar.

***

Elisabeth observou o ambiente. Ela não gostava de se concentrar nos detalhes, sendo uma pessoa ansiosa como era, mas ela não podia deixar de notas as particularidades daquele ambiente. Constatou que a pequena sala de estar parecia ser maior, pois seu formato redondo dava a ilusão de mais espaço. Notou o piso coberto de cerâmicas com desenhos estranhos - pareciam runas, ou alguma coisa assim. Notou as almofadas antiquadas rondando os sofás de crochê desgastados, a luminária de cristal cheia de ramificações com várias pontas quebradas, e as velhas cortinas que outrora foram suntuosas que cobriam as paredes. Havia uma grande abertura de vidro para a janela entre duas cortinas, e dali podia-se ver a cidade de Aquápolis, com seus prédios brancos e sua arquitetura ao mesmo tempo arcaica e futurista, com detalhes meio gregos, meio vitorianos e meio Star Wars.

- Íris, faça para nós um chá - pediu Péricles.

Íris se mexeu desconfortavelmente no sofá.

- Mas, pai...

- Íris, por favor.

A menina suspirou pesado e se levantou, e então foi para outro cômodo em passos pesados.

- Não precisamos de chá - disse Cillas.

Péricles sorriu.

- Não se preocupe, meu amigo - disse o velho. - Eu sei que você não gosta de chá. Mas talvez a nossa moça se sinta mais à vontade com um ambiente mais aconchegante.

Elisabeth também não gostava de chá, mas não falou nada. Queria logo as explicações.


Eu poderia continuar, mas fiquei sem inspiração língua
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Karine
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MensagemAssunto: Re: Brincadeira: inventar história 1   25/8/2017, 11:08

(Desculpa a demora)

Elisabeth já estava cansada de tanto esperar explicações, mas desta vez já não sabia se as queria. Toda vez que as pedia, alguém tentava explicar e piorava a situação, então quando o senhor se sentou em frente ,ela suspirou e mordeu os lábios nervosa.

-Eu tenho algo bem raro aqui na minha frente. Quer dizer, olhe para ela: cabelos dourados compridos e ondulados , pele clara e olhos lilases. Ela evidentemente é feiticeira, mas foi criada por humanos... Isso é fantástico. -ele dizia coçando o queixo barbudo e analisando cada cm da garota.

-Foi o que me fez trazê-la pra cá. -disse Cilas se inclinando para frente.

-Você não sabe de nada mesmo?

-Não! -Elisabeth respirou fundo. Teria que explicar mais uma vez que não entendia de nada do que estava acontecendo?

-Ok. Então eu vou te contar desde o começo, e não reclame se eu disser algo que você já sabe, afinal você disse que não sabe de nada mesmo!.

Elisabeth assentiu a cabeça. Ficaram em silêncio, Péricles se arrumou na cadeira e começou:

"No início do mundo, havia duas espécies: os humanos , que eram terrestres, e os humanes (que eram aquáticos) . Eles viviam em harmonia e era fácil vê-los conversando à beira das praias. Mas houve o dia em que os humanos foram corrompidos pelo poder e queriam possuir tudo o que vissem. Antes, tudo era de todos e não havia disputas por território, alimento ou as guerras. As pessoas simplesmente viviam, e viviam bem por não precisarem brigar umas com as outras. Mas os humanos foram cada vez mais se enterrando em sua luxuria. Começaram a se instalar em casas fixas e a saquear as outras casas, brigavam entre si por terra. Um dia , os humanos do norte se aliaram aos humanes em uma guerra, dizendo aos humanes que se eles o ajudassem derrubando os barcos de seus inimigos , eles teriam prosperidade e muito poder. A maioria dos humanes participou da guerra, e os barcos inimigos foram logo detonados. Mas os terrestres já haviam se acostumado ao sangue, só não lembraram que os aquáticos não. Então quando acabou a guerra, eles ficaram horrorizados com a morte. Além disso, a prosperidade e o poder que os terrestres tinham dito , eram apenas pedaços de pedras dourados que nada serviam aos humanes, já que não precisavam de dinheiro. Foi nestes dias que as duas espécies se afastaram.

A sede por poder dos terrestres foi crescendo e era tanta ,que corriam aos seus reis pedindo navios e marinheiros para se aventurar além mar e achar novas terras. Os humanes foram assistindo as atrocidades que os humanos faziam e cada vez mais se afastavam nas profundezas do mar. As grandes lendas de sereias e tritãos tem seu fundo de verdade. "

Íris chegou com o chá e distribuiu as xícaras aos outros. Elisabeth nem lembrou de segurar a xícara, pois estava imaginando a história que acabara de ouvir.

-Os lá de cima são todos lerdos assim? -Íris perguntou enquanto segurava a xícara em frente à Elisabeth. -Olha só a cara dela.

-Íris, não começa... Aliás , traga alguns biscoitos também.

A garota bufou e até tentou dizer não, mas seu pai a olhou repreensivo e ela obedeceu a contragosto. Ele então voltou à conversa depois de um gole de chá:

" Passaram muitos anos, e os humanos nem sabiam mais da existência dos humanes. Eram apenas lendas e mitologias. Os humanes estavam finalmente livres da guerra e da luxúria, mas nestes últimos tempos as coisas tem ficado muito ruins. Os humanos não se contentam mais com a terra, eles querem explorar as estrelas e o fundo do mar. Quando um humano pisou na lua, todos aqui de baixo ficaram horrorizados, afinal o fundo do mar é bem mais próximo que a lua. Nestes últimos tempos os mares foram vasculhados e remexidos com as maquinas que os terrestres inventaram, e ninguém sabe ao certo o que eles procuram tanto. Mas o nosso maior medo é nos encontrarem agora que estamos mais vulneráveis.

É por isso que o novo governante quer acabar com todos os humanos. Primeiro ele vai matar todos os barcos, depois invadirão a terra por rios... Uma calamidade! ELe quer que nos assemelhamos aos sangrentos terrestres!"

-Mas... -Elisabeth disse pensativa com o dedo na boca -Onde entram os feiticeiros nisso tudo?

Péricles deu mais um grande gole no chá, parecia que a história ia ser interessante.



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Fujoshi
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MensagemAssunto: Re: Brincadeira: inventar história 1   25/8/2017, 19:26

Péricles, com sua mão livre, ajeitou os óculos no rosto, dando um longo suspiro.

- Não temos certeza sobre as origens dos feiticeiros, a maioria acredita que eles são protegidos dos deuses. Nunca foi descoberto nenhum indício de que já havia tido uma população deles antes, além disso, existem pouquíssimos feiticeiros pelo mundo. - Ele explicou. - A maioria dos feiticeiros nasciam entre os humanos, era raro encontrar um feiticeiro com origens humanes, e, apesar disso, eles podiam respirar na água facilmente.

Nesse momento, Íris apareceu na sala, trazendo uma vasilha em mãos e jogando-se no outro sofá.

- Aqui os biscoitos. - Falou, pondo a vasilha sobre o sofá, ao seu lado.

Cillas inclinou o corpo para a frente e pegou alguns biscoitos em sua mão, quando voltou á posição original, ofereceu um deles à Elisabeth, que olhou a guloseima com um olhar desconfiado.

- Pode comer. - Ele resmungou, revirando os olhos. - São de chocolate, não de algas marinhas... ou seja lá o que você tenha imaginado.

- Eu não pensei em algas marinhas. - Retrucou, pegando o biscoito e comendo, e, tinha que admitir, estavam realmente bons.

- Então. - Péricles continuou, um biscoito já mordido estava em sua mão. - Os feiticeiros são poderosos, apesar de quase sempre evitarem conflitos. Tendo conhecimento dos poderes dos feiticeiros, os humanos resolveram procurá-los durante a guerra, buscando vencer. - Ele fez uma pausa e terminou de comer seu biscoito, dando mais um gole no chá antes de prosseguir. - Porém, os feiticeiros da época se recusaram a participar de seu conflito sangrento e desnecessário.

- Mas, para variar, os humanos babacas não aceitaram um não. - Íris resmungou, recebendo um olhar reprovador do seu pai.

- Bem... - Ele suspirou. - Como Íris disse, eles não aceitaram que a ajuda fosse negada, então o rei da época deu ordens para que os feiticeiros fossem caçados e sequestrados. Os poucos feiticeiros da época foram diminuindo, alguns capturados pelos humanos, outros mortos em batalhas. Apesar de seu grande poder, eles não podiam sobreviver sozinhos contra exércitos de humanos, além disso, os humanos tinham seus próprios truques e conhecimentos de magia. Pelo que sabemos, esse grupo de humanos não conseguiram ter sucesso com o que planejaram, e perderam a guerra. Os feiticeiros se recusavam a lutar e, caso não conseguissem escapar, acabavam mortos.

Elisabeth já tinha mil perguntas rodando em sua cabeça, porém não sabia ao certo como questioná-las. Porém, não teve tempo para perguntar, pois Péricles continuou.

- Mas há uma lenda, apesar de não sabermos se é realmente verdadeira. - Ele prosseguiu. - A lenda diz que Narcisa, a maior feiticeira da história, que sumiu misteriosamente no período da guerra, foi capturada pelos humanos e, ao ver sua beleza e poder, o rei se apaixonou por ela. Ela, entretanto, não retribuiu seus sentimentos, então enfurecido, o rei sacrificou a vida de 23 soldados, 19 humanes e 7 feiticeiros, e, com um ritual mágico, amaldiçoou a alma de Narcisa a vagar pelo mundo. Sua alma só seria libertada, quando os descendentes do rei conseguissem a vitória e reinassem sobre todos os outros seres.

Elisabeth encarou Péricles, se questionando se o brilho a mais em seus olhos era real, ou era apenas coisa da sua cabeça.
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MensagemAssunto: Re: Brincadeira: inventar história 1   26/8/2017, 05:06

Péricles passou alguns segundos perdido nos próprios pensamentos. Quando voltou a si, começou a contar nos dedos e pronunciar palavras inaudíveis, até finalmente falar em voz alta:

- Ah sim. A guerra. Era aí que eu estava. Para explicar essa parte precisarei dar uma aulinha de história para vocês.

- Vai começar... - Disse Íris que estava esparramada no sofá.

Péricles pigarreou para limpar a garganta e começou seu monólogo:

- Há algumas décadas atrás, como você já deve saber, os humanos tiveram um enorme avanço em seu desenvolvimento tecnológico e começaram a explorar terras que a eles não pertencem. Esse desenvolvimento fez com que nós humanes nos sentíssemos ameaçados por esses indivíduos que ficam mais poderosa a cada dia. Se aproveitando dessa paranoia, Atlântida, a maior e mais influente cidade das profundezas, ofereceu proteção para as cidades mais próximas que se submetessem ao seu rei e passassem a adotar suas tradições e pagar impostos para a coroa. Nós cidadãos de Aquopolis não queríamos abandonar nossas raízes, mas não tivemos escolhas. Atlântida era a única cidade que podia se proteger de um ataque humano, se não ficássemos ao lado deles estaríamos condenados.

Iris esboçou um risinho. Seu pai limpou a garganta novamente e continuou sua história.

Décadas se passaram e o ataque humano não veio. Parte dos habitantes das cidades-colônia começaram a se sentir enganados por Atlântida e cobraram de seus governantes que o acordo entre eles fosse terminado, entretanto outra parte da população continuava apavorada com os humanos que não paravam de crescer e exigiam que seus governantes continuassem com o acordo. Essa tensão nos dividiu e causou grande instabilidade política.

- Agora a história começa a ficar boa - Interrompeu Íris mais uma vez.

- Durante essa confusão, um comerciante extremamente carismático chamado Salomon Cortez cresceu de forma meteórica no mundo político de Aquopolis prometendo manter a proteção de Atlântida e garantir nossa independência. Em poucos anos ele se tornou o regente da nossa cidade. É agora que a história fica boa - disse o homem corrigindo sua filha.

- Como regente, Salomon desafiou diretamente a coroa tomando medidas como a proibição do comércio de escravos em Aquopolis e a redução drásticamente dos impostos pagos para a metrópole. Claro que Atlântida não ficou nada contente com isso, eles temiam que as outras colônias fizessem o mesmo. Para reprimir nosso regente, o rei mandou diplomatas fazerem ameaças que iam desde o encerramento do acordo de proteção, até a tomada de aquopolis, entretanto todos os enviados voltavam para casa dizendo que Salomon era maravilhoso e suas ações estavam mais do que corretas. Furiosa, a coroa mandou um pequeno exército de soldados atacar nossa cidade e decapitar nosso regente. Surpreendentemente os soldados nem conseguiram chegar aqui. A esposa de Salomon e ex-escrava, Minerva Cortez arremessou três porta-aviões nas unidades Atlantis, os derrotando instantaneamente.

- Bum - Gritou Íris animada com a históra.    

- Com isso, os motivos da insolência de Solomon ficaram mais do que claros. Aquopolis conta com a ajuda de feiticeiros. Humilhados com a derrota e com medo das outras cidade se rebelarem o rei decidiu declarar guerra contra Aquopolis e que depois de sermos derrotados, Atlântida preparará um ataque preventivo contra os humanos e os erradicará de uma vez. Para fazer isso a metrópole tem enviado suas tropas à superfície e capturado feiticeiros para força-los a lutar ao seu lado. Com isso encerro minha aula de hoje. - Encerrou o idoso ao som de aplausos da filha.

depois de passar muito tempo em silêncio, Silas disse:

-Não se enganem acreditando que Salomon é um herói. Nós não sabemos nada sobre o que ele fazia antes de entrar pra política e qual a sua relação com os feiticeiros. Alguns acreditam que ele mesmo seja um, isso explicaria como ele se tornou regente tão rápido e como ele convenceu os diplomatas a traírem sua própria pátria.

Péricles concordou e completou:

-Trata-se, de fato, de um homem muito misterioso, suas intenções com toda essa bagunça são incertas.

-Sabendo disso, nós formamos Os Mergulhadores uma força paramilitar com o objetivo de impedir Atlântida de capturar mais feiticeiros e nos proteger de Salomon caso ele decida fazer alguma loucura. Agora está tudo claro pra você? - Perguntou Cilas olhando para Elizabeth.

A garota não respondeu, era muita coisa para digerir de uma vez só.

Verdade os poderes! - Disse Péricles animado - Vocês precisam ir até A Boca do Diabo falar com os deuses para descobrir o que ela pode fazer.

- como assim - Perguntou Cilas.

- Todos os feiticeiros são únicos e a única forma de descobrir do que essa garota é capaz é visitando a Boca do Diabo. - Respondeu Péricles.

- Eu sempre quis ir lá, eu vou com vocês - Íris pulou do sofá Animada.

- Você vai ter que levar o Argo com você. Não acho que ele vai sobreviver muito tempo sem as suas instruções. - Ordenou o pai.

- Ok. Nós temos que ir agora, preciso arrumar um lugar para essa garota se esconder. Combinemos os detalhes da viagem depois. -Dizia Cilas se levantando do sofá.

Elizabeth, ainda em silêncio se levantou e foi com Cilas até a porta.
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MensagemAssunto: Re: Brincadeira: inventar história 1   26/8/2017, 10:08

Elisabeth entrou quieta no veículo de Cillas, no banco do carona. Parte de sua mente não pode deixar de pensar, novamente, como o carro era surpreendentemente normal no meio de uma cidade tão space opera - quer dizer, ocean opera. Como se fosse um ferro velho no meio de tantos prédios futuristas.

No entanto, a maior parte de seu cérebro não estava concentrada nos detalhes do aqui e agora. A garota repassava em sua mente toda a história, todo o diálogo com o velho Péricles, se perguntando se ela ouvira os nomes direito. Tinha uma tal Narcisa. Um tal de Solomon... Kane? Não, Cortez. Salomon Cortez, que aparentemente era o governante daquela cidade maluca. Ela não podia deixar de pensar sobre esses nomes estranhos, tão estranhos quanto a ideia de cidades submersas. Falando em estranhos, que espécie de nome era humanes? Ela não conseguiu não pensar em pessoas aparentemente humanas sem sexo definido, tipo esponjas e anêmonas, sabe-se lá por quê. Sei lá, eles poderiam achar algum nome mais condizente. Tipo exates. Ou biológiques.

Cillas dirigia o automóvel silenciosamente ao longo da borda da cúpula da cidade. Parecia triste e soturno, meio pensativo, como se refletisse sobre a guerra. Ela pensou nas cicatrizes em seu rosto, tão visíveis, que o deixavam desfigurado e estranho. Imaginou como o homem as adquiriu. Será que esse incidente tinha algo a ver com a guerra?

- Para onde estamos indo? - perguntou a garota.

O homem ficou quieto por um momento.

- Para um lugar seguro - disse ele, por fim.

Grande resposta, pensou Elisabeth. Bem explicativa.

Ela observou a cidade mais uma vez. Como sempre, a arquitetura enchia os olhos. Observou a cúpula, como se fosse uma grande bolha que envolvia a cidade, uma espécie de firmamento.

- Para quê é a cúpula? - perguntou ela.

Cillas olhou para Elisabeth, muito embora estivesse dirigindo.

- Perdão?

- Se todos os habitantes são humanes - prosseguiu Elisabeth, reprimindo um estranho impulso de dizer humanés - então todos podem viver e respirar debaixo d'água. Pelo menos é o que entendi. Então por que a cidade está dentro de uma cúpula, com ar?

Cillas fechou a cara.

- Não é tão simples assim. Primeiro, nem todos conseguem respirar debaixo d'água. É mais difícil de absorver oxigênio da água do que do ar. Embora tenhamos as características físicas dos humanes - força redobrada, alta resistência -, nem todos conseguimos escapar das síndromes de deficiência respiratória.

Elisabeth encarou o homem por um momento.

- Você tem asma?

Ele pareceu corar, embora fosse difícil dizer com todas aquelas cicatrizes.

- Mais ou menos.

- Mas, mesmo assim, a cúpula parece ser um... exagero.

- Medidas de inclusão - disse Cillas. - Culpe Salomon Cortez por isso. Ele construiu essa redoma pela finalidade de proteger Aquópolis, como também para tornar as coisas mais fáceis para... nós. - Ele suspirou. - O número de deficientes respiratórios aqui em Aquópolis é muito alto. Muitos culpam a poluição das águas por isso. É claro que humanos normais se sentiriam sufocados aqui. O "ar" é saturado com um nível de umidade incomum, e o nível de oxigênio é quase o mesmo que na água. Não é uma grande medida, mas já ajuda.

Elisabeth se perguntou como aquilo era possível. Como será que eles construiram a cúpula? Será que ela funcionava a partir de magia, ou era algo puramente científico, se é que a ciência pode funcionar assim?

- Mas a cidade inteira? - estranhou ela. - Quer dizer, como as pessoas reagiram? As que não tinham essas... deficiências?

Cillas olhou para a estrada, pensativo.

- Muitos não gostaram - disse ele. - A maioria... as famílias mais ricas, pelo menos... se mudaram para Atlântida. Alguns, mais pobres, se mudaram para outras cidades. Eu não posso culpá-los. Imagino como deve ser difícil segurar o peso nas pernas ao invés de flutuar, principalmente para aquela gente conservadora. Imagina, viver como um habitante da superfície! - Ele bufou. - Mas muitos cidadãos de outros lugares com deficiência respiratória, e suas famílias, se mudaram para cá, animados com essa novidade. O número de habitantes de Aquópolis cresceu. Nossa cidade se tornou um reduto para ex-escravos e pessoas com deficiência. Não posso culpar a Atlântida querer guerrear conosco. Imagino o quanto ultrajados estejam, com nossa alta qualidade de vida, nossas escolas e nossos hospitais. A realeza de Atlântida nunca foi capaz de construir algo assim.

Eles seguiram em silêncio pela borda da cidade. Elisabeth ainda fitava a cúpula, pensativa. Pensou em Salomon Cortez. Um homem à frente de seu tempo, revolucionário. Imaginou como ele seria.

- Não se iluda - disse Cillas, por fim. - Embora Salomon tenha feito muitos avanços, e eles com certeza são o correto a se fazer, não se sabe quais são os reais motivos dele.

Não se enganem acreditando que Salomon é um herói, havia dito ele, na casa de Péricles. Ela não acreditou que ele poderia dizer essa frase, depois de tudo o que acabou de dizer. Não pôde deixar de notar que Cillas era um homem complexo.

Ela olhou para a cúpula mais uma vez. Os reais motivos dele. A garota podia sentir alguma coisa... um formigamento no fundo do cérebro... talvez o motivo de o cara construir aquela cúpula não tenha nada a ver com inclusão, ou proteção. Talvez seja algo completamente diferente.

Elisabeth ficou refletindo sobre isso por alguns minutos, enquanto eles viajavam pela estranha cidade... quando ouviu-se explosões no exterior. Assustada, a garota olhou para os lados, procurando de onde veio o som. Viu pessoas correndo na direção contrária da borda da cúpula, assustadas.

Um ataque. A milícia de Atlântida encontrou Aquópolis.
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MensagemAssunto: Re: Brincadeira: inventar história 1   31/8/2017, 21:41

Quando as pessoas começaram a correr e a se dispersar, Elisabeth também quis correr, mas se lembrou que estava debaixo do mar e que se aquele vidro se rompesse, toneladas de água cairiam de uma vez sobre toda a gente. Talvez nem respirando embaixo dela poderiam sobreviver.

Quando terminou de cogitar sobre esse perigo, ela estava tremendo as mãos e com o rosto pegajoso de suor. Cilas se virou para ela e depois observou o bombardeio no grosso vidro.

-Precisamos ir rápido, os soldados não vão aguentar por muito tempo.

E como se Cilas tivesse prevido o futuro, várias pessoas fardadas começaram a surgir pela cidade , preparadas para alguma tragédia. Do outro lado do vidro, na parte cheia d'água, podiam ver alguns submarinos pequenos e ágeis prontos para o combate, além de soldados nadando em direção ao inimigo.

Outro estrondo balançou a redoma e Elisabeth abaixou a cabeça entre as pernas. Cilas acelerou mais o carro já quase não se via gente na rua. Pareciam preparados para esse tipo de atividade o que assustou a garota um pouco mais. Quer dizer, agora Elisabeth estava no meio de uma guerra de verdade?

Depois de uma curva estridente, pararam em frente ao prédio inicial, onde ela tinha acordado. Entraram a passos rápidos. Tudo lá dentro parecia funcionar rápido e agilmente. Cada um dos funcionários uniformizados sabia seu papel em meio àquela crise. Ninguém estava apavorado, apenas estavam com pressa para que tudo saísse como devia sair.

-Cilas,o que vamos fazer se eles quebrarem o vidro? Ele é à prova de... bombas?

-Essa foi boa, à prova de bombas? -ele sorriu.

Elisabeth não sabia se achava estranho o fato dele rir no meio daquilo tudo ou se pulava de susto pelo outro estrondo que a cidade levou. Mas acabou fazendo os dois ao mesmo tempo. Na verdade tudo aquilo estava estranho. Ela começou a reparar pelos corredores onde estavam andando com tanta pressa e percebeu algo incongruente: enquanto a cidade era bombardeada, os funcionários não preparavam bombas em resposta ou mísseis. Todos eles andavam com papeladas, microfones, câmeras de tv. E em meio de tudo aquilo, acharam Maia.

-Ok -CIlas disse para Maia assim que chegou perto o suficiente. - É a hora do plano B?

-Isso, o plano de emergência. -ela disse segura de si.

-Está quase tudo pronto?

-Cilas, tudo pronto? Mas que tudo? Vocês vão atacar o inimigo com câmeras de vídeo?

Maia repreendeu Cilas de novo com os olhos:

-Você também não contou isso à ela? -depois se aproximou da garota e pacientemente explicou - Quando te capturamos, sabíamos que poderíamos ser atacados antes mesmo de poder preparar um plano ou algo do tipo com você. E estamos aqui: atacados e sem planos, certo?

-E...?

-E , que precisamos parar o ataque e só há uma maneira. -Maia se virou para CIlas como pedindo que ele contasse a parte mais delicada da história.

-Bom... -ele pigarreou - Você deve se apresentar à tv como a guardiã de Aquópolis. -e então ele apontou para o que seria um set.

-Vocês querem que eu apareça na tv de vocês ? E acha que isso vai acabar os bombardeios?

Mal conseguiu fazer mais perguntas e já foi empurrada para a cadeira do set minimalista. Alguns maquiadores vieram e a enfeitaram com um visual mais corado e aparentemente menos assustado. Ela se sentiu na superfície novamente.

-Vamos, Elisabeth- Maia parecia implorar com seus olhos grandes - Você pode salvar muitas vidas!

-Vou contar até três... - a voz do diretor saiu de algum lugar.

-Com a sua ajuda, poderemos vencer essa guerra...

-Um...

-Eu nem sei o que falar! - Elisabeth resmungou enquanto alguém lhe arrumava o cabelo em um coque quase militar.

-Seja o tipo de heroína pela qual gostaria de ser salva! - aconselhou Cilas.

-Dois... Três... Gravando!


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MensagemAssunto: Re: Brincadeira: inventar história 1   18/9/2017, 06:19

GRRRRRHAAAAA

Elizabeth gritou surpreendendo até a si mesma. Já não suportava mais tantas pessoas lhe dizendo o que fazer sem ter a mínima decência de explicar o porque ou perguntar se ela estava de acordo. Simplesmente saiu. Com as câmeras ligadas, sem explicar nada para ninguém. Assim como tinham feito com ela desde que essa loucura começou. Todos ficaram surpresos, mas o show continuou, cinegrafista não parou de filmar, ao contrário, seguiu a garota que desesperada tentavam fugir do mundo.

O resultado da sua corrida imprudente foi parar no meio de uma multidão de soldados que marchavam e, sem sequer perceber sua presença, empurravam a jovem para o campo de batalha. Elizabeth só conseguia escutar o som rítmico da marcha, junto das explosões e gritos dos civis. Unidos em uma única sinfonia tocada por uma orquestra confusa e desesperada que em meio a todo aquele caos mantinham a harmonia gerando um tipo bizarro de beleza.

A doce sinfonia infernal só parou quando eles saíram da redoma. Outros soldados já os esperavam dentro da câmara de descompressão. Escutou-se uma voz gritando na multidão:

- Eles estão atacando vários pontos da cidade, defendam a cúpula até que os reforços cheguem!

A câmara se encheu vagarosamente de agua. e depois se abriu. Eles estavam do lado de fora. Os soldados finalmente a deixaram. Todos estavam ocupados demais exercendo suas funções para carrega-la de cima para baixo. Nenhum deles havia sequer notado sua presença, com exceção de um deles. Um homem com um pouco mais de um metro e meio. Usava um capacete muito maior que sua cabeça que chegava a cobrir os seus olhos. Tinha um nariz torto e em sua boca faltava um dente da frente. Ele olhava para ela sorrindo de orelha a orelha. Se aproximou da jovem e falou com uma voz que ecoava em na cabeça:

- Você chegou ao campo de batalha movida unicamente pela força do destino. Se eu não tivesse visto com meus próprios olhos não teria acreditado. Vocês realmente se atraem. Eu não costumo se assim generoso, mas já que nos encontramos aqui - Falou tirando o capacete da própria cabeça e colocando na dela - espero que se divirta!

O homenzinho feio desapareceu no meio dos outros soldados. A situação toda foi tão bizarra que Elizabeth nem se questionou como aquele homem conseguia falar embaixo da agua. Todos os outros soldados usavam máscaras de mergulho modernas que permitiam a comunicação, aquele sujeito, entretanto, era o único que usava um capacete militar comum.

Não havia tempo para pensar, a garota viu soldados correndo ao mesmo tempo que sentia uma intensa vibração no chão. Ela olhou para o lado e viu um homem de aproximadamente dez metros correndo em direção a parede da cúpula jogando seu ombro contra ela. a cidade inteira tremeu. Um militar tirou um tipo de pistola do bolso e atirou para o alto. Parecia um tipo de sinalizador projetado para funcionar embaixo da agua. Era tudo tão confuso. Dois disparos saíram não se sabe de onde. Uma rede havia sido disparada contra o gigante. Ela o conteve por alguns segundos, mas ele logo se soltou. Furioso começou a tentar esmagar todos os homenzinhos que via pela frente.

Infelizmente um desses homenzinhos era Elizabeth. Que viu um enorme pé em cima da sua cabeça se aproximando rapidamente. O esmagamento seria eminente, entretanto uma porção de bolhas brotaram das costas da garota e subiram para o alto. explodindo todas ao mesmo tempo ao encostar no pé do gigante. O homem urrou de dor, digo pereceu urrar, o som não saiu por estar embaixo da agua.

a atenção de todos estavam em mim. Todas aquelas pessoas que haviam me empurrado de um lado para o outro sem, sequer, notar minha existência havia parado tudo para olhar para mim. O gigante também parou. Havia me reconhecido como a origem daquela agressão e direcionou toda a sua fúria para mim. Eu não sabia o que tinha feito. E duvidava que pudesse fazer algo parecido para me salvar de novo.

Felizmente, antes que ele pudesse desferir qualquer golpe, caiu desacordado no chão. Os homens comemoraram. Fiquei confusa, o que havia acontecido? Noto surgir de trás do gigante nocauteado uma mulher muito alta. Ultrapassava os dois metros de altura. cabelos grisalhos e pele clara. Tinha um ar nobre e carregava o mesmo olhar vazio do rapaz que viva na casa de Péricles. Ela veio em minha direção. Me sentindo ameaçada gritei:

- Quem é você?

Sem parar de caminhar, a mulher disse em um tom robótico e assustador:

- Me chamo Minerva Cortez.

Ela finalmente chegou até mim. Não sei bem porque, mas fiquei paralisada de medo. Minerva tirou um alfinete que espetava a sua roupa, removeu educadamente o capacete que estava na minha cabeça e perfurou minha testa. Devagar e dolorosamente. Não sei em que momento desmaiei, mas a próxima memória que tive foi acordar no consultório de Maia com a própria, Cilas, Péricles e Iris a minha volta com expressões confusas e preocupadas.
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MensagemAssunto: Re: Brincadeira: inventar história 1   20/9/2017, 09:11

Ela não se lembrava com muita nitidez do que tinha acontecido, só lembrava de muitas pessoas que olhavam para ela e pareciam lhe aplaudir. lembrava-se também de um tremor grande, causado por alguma coisa que batia com força no chão do oceano, mas a memória mais nítida que tinha era de um vulto alto quase inteiramente branco como a luz e então uma dor aguda na sua testa.

- Como pode? - disse péricles para Cilas. - Ela disse que não nada sabia sobre feitiços, como foi então que conseguiu derrubar aquele colosso?

- Será que ela é uma espiã da superfície? Ela pode estar aqui para coletar informação para os humanos. - disse íris

- Fiquem quietos vocês, não veem que ela já acordou? como você está querida? - disse maia. - consegue se levantar?

- Oque aconteceu? - perguntou elizabeth enquanto se sentava na cama, cada célula de seu corpo doía - a cidade ainda está sendo atacada?

Péricles e Cilas trocaram olhares, todos pareciam temerosos em responder a pergunta, elizabeth percebeu que todos estavam espantados e olhavam pra ela com uma cara que misturava admiração, medo e desconfiança, ninguém respondeu de imediato, mas como estavam no consultório de maia deduziu que ainda estavam em aquopolis e como não haviam tremores ela pensou então que a cidade havia resistido ao ataque de atlântida. mas se a cidade havia resistido, porque todos olhavam para ela com aquela expressão?

- A cidade está bem... - confirmou maia - os soldados de atlântis recuaram depois que você... depois que você derrotou o colosso, eu sei que você ainda deve estar cansada mas você tem que explicar algumas coisas.

Maia ainda não tinha acabado de falar quando elizabeth percebeu movimento na porta, observou quatro homens entrarem no consultório, vestindo armaduras do que aparentava ser ouro e empunhavam lanças que mais pareciam feitas de gelo, e atrás deles entrou uma mulher com cabelos grisalhos e rosto branco, trajando vestes brancas tão ornamenta quanto a armadura dos cavaleiros, tinha pendurado no pescoço um colar com um simbolo semelhante ao que estava moldado no peito dos soldados. Um triângulo falhado de um dos lados.

Ao reconhecer a mulher que lhe espetara o alfinete na sua testa anteriormente, levantou imediatamente, mas antes de poder exclamar qualquer coisa ela sentiu uma tontura e desmaiou nos braços de maia.

Acordou encostada no mastro do barco em que estava com seu pai, depois de piscar um par de vezes e esfregar os olhos algumas pelo menos umas três vezes, ela levantou e foi de encontro ao seu pai, que estava parado junto ao manche e sorria para ela, estava cheia de vontade de lhe dar um abraço, e de contar o sonho maluco que tinha acabado de ter mas conforme ia andando para perto dele, começou a se sentir mais pesada... e que gozado, parecia que seu pai estava se distanciando mais ainda, em vez de se aproximar, ela então parou e olhou ao redor.

Algo estava errado, não havia ninguém no barco, nem nenhum dos equipamentos que usavam para observar o mar e os peixes, tudo parecia frio, até a luz do sol parecia estar mais fraca, como se nuvens estivessem bloqueado o sol embora não tivesse nenhuma nuvem no céu, quando ela olhou para o mar, tinha ficado negro, como se o azul do céu não se refletisse mais nele, percebeu também que eles estavam afundando pouco a pouco e que logo o barco estaria completamente debaixo da água.

Então pensou em seu pai, e se virou para olhá-lo, mas quando o fez, quem estava no lugar já não era mais ele, e sim um homem bem mais alto, vestido com vestes marrons, ombreiras de ouro que lembravam tentáculos, também tinha um símbolo na barriga feito do mesmo material, algo parecido com um F, só que muito deformado, como se alguém tivesse o tentado transformar-lo em uma outra letra, e na sua cabeça uma máscara de polvo feita também de ouro.

Ao ver que aquele homem se aproximava dela ela tentou, se afastar caminhando de costas, mas não adiantava, seus passos pareciam não tirá-la do lugar, pois sempre estava perto do mastro não importava o quanto se movia, como não podia ir para frente ou para trás resolveu então escalar o mastro, e para sua surpresa ela conseguiu, começou a subir até alcançar o topo, e quando chegou lá olhou para baixo, o homem havia desaparecido, mas do mar acabavam de sair tentáculos negros e longos, suficientes para alcançarem o céu que tinha mudado de azul para um verde musgo, e agora também haviam nuvens da mesma cor da água.

- Não adianta... - sussurrou uma voz, mas elizabeth não conseguiu identificar de onde veio. tentou perguntar de quem era, mas nenhuma palavra saia de sua boca. - impedir a guerra... ela levará as pessoas amadas... - a voz parecia melancólica e ecoava por dentro de sua cabeça. - você falhará...

Quando elizabeth olhou para baixo novamente percebeu que o barco já estava completamente embaixo d'água, a única parte acima da água era o mastro onde ela estava, e a água se aproximava, quando tudo parecia estar perdido ela fechou os olhos e desejou voltar ao barco com seu pai.

Quando ela abriu os olhos ainda aparentava estar no consultório de maia, e sentada ao lado de sua cama estava a mulher de cabelos grisalhos e rosto pálido, minerva cortez.

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MensagemAssunto: Re: Brincadeira: inventar história 1   20/9/2017, 15:37

Os olhos de Minerva estava fechados e seu rosto, sereno. Elizabeth sentou-se na cama, sem tirar os olhos da mulher, e observou seu rosto com atenção, e nesse exato momento, Minerva abriu os olhos e olhou em sua direção. As íris de seus olhos eram prateadas e não havia sinal de pupila, seus olhos pareciam pérolas.
Se lembrou da história que Péricles havia lhe contado. Aquela mulher era poderosa, apenas sua presença já deixava isso claro.

- Elizabeth Morel. - Ela disse, sua voz parecia metálica e fria, talvez até um pouco hostil.

Elizabeth esperou alguns segundos, então percebeu que a mulher não falaria mais nada.

- Sim. A senhora é Minerva Cortez, certo? - Perguntou educadamente, porém cautelosa, sua mente lhe alertava para tomar cuidado com aquela pessoa.

Minerva assentiu, mas permaneceu calada e continuou a observá-la; Elizabeth sentiu-se desconfortável sob seu olhar.

- Você é uma feiticeira, não é mesmo? - Minerva finalmente disse, Elizabeth apenas concordou com a cabeça. - Soube que não sabia disso até recentemente, e que também não sabia usar seus poderes. - O olhar dela se tornou mais intenso. - Isso não foi o que me pareceu ontem, entretanto.

Um flash rápido passou por sua mente: soldados, um gigante, bolhas explosivas brotando de suas costas; ok, então talvez Minerva não estivesse errada em desconfiar, mas isso não significava que ela estivesse certa.

- Eu não sei como fiz aquilo. - Admitiu, a voz firme.

- Imaginei. - O tom de sua voz foi ríspido, mas não parecia ameaçador. - Mas você sabe agora, não sabe? Não pode fugir da realidade, acredito que seu destino deve estar bem claro agora.

Uma parte de Elizabeth queria negar, queria exclamar que ela era apenas um humana comum e que aquilo era loucura, mas todos os acontecimentos recente passaram rapidamente em sua mente, ela sabia a verdade.

Desviou o olhar para o colchão, apertando a mão.

- Eu sei. - Respondeu, relutante.

Elizabeth respirou fundo e recostou-se no travesseiro. Passaram-se alguns segundos silenciosos.

- Parecia estar tendo um sonho interessante. - Minerva comentou, atraindo o olhar surpreso de Elizabeth. - Sobre o que era?

Pela expressão no rosto de Minerva, Elizabeth sabia que não devia mentir, nada passaria despercebido por aquela mulher.

- Um homem. - Falou. - Um homem com vestes marrons e um capacete e ombreiras de ouro que me lembravam polvos.

A expressão de Minerva alterou-se, tornando-se mais sombria, porém seu olhar parecia distante.

- Morgeu. - Ela sussurrou.

A sombra se dissipou do rosto de Minerva e ela se levantou, sua altura impressionando Elizabeth, que esqueceu-se de como a mulher realmente era alta.

- Cillas. - Chamou.

Elizabeth viu a porta do quarto se abrir e Cillas entrou na sala, fez um pequena reverência à Minerva e aproximou-se da cama.

- Virei buscá-la em uma hora, esteja pronta. - Ela disse, então se virou e caminhou em direção à porta.

- Pronta? - Elizabeth questionou, confusa. - Pronta para quê?

Minerva parou em frente a porta e lhe lançou um último olhar, então, antes de sair, disse:

- Você não acha que pode lutar assim em uma guerra, não é? Nós iremos treinar.
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MensagemAssunto: Re: Brincadeira: inventar história 1   24/9/2017, 17:36

O TEMPO PASSOU rápido. Elisabeth pediu para que todos saíssem do quarto e a deixassem sozinha - assim, podia pensar. Não conseguiu ir muito longe, claro. Lembrou-se das bolhas saindo de suas costas, como se ela tivesse dado um salto abrupto. Imaginou-se socando o pé do gigante.

Tudo confuso. A garota ficou dando soco na própria cabeça para ver se o mundo voltava ao normal. Tentou deitar e dormir mais um pouco, para ver se esquecia tudo, mas o sono simplesmente não veio.

Ela não conseguia parar de pensar em seu pai. Ele deve estar vivo. 

Aquele pesadelo estava tentando lhe dizer alguma coisa. Algo relacionado a seu pai - e a Morgeu, quem quer que fosse.

Quando percebeu, Minerva Cortez já tinha vindo buscá-la.

Minerva levou Elisabeth para fora do edifício, e depois a guiou para a parte de trás, a passos largos. Elisabeth tentava acompanhar, a passos pesarosos. Não ousou perguntar aonde iriam. Isso só iria confundir mais ainda a sua cabeça.

Quando chegaram em seu destino, ficou sem ar. Estavam em frente a uma... nave espacial?!

Não. Parecia uma nave espacial. Elisabeth não entendia muita coisa de mecânica/tecnologia/essas coisas - a sua especialidade eram os seres vivos do oceano, graças a seu pai - mas ela podia notar que o veículo era construído para se locomover embaixo d'água, nas profundezas do oceano. Tinha um design elegante e curvas suaves, que faziam lembrar uma arraia azulada, dois motores acoplados no lado de cima e um leme atrás. Ela supôs que deveria ter algum regulador de pressão em algum lugar na nave também. Talvez do lado de dentro.

Minerva notou o deslumbramento da garota.

- Bonita, né? Cortesia da realeza. Exceto pelo fato de que foi roubada de Atlântida.

O queixo de Elisabeth caiu.

- Existem mais dessa?

A mulher riu.

- Claro. A tecnologia huma'nee é conhecida por suas elegâncias.

Minerva subiu e abriu a escotilha, e acenou para que Elisabeth subisse e adentrasse a nave.

O veículo também era deslumbrante por dentro - tinha paredes suaves e brilhantes, como madrepérola. Era como se estivessem dentro de uma concha. Haviam alguns controles e um volante na frente de um painel em meia-lua que dava para o exterior. Dali, podia-se ver a cidade e a borda da cúpula.

- Pode sentar - disse a mulher de branco.

Elisabeth notou duas cadeiras na frente do painel e dos controles. Havia também camas dobráveis nos dois lados da parede.

Ela sentou-se em uma das camas e esperou enquanto a rainha fazia a "decolagem" - se é que podia chamar assim. A nave se ergueu do solo e deu um impulso para frente, indo em direção à borda da cúpula.

Estava indo em uma velocidade muito alta em direção à cúpula.

- Mas que louca! - Elisabeth gritou. - Vamos bater!

Minerva riu e clicou em um botão antes da nave se "chocar"... e então a nave - e tudo que tinha dentro - pareceu se desmaterializar. Elisabeth não sentiu mais o próprio corpo. Ela olhou para os lados, mas só viu a cúpula se aproximando... e então a atravessou. Literalmente.

A nave se materializou novamente depois de atravessar a redoma. Elisabeth estava com os olhos esbugalhados.

- Como...

- E essa é apenas uma das poucas coisas que essa belezinha pode fazer. - Minerva abriu um sorriso.

A nave deslizou pela água sem alterar a velocidade. Era calma, como um peixinho. Elisabeth, no entanto, tinha a sensação de que alguma coisa grande estava para acontecer.

- Para onde vamos? - perguntou, finalmente.

Minerva sorriu.

- Para um lugar que eu gosto de ir para meditar.

***


LEVOU-SE MAIS OU MENOS DEZ MINUTOS de viagem. A parada e o estacionamento da nave - embora não fizesse muito barulho, já que estava embaixo d'água - acordou Elisabeth de um cochilo.

Minerva estacionou a nave, levantou-se e, clicando em um botão, abriu uma escotilha redonda, que antes parecia invisível, no meio do chão. A abertura dava para a água, que ondulava calmamente.

Ela se levantou e convidou Elisabeth a descer ali, acenando a mão.

- Vamos descer.

Elisabeth ficou nervosa.

- Sem uma roupa de mergulho? A pressão não vai nos matar?

A mulher riu.

- Uma roupa de mergulho só nos atrapalharia. A pressão não vai nos incomodar.

- Mas...

Minerva pulou na água.

- Venha! A água não vai te matar.

Elisabeth se aproximou da beira da abertura e começou a entrar na água - uma perna por vez. A água estava fria. O frio não a incomodava, mas ainda assim era um pouquinho irritante.

Minerva suspirou.

- Não tenha medo. É melhor você vir logo, antes que eu feche essa escotilha na sua cabeça. - E então submergiu.

Apreensiva, Elisabeth puxou o máximo de ar que conseguiu nos seus pulmões e mergulhou na água fria.

Prender a respiração no começo não é tão ruim. Não arde, e toda a energia acumulada é gasta imediatamente. Mas, à medida que os segundos passam, o ardor começa a vir gradualmente, cada vez mais e mais forte.

Estranhamente, Elisabeth podia ver bem embaixo d'água. Podia ver nitidamente Minerva flutuando na sua frente, seu vestido branco em ondas ao redor de seu corpo, e seus olhos se revirando.

- Elisabeth Morel. - Sua voz era clara, embora parecesse reverberar no fundo do cérebro, e não nos ouvidos. - Você consegue respirar debaixo d´água.

No começo a garota parecia apreensiva, mas o ardor nos pulmões já não a apetecia mais. Além disso, já respirara água antes. Nada teria mudado, teria?

Elisabeth aspirou um pouco de água pelo nariz - e de fato, era como se aspirasse ar. Sua laringe não ardeu. Podia sentir a água cobrindo seus alvéolos pulmonares, aliviando o ardor e dando oxigênio. Uma sensação de prazer e de paz preencheu o seu corpo. Faz tempo que não se sentia tão bem.

Uma sensação tão boa... Como se o seu pai estivesse acabado de dar um abraço caloroso.

Ele ainda está vivo. Deve estar.

Minerva percebeu a tristeza de Elisabeth. Ela colocou a mão em seu ombro.

- Vamos. Estamos perto.





(Desculpa pelo tamanho. Fiquei inspirada xD)
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MensagemAssunto: Re: Brincadeira: inventar história 1   7/10/2017, 05:31

A duas nadaram por alguns minutos até chegarem a uma caverna submarina.

- Aqui estamos nós, na boca do diabo. Esses recursos tecnológicos deixam a gente mal acostumada. Antigamente levava uns dois meses para chegar até aqui. - Disse Minerva enquanto se alongava.

A boca do diabo. Elizabeth se lembrava desse nome. Era o lugar que Péricles sugeriu que ela fosse para descobrir a verdadeira natureza dos seus poderes.

- Entremos - disse a mulher grisalha já se dirigindo para a caverna.

Elisabeth a seguiu. Era um lugar maravilhoso. Haviam rochas peculiares em todas as direções e no centro da caverna havia um planalto. As duas foram nessa direção.

Quando lá chegaram, Elizabeth percebeu que o lugar estava envolto em uma bolha. Minerva avançou e começou a penetrar vagarosamente por ela. Quando atravessou, seus cabelos e vestido que ondulavam suavemente junto com a agua pararam. Naquele momento, a jovem constatou o óbvio. A bolha estava cheia de ar. A garota ficou tão distraída com sua realização que demorou a perceber que a senhora fazia gestos para que ela entrasse também.

Elizabeth estava receosa. Encostou a ponta do dedo na bolha e a pressionou. Seu dedo atravessou, entretanto, nesse momento, uma voz ecoou em sua cabeça:

- Atenção. Apenas entidades de sangue desprezível ou superior são autorizadas a entrar nesse recinto. Caso você não se encaixe nessa descrição. retire-se imediatamente ou você será incinerada.

A garota rapidamente retirou o dedo. Minerva, que estava do outro lado da bolha, pôs a mão no rosto expressando reprovação, em seguida, fez novamente um gesto para que ela adentrasse a bolha.

Apesar de estar apavorada, a garota obedeceu. Colocou o dedo novamente e a mensagem ecoou uma segunda vez em sua cabeça. Ela sentiu vontade de tirar, mas viu a senhora gesticulando e decidiu continuar. Quando seu braço passou completamente pela bolha, Elizabeth ganhou confiança e passou rapidamente o resto do seu corpo. Quando se deu conta já estava lá dentro, no seco.

- Não precisa se preocupar com esses avisos. Você está autorizada a acessar até mesmo o ultimo nível deste lugar. - Disse Minerva em um tom reconfortante.

- Senhora Minerva! - Ouviu se um grito. Era um garoto ruivo que deveria ter uns 14 anos de idade que corria na direção das duas.

-Calisto. - Disse a senhora com um sorriso no rosto. - Peça desculpas a moça.

O adolescente se virou para Elizabeth, fez um gesto formal e disse:

Me desculpe por ontem.

- Quem é você? - Questionou Elizabeth.

- O gigante de ontem. - Respondeu Minerva.

- Não se preocupe, ele está do nosso lado agora. - completou

- Nós estamos com um pouco de pressa, aguarde aqui enquanto vamos ao centro da cúpula. - Disse a mulher uma ultima vez, já se despedindo de Calisto.

As duas andaram em direção ao centro da cúpula, entretanto, no meio do caminho havia outra bolha. Minerva a penetrou. Elizabeth foi fazer o mesmo, mas ao encostar na bolha escutou a seguinte mensagem:  

- Atenção. Apenas entidades de sangue impuro ou superior são autorizadas a entrar nesse recinto. Caso você não se encaixe nessa descrição. retire-se imediatamente ou você será incinerada.

A garota olhou para Minerva, esperando uma confirmação se podia entrar. A senhora levantou o polegar. A jovem, então penetrou rapidamente a bolha.

Lá dentro, as esperava um homem, com aproximadamente um metro e setenta de altura, vestido de cinza, com uma coroa também cinza em sua cabeça. Ele se aproximou das duas e disse:

- Está tendo um dia agradável senhora Minerva? - Se ajoelhou na frente dela e deu um beijo em sua mão. Ato que não era necessário considerando a altura descomunal daquela mulher.

- Tornou-se agora, pois eu encontrei você Sol. - Respondeu Minerva com um sorriso no rosto.

- Esta garota é o objetivo B? - Perguntou o homem.

- precisamente. - Respondeu a mulher.

Ele olhou para Elizabeth e disse em tom paternal:

- A essa altura você já deve saber quem eu sou. Haverá espaço para perguntas quando chegarmos ao centro do circulo.

- Este é o limite de onde posso chegar - Disse Minerva - Ele será o seu guia daqui pra frente.

Elizabeth e Solomon começara a caminhar para o centro da cúpula. A garota examinava o homem de cima a baixo. Ao contrário de Minerva, que tinha uma aura quase celestial, aquele sujeito não parecia tão impressionante quando olhado de perto.

Ao perceber que estava sendo encarado, o homem sorriu para a garota e disse:

- Você deve ter ouvido histórias maravilhosas a respeito de mim, não é? Era tudo mentira! Mas não espalha isso por ai. Eu adoro todos me olhando como se eu fosse um herói.

- Que coisa esquisita para se dizer. Falou Elizabeth.
   
Ele deu um sorriso e seguiu olhando para frente. Os dois chegaram a uma terceira bolha.

- Primeiro as damas. - Disse Salomon.

Quando encostou na bolha, a garota escutou uma terceira mensagem ecoar em sua cabeça:

- Atenção. Apenas entidades de sangue puro são autorizadas a entrar nesse recinto. Caso você não se encaixe nessa descrição. retire-se imediatamente ou você será incinerada.

Dessa vez ela não hesitou. Entrou na bolha de uma vez só. Lá dentro, se deparou com a enorme estátua de  um leão em posição imponente de boca aberta.

Bonito, não é? - Elizabeth se assustou ao perceber que Solomon já estava do seu lado. - Não precisa ter medo.  Coloca o bracinho na boca do leão. Disse o homem.

Que sujeito mais esquisito. A garota olhou para a estátua, viu como os seus dentes eram afiados e fez um gesto negativo com a cabeça.

- Não precisa ter medo. Ele não vai arrancar seu braço. Pode confiar em mim. - disse o homem.

Elizabeth colocou vagarosamente o braço na boca do leão. Como nada aconteceu a garota ficou mais confiante e disse:

- E agora?

Um alto rugido foi escutado dentro da bolha e a boca do leão se fechou. A jovem deu um grito ao sentir seu braço ser perfurado. O seu sangue escapava pela boca da estátua.

- Mantém... Mantém... Pronto. Pode tirar. - Disse o homem enquanto olhava para um relógio de bolso.

A boca do leão se abriu. Quando Elizabeth tirou o braço viu que ele estava intacto. Sem nenhuma marca da mordida da estátua.

-Eu falei que a estátua não ia arrancar seu braço - Disse Salomon em tom de gargalhada.

A garota sentiu vontade de socar o rosto do homem, mas antes que pudesse fazer isso, viu seu sangue borbulhar no chão.

- Está acontecendo. - Disse ele em tom sério.
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Brincadeira: inventar história 1

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