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 Crianças transgêneras

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Gabriel F.S
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MensagemAssunto: Re: Crianças transgêneras   27/4/2018, 00:55

Ace Ventura escreveu:
Gabriel F.S escreveu:
Blz, mais pessoas religiosas confiam em médicos, como pessoa que acreditam em conspirações também, continuo achando que foi uma tentativa de me ofende, como se minha opinião fosse formada a base de algo que acredito ou creio, quando na verdade não tem nada ave com as minhas crenças ou ideologias, enfim pelo menos suo assim para mim.

Existem pessoas religiosas que não confiam em médicos, preferem "tratamentos alternativos", coisas espirituais, magnéticas, energias, etc.
E existem pessoas que acreditam em teorias de conspiração, e tais teorias geralmente espalham desconfiança contra qualquer autoridade, incluindo médicos. Se os médicos são Iluminattis, reptilianos, se vieram em disco voador, se as vacinas são feitas pra causar doenças nas pessoas e matar o povo, pra mim dá no mesmo, é teoria de conspiração do mesmo jeito.

Existe bastante texto sobre o tema aqui: https://en.wikipedia.org/wiki/Vaccine_controversies .

Se você não quer responder o motivo de você não confiar, beleza.

Sim ace verdade, talvez tenha te entendido errado, mais agora vendo que n foi sua atenção me ofende, foi mal ai murrinho


Última edição por Gabriel F.S em 1/5/2018, 17:59, editado 1 vez(es)
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Miki-chan
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MensagemAssunto: Re: Crianças transgêneras   1/5/2018, 00:21

Pois bem, não fui eu que comecei o assunto, mas vcs falaram em transgeneridade num lugar aberto, ao qual eu, uma pessoa trans, tenho acesso, então se preparem pro textão kkkkkkkkk
Pra começar, posso estar errada, mas até onde eu sei, não se toma hormônios, faz cirurgia ou altera seu corpo de qq outra forma antes dos 18 anos, o q menores de idade podem tomar com permissão dos pais e médicos são bloqueadores hormonais, eles atrasam a puberdade, impedem crescimento de pêlos, mudança de voz, seios, essas coisas. Isso até os 18 anos, se a pessoa mudar de ideia, ela pode só parar de tomar e se desenvolver normalmente, senão, aí sim ela toma os hormônios pra se desenvolver como o gênero com o qual se identifica. Então não, não se faz alteração nenhuma no corpo de menor de idade, atrasar a puberdade impede que a pessoa desenvolva características sexuais secundárias, ou seja, ela não parece homem ou mulher, fica neutra como uma criança por mais tempo, o que dá à ela uma liberdade significativamente maior pra se vestir e comportar como o outro gênero sem ser notada. E é a partir dessa experiência, de viver a adolescência como o gênero com o qual se identifica, que ela realmente decide se quer ou não fazer a transição.
Obviamente eu só posso falar por mim mesma, pela minha experiência, que pode parecer pouca, considerando que faz só alguns meses que descobri que sou trans, mas a verdade é que eu já sofria com isso desde que encarei a realidade da divisão de gêneros pela primeira vez, ou seja, desde que sei o que é "menino" e "menina", desde os três ou quatro anos de idade. Como disse, só posso falar diretamente por mim, mas tenho também o que pesquisei, e segundo ambas as fontes, apesar de cada um experimentar a noção de gênero de sua própria forma, sim, as crianças sabem o que são.
Tem centenas, milhares de exemplos na internet de como crianças desde cedo diziam para os seus pais coisas como "eu sou menino(a)" (com o gênero oposto ao sexo, obviamente). E eu mesma, de certa forma, sabia o que era, ou melhor, o que eu queria ser. Meu pai, machista e homofóbico como eu já disse milhares de vezes e não canso de repetir, me ensinou bem cedo o que significa "menino", "menina" e "viado". Resumindo, enfiaram bem, bem fundo na minha cabeça que o que definia meu gênero estava entre as minhas pernas, e eu sabia que "era um menino", mas odiava aquilo, não queria ser menino, não queria de jeito nenhum, escondia os genitais entre as pernas e me olhava no espelho, desejando pela minha vida que aquilo não estivesse ali. Eu só queria ser uma menina, sonhava com isso, mas nunca tive a coragem pra contar, o medo era grande demais, qualquer sinal diferente, qualquer gosto fora dos estereótipos de gênero eram motivo pra violência verbal, e se eu dissesse algo assim, certamente seria também física.
Tive muitos problemas por isso e evoluí de uma forma estranha, me arrependi de algumas coisas... Quem se interessar, pode ler esse post em que eu falo um pouco da minha vida, normalmente escrevo essas coisas só pra mim e depois apago, mas dessa vez resolvi postar: https://assexualidade.forumeiros.com/t3881-deu-vontade-de-escrever-leia-se-quiser-p
Aviso que o texto é grande (como de costume pra mim, escrever pouco é uma arte que não domino), e pra não perder o foco aqui, não vou me aprofundar nisso, mas o que quero dizer, é que sim, as crianças sabem com que gênero se identificam, com quais outras crianças elas se identificam, com quem elas querem parecer quando crescerem. Gênero não é algo social, as formas de se expressar o gênero são, mas gênero é algo intrínseco à nós (exceto pros agêneros lol, da mesma forma que sexualidade é algo intrínseco e extremamente profundo para os alos, mas não pra nós aces), e gostar de rosa ou de azul, de carrinho ou de boneca, são apenas formas de expressar isso, de fato, um menino pode gostar de bonecas e uma menina pode gostar de carrinhos, e não ter nada a ver com gênero, afinal a expressão do gênero é social, e se a sociedade dissesse que meninos tem que gostar de rosa e meninas de azul, nada mudaria. Mas como o ace disse, não é só gostar de alguma coisa, pelo menos não sempre, quando uma menina quer se vestir de princesa, gosta de rosa e só quer amigas meninas, inconscientemente ela não está só fazendo isso por gostar, talvez ela goste de tudo isso, mas talvez ela nem goste de rosa e só queira ser como as outras meninas. Porque ela se identifica com elas, se identifica com esse gênero, e mesmo que tenha algo diferente, quer ser aceita nesse grupo antes de pensar em quebrar as regras.
A questão é que não se trata de as crianças responderem como adultos pra decidir de que gênero são (como seria na maioridade penal). Se trata de gênero ser algo tão profundo nas pessoas, que elas não precisam de raciocínio pra definir isso, não precisam pensar, não precisam decidir, é instintivo, se a criança for criada num ambiente aberto, em que nada é forçado nela, ela vai se comportar como o gênero interno dela. E isso é ser trans, não é decidir mudar de gênero, não é pensar sobre seu papel social, não é racional, é simplesmente ser. Eu sou mulher, e sou trans, mas sou mulher antes de ser trans, porque internamente eu sempre fui mulher, e sempre vou ser, o que faço com meu corpo pra refletir isso é outra coisa.
É verdade que as crianças não tem capacidade pra decidir fazer algo como cirurgia de redesignação ou reposição hormonal, e é por isso que elas não fazem. Os papéis sociais de gênero e a expressão dele não são perfeitos, até porque cada um expressa seu gênero de uma forma, e isso pode gerar confusão, alguém pode muito bem ser mulher e se expressar de maneiras tipicamente masculinas, sem que isso influenciei no seu gênero, e vice-versa. No contexto geral, os papéis sociais funcionam, ou não estaríamos há milhares de anos seguindo papéis parecidos, mesmo em civilizações completamente separadas, mas como já disse, são imperfeitos, rígidos demais e incompletos, e por isso estão começando a ser questionados (e devem ser mesmo). Isso pode confundir alguém, essa pessoa pode acabar se identificando erroneamente como do gênero oposto só porque se expressa de forma próxima àquele gênero, sem necessariamente fazer parte dele, mas é justamente pra isso que a possibilidade de reposição hormonal e futura cirurgia só vem aos dezoito anos.
Na maioria esmagadora dos casos, nós sabemos desde cedo à que gênero pertencemos, mas pra essas ocasiões muito particulares de confusão, existe esse período da adolescência em que se passa vivendo como o outro gênero. Pra experimentar, saber se é isso mesmo que se quer, e mesmo depois de começar a reposição hormonal, não é impossível parar, alguns efeitos podem ser permanentes, mas a cirurgia só vem depois de anos. E à essa altura já estamos falando de adultos, as pessoas podem cometer erros, se enganar e se arrepender, mas não dá pra decidir por elas, principalmente em algo que só elas podem realmente saber.
Eu me identifiquei rápido depois que entendi o que era disforia, parecia estar lendo uma descrição detalhada de tudo o que sentia e nunca fui capaz de explicar, mas mesmo assim pensei muito nisso, muito meeeeeesmo antes de me considerar trans. Porque é algo muito sério, muito importante, e só eu podia decidir meu futuro. Atrasar a puberdade de uma criança praticamente não tem efeitos colaterais fisicamente (se tiver algum, eu não conheço, mas deve ter aquele um em um milhão com azar), e experimentar com seu gênero não gera qualquer dano psicológico, no máximo os adolescentes ficam constrangidos de dizer pros pais que mudaram de ideia kkkk Mas isso não traz efeitos à longo prazo, pelo menos não negativos, na verdade faz a pessoa ser bem mais tolerante e aberta em relação aos outros, o que na minha opinião é ótimo. Claro que uma pessoa cis que vivesse como trans por um tempo poderia sofrer preconceitos desnecessários, mas aí já é outra história, a sociedade em geral não deveria ter preconceitos, não somos nós que temos que nos encaixar.
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MensagemAssunto: Re: Crianças transgêneras   1/5/2018, 09:32

Esse assunto, sobre criança ser trans, é muito complexo. A criança precisaria ser atendida por um bom psicólogo e psiquiatra, ambos trabalhando juntos e sem competitividade (o que ocorre muito nesse meio). Além disso, antes de começarmos a debater precisamos ter trêss coisas em mente: a criança não tem que se "descobrir" quando adulta (isso se encaixa perfeitamente também em orientação); caso a criança pretende querer começar um tratamento hormonal, ela só vai poder fazer uso quando for maior de 18 ou 21 (depende do médico), pois é quando o nossos corpos atingem maturidade; e também, os estudos biológicos sobre pessoas em um geral ligados a orientação, gênero, é totalmente deixo de lado, ninguém vai querer estudar como os nossos hormônios e sinapses funcionam, pois vão acabar descobrindo que isso é natural de se acontecer.
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Gabriel F.S
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MensagemAssunto: Re: Crianças transgêneras   1/5/2018, 18:28

Miki-chan escreveu:
Pois bem, não fui eu que comecei o assunto, mas vcs falaram em transgeneridade num lugar aberto, ao qual eu, uma pessoa trans, tenho acesso, então se preparem pro textão kkkkkkkkk
Pra começar, posso estar errada, mas até onde eu sei, não se toma hormônios, faz cirurgia ou altera seu corpo de qq outra forma antes dos 18 anos, o q menores de idade podem tomar com permissão dos pais e médicos são bloqueadores hormonais, eles atrasam a puberdade, impedem crescimento de pêlos, mudança de voz, seios, essas coisas. Isso até os 18 anos, se a pessoa mudar de ideia, ela pode só parar de tomar e se desenvolver normalmente, senão, aí sim ela toma os hormônios pra se desenvolver como o gênero com o qual se identifica. Então não, não se faz alteração nenhuma no corpo de menor de idade, atrasar a puberdade impede que a pessoa desenvolva características sexuais secundárias, ou seja, ela não parece homem ou mulher, fica neutra como uma criança por mais tempo, o que dá à ela uma liberdade significativamente maior pra se vestir e comportar como o outro gênero sem ser notada. E é a partir dessa experiência, de viver a adolescência como o gênero com o qual se identifica, que ela realmente decide se quer ou não fazer a transição.
Obviamente eu só posso falar por mim mesma, pela minha experiência, que pode parecer pouca, considerando que faz só alguns meses que descobri que sou trans, mas a verdade é que eu já sofria com isso desde que encarei a realidade da divisão de gêneros pela primeira vez, ou seja, desde que sei o que é "menino" e "menina", desde os três ou quatro anos de idade. Como disse, só posso falar diretamente por mim, mas tenho também o que pesquisei, e segundo ambas as fontes, apesar de cada um experimentar a noção de gênero de sua própria forma, sim, as crianças sabem o que são.
Tem centenas, milhares de exemplos na internet de como crianças desde cedo diziam para os seus pais coisas como "eu sou menino(a)" (com o gênero oposto ao sexo, obviamente). E eu mesma, de certa forma, sabia o que era, ou melhor, o que eu queria ser. Meu pai, machista e homofóbico como eu já disse milhares de vezes e não canso de repetir, me ensinou bem cedo o que significa "menino", "menina" e "viado". Resumindo, enfiaram bem, bem fundo na minha cabeça que o que definia meu gênero estava entre as minhas pernas, e eu sabia que "era um menino", mas odiava aquilo, não queria ser menino, não queria de jeito nenhum, escondia os genitais entre as pernas e me olhava no espelho, desejando pela minha vida que aquilo não estivesse ali. Eu só queria ser uma menina, sonhava com isso, mas nunca tive a coragem pra contar, o medo era grande demais, qualquer sinal diferente, qualquer gosto fora dos estereótipos de gênero eram motivo pra violência verbal, e se eu dissesse algo assim, certamente seria também física.
Tive muitos problemas por isso e evoluí de uma forma estranha, me arrependi de algumas coisas... Quem se interessar, pode ler esse post em que eu falo um pouco da minha vida, normalmente escrevo essas coisas só pra mim e depois apago, mas dessa vez resolvi postar: https://assexualidade.forumeiros.com/t3881-deu-vontade-de-escrever-leia-se-quiser-p
Aviso que o texto é grande (como de costume pra mim, escrever pouco é uma arte que não domino), e pra não perder o foco aqui, não vou me aprofundar nisso, mas o que quero dizer, é que sim, as crianças sabem com que gênero se identificam, com quais outras crianças elas se identificam, com quem elas querem parecer quando crescerem. Gênero não é algo social, as formas de se expressar o gênero são, mas gênero é algo intrínseco à nós (exceto pros agêneros lol, da mesma forma que sexualidade é algo intrínseco e extremamente profundo para os alos, mas não pra nós aces), e gostar de rosa ou de azul, de carrinho ou de boneca, são apenas formas de expressar isso, de fato, um menino pode gostar de bonecas e uma menina pode gostar de carrinhos, e não ter nada a ver com gênero, afinal a expressão do gênero é social, e se a sociedade dissesse que meninos tem que gostar de rosa e meninas de azul, nada mudaria. Mas como o ace disse, não é só gostar de alguma coisa, pelo menos não sempre, quando uma menina quer se vestir de princesa, gosta de rosa e só quer amigas meninas, inconscientemente ela não está só fazendo isso por gostar, talvez ela goste de tudo isso, mas talvez ela nem goste de rosa e só queira ser como as outras meninas. Porque ela se identifica com elas, se identifica com esse gênero, e mesmo que tenha algo diferente, quer ser aceita nesse grupo antes de pensar em quebrar as regras.
A questão é que não se trata de as crianças responderem como adultos pra decidir de que gênero são (como seria na maioridade penal). Se trata de gênero ser algo tão profundo nas pessoas, que elas não precisam de raciocínio pra definir isso, não precisam pensar, não precisam decidir, é instintivo, se a criança for criada num ambiente aberto, em que nada é forçado nela, ela vai se comportar como o gênero interno dela. E isso é ser trans, não é decidir mudar de gênero, não é pensar sobre seu papel social, não é racional, é simplesmente ser. Eu sou mulher, e sou trans, mas sou mulher antes de ser trans, porque internamente eu sempre fui mulher, e sempre vou ser, o que faço com meu corpo pra refletir isso é outra coisa.
É verdade que as crianças não tem capacidade pra decidir fazer algo como cirurgia de redesignação ou reposição hormonal, e é por isso que elas não fazem. Os papéis sociais de gênero e a expressão dele não são perfeitos, até porque cada um expressa seu gênero de uma forma, e isso pode gerar confusão, alguém pode muito bem ser mulher e se expressar de maneiras tipicamente masculinas, sem que isso influenciei no seu gênero, e vice-versa. No contexto geral, os papéis sociais funcionam, ou não estaríamos há milhares de anos seguindo papéis parecidos, mesmo em civilizações completamente separadas, mas como já disse, são imperfeitos, rígidos demais e incompletos, e por isso estão começando a ser questionados (e devem ser mesmo). Isso pode confundir alguém, essa pessoa pode acabar se identificando erroneamente como do gênero oposto só porque se expressa de forma próxima àquele gênero, sem necessariamente fazer parte dele, mas é justamente pra isso que a possibilidade de reposição hormonal e futura cirurgia só vem aos dezoito anos.
Na maioria esmagadora dos casos, nós sabemos desde cedo à que gênero pertencemos, mas pra essas ocasiões muito particulares de confusão, existe esse período da adolescência em que se passa vivendo como o outro gênero. Pra experimentar, saber se é isso mesmo que se quer, e mesmo depois de começar a reposição hormonal, não é impossível parar, alguns efeitos podem ser permanentes, mas a cirurgia só vem depois de anos. E à essa altura já estamos falando de adultos, as pessoas podem cometer erros, se enganar e se arrepender, mas não dá pra decidir por elas, principalmente em algo que só elas podem realmente saber.
Eu me identifiquei rápido depois que entendi o que era disforia, parecia estar lendo uma descrição detalhada de tudo o que sentia e nunca fui capaz de explicar, mas mesmo assim pensei muito nisso, muito meeeeeesmo antes de me considerar trans. Porque é algo muito sério, muito importante, e só eu podia decidir meu futuro. Atrasar a puberdade de uma criança praticamente não tem efeitos colaterais fisicamente (se tiver algum, eu não conheço, mas deve ter aquele um em um milhão com azar), e experimentar com seu gênero não gera qualquer dano psicológico, no máximo os adolescentes ficam constrangidos de dizer pros pais que mudaram de ideia kkkk Mas isso não traz efeitos à longo prazo, pelo menos não negativos, na verdade faz a pessoa ser bem mais tolerante e aberta em relação aos outros, o que na minha opinião é ótimo. Claro que uma pessoa cis que vivesse como trans por um tempo poderia sofrer preconceitos desnecessários, mas aí já é outra história, a sociedade em geral não deveria ter preconceitos, não somos nós que temos que nos encaixar.

Essa historia de criança sabe o que quer da vida, não faz sentindo nenhum pra mim, e me assusta um pouco, como já disse em uma resposta passada, o que me assusta, é que essa é mesma desculpa que um pedófilo dá quando é pego abusando de uma criança, "Não que trans sejam como pedófilo pelo amor de Deus" mais trata uma criança como adulto é ridículo e sem sentido nenhum, e quando eu vejo um mundo em que as pessoa tratam crianças como adultos, me assusta bastante. Legal sua historia e tal, mais ainda defendo que isso é uma decisão que deve ser toma quando mais velho e não quando criança, e não acho normal uma criança tomar hormônios tão novo, indo contra sua natureza, mesmo sendo bloqueadores hormonais, acho que as crianças, nem devem se preocupar com seu gênero e sexualidade nessa idade, e sim se divertir e deixa isso para o futuro, a infância é melhor fase da nossa vida e não deve desperdiçar com problemas adultos.
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MensagemAssunto: Re: Crianças transgêneras   1/5/2018, 22:06

Gabriel F.S escreveu:
Miki-chan escreveu:
Pois bem, não fui eu que comecei o assunto, mas vcs falaram em transgeneridade num lugar aberto, ao qual eu, uma pessoa trans, tenho acesso, então se preparem pro textão kkkkkkkkk
Pra começar, posso estar errada, mas até onde eu sei, não se toma hormônios, faz cirurgia ou altera seu corpo de qq outra forma antes dos 18 anos, o q menores de idade podem tomar com permissão dos pais e médicos são bloqueadores hormonais, eles atrasam a puberdade, impedem crescimento de pêlos, mudança de voz, seios, essas coisas. Isso até os 18 anos, se a pessoa mudar de ideia, ela pode só parar de tomar e se desenvolver normalmente, senão, aí sim ela toma os hormônios pra se desenvolver como o gênero com o qual se identifica. Então não, não se faz alteração nenhuma no corpo de menor de idade, atrasar a puberdade impede que a pessoa desenvolva características sexuais secundárias, ou seja, ela não parece homem ou mulher, fica neutra como uma criança por mais tempo, o que dá à ela uma liberdade significativamente maior pra se vestir e comportar como o outro gênero sem ser notada. E é a partir dessa experiência, de viver a adolescência como o gênero com o qual se identifica, que ela realmente decide se quer ou não fazer a transição.
Obviamente eu só posso falar por mim mesma, pela minha experiência, que pode parecer pouca, considerando que faz só alguns meses que descobri que sou trans, mas a verdade é que eu já sofria com isso desde que encarei a realidade da divisão de gêneros pela primeira vez, ou seja, desde que sei o que é "menino" e "menina", desde os três ou quatro anos de idade. Como disse, só posso falar diretamente por mim, mas tenho também o que pesquisei, e segundo ambas as fontes, apesar de cada um experimentar a noção de gênero de sua própria forma, sim, as crianças sabem o que são.
Tem centenas, milhares de exemplos na internet de como crianças desde cedo diziam para os seus pais coisas como "eu sou menino(a)" (com o gênero oposto ao sexo, obviamente). E eu mesma, de certa forma, sabia o que era, ou melhor, o que eu queria ser. Meu pai, machista e homofóbico como eu já disse milhares de vezes e não canso de repetir, me ensinou bem cedo o que significa "menino", "menina" e "viado". Resumindo, enfiaram bem, bem fundo na minha cabeça que o que definia meu gênero estava entre as minhas pernas, e eu sabia que "era um menino", mas odiava aquilo, não queria ser menino, não queria de jeito nenhum, escondia os genitais entre as pernas e me olhava no espelho, desejando pela minha vida que aquilo não estivesse ali. Eu só queria ser uma menina, sonhava com isso, mas nunca tive a coragem pra contar, o medo era grande demais, qualquer sinal diferente, qualquer gosto fora dos estereótipos de gênero eram motivo pra violência verbal, e se eu dissesse algo assim, certamente seria também física.
Tive muitos problemas por isso e evoluí de uma forma estranha, me arrependi de algumas coisas... Quem se interessar, pode ler esse post em que eu falo um pouco da minha vida, normalmente escrevo essas coisas só pra mim e depois apago, mas dessa vez resolvi postar: https://assexualidade.forumeiros.com/t3881-deu-vontade-de-escrever-leia-se-quiser-p
Aviso que o texto é grande (como de costume pra mim, escrever pouco é uma arte que não domino), e pra não perder o foco aqui, não vou me aprofundar nisso, mas o que quero dizer, é que sim, as crianças sabem com que gênero se identificam, com quais outras crianças elas se identificam, com quem elas querem parecer quando crescerem. Gênero não é algo social, as formas de se expressar o gênero são, mas gênero é algo intrínseco à nós (exceto pros agêneros lol, da mesma forma que sexualidade é algo intrínseco e extremamente profundo para os alos, mas não pra nós aces), e gostar de rosa ou de azul, de carrinho ou de boneca, são apenas formas de expressar isso, de fato, um menino pode gostar de bonecas e uma menina pode gostar de carrinhos, e não ter nada a ver com gênero, afinal a expressão do gênero é social, e se a sociedade dissesse que meninos tem que gostar de rosa e meninas de azul, nada mudaria. Mas como o ace disse, não é só gostar de alguma coisa, pelo menos não sempre, quando uma menina quer se vestir de princesa, gosta de rosa e só quer amigas meninas, inconscientemente ela não está só fazendo isso por gostar, talvez ela goste de tudo isso, mas talvez ela nem goste de rosa e só queira ser como as outras meninas. Porque ela se identifica com elas, se identifica com esse gênero, e mesmo que tenha algo diferente, quer ser aceita nesse grupo antes de pensar em quebrar as regras.
A questão é que não se trata de as crianças responderem como adultos pra decidir de que gênero são (como seria na maioridade penal). Se trata de gênero ser algo tão profundo nas pessoas, que elas não precisam de raciocínio pra definir isso, não precisam pensar, não precisam decidir, é instintivo, se a criança for criada num ambiente aberto, em que nada é forçado nela, ela vai se comportar como o gênero interno dela. E isso é ser trans, não é decidir mudar de gênero, não é pensar sobre seu papel social, não é racional, é simplesmente ser. Eu sou mulher, e sou trans, mas sou mulher antes de ser trans, porque internamente eu sempre fui mulher, e sempre vou ser, o que faço com meu corpo pra refletir isso é outra coisa.
É verdade que as crianças não tem capacidade pra decidir fazer algo como cirurgia de redesignação ou reposição hormonal, e é por isso que elas não fazem. Os papéis sociais de gênero e a expressão dele não são perfeitos, até porque cada um expressa seu gênero de uma forma, e isso pode gerar confusão, alguém pode muito bem ser mulher e se expressar de maneiras tipicamente masculinas, sem que isso influenciei no seu gênero, e vice-versa. No contexto geral, os papéis sociais funcionam, ou não estaríamos há milhares de anos seguindo papéis parecidos, mesmo em civilizações completamente separadas, mas como já disse, são imperfeitos, rígidos demais e incompletos, e por isso estão começando a ser questionados (e devem ser mesmo). Isso pode confundir alguém, essa pessoa pode acabar se identificando erroneamente como do gênero oposto só porque se expressa de forma próxima àquele gênero, sem necessariamente fazer parte dele, mas é justamente pra isso que a possibilidade de reposição hormonal e futura cirurgia só vem aos dezoito anos.
Na maioria esmagadora dos casos, nós sabemos desde cedo à que gênero pertencemos, mas pra essas ocasiões muito particulares de confusão, existe esse período da adolescência em que se passa vivendo como o outro gênero. Pra experimentar, saber se é isso mesmo que se quer, e mesmo depois de começar a reposição hormonal, não é impossível parar, alguns efeitos podem ser permanentes, mas a cirurgia só vem depois de anos. E à essa altura já estamos falando de adultos, as pessoas podem cometer erros, se enganar e se arrepender, mas não dá pra decidir por elas, principalmente em algo que só elas podem realmente saber.
Eu me identifiquei rápido depois que entendi o que era disforia, parecia estar lendo uma descrição detalhada de tudo o que sentia e nunca fui capaz de explicar, mas mesmo assim pensei muito nisso, muito meeeeeesmo antes de me considerar trans. Porque é algo muito sério, muito importante, e só eu podia decidir meu futuro. Atrasar a puberdade de uma criança praticamente não tem efeitos colaterais fisicamente (se tiver algum, eu não conheço, mas deve ter aquele um em um milhão com azar), e experimentar com seu gênero não gera qualquer dano psicológico, no máximo os adolescentes ficam constrangidos de dizer pros pais que mudaram de ideia kkkk Mas isso não traz efeitos à longo prazo, pelo menos não negativos, na verdade faz a pessoa ser bem mais tolerante e aberta em relação aos outros, o que na minha opinião é ótimo. Claro que uma pessoa cis que vivesse como trans por um tempo poderia sofrer preconceitos desnecessários, mas aí já é outra história, a sociedade em geral não deveria ter preconceitos, não somos nós que temos que nos encaixar.

Essa historia de criança sabe o que quer da vida, não faz sentindo nenhum pra mim, e me assusta um pouco, como já disse em uma resposta passada, o que me assusta, é que essa é mesma desculpa que um pedófilo dá quando é pego abusando de uma criança, "Não que trans sejam como pedófilo pelo amor de Deus" mais trata uma criança como adulto é ridículo e sem sentido nenhum, e quando eu vejo um mundo em que as pessoa tratam crianças como adultos, me assusta bastante. Legal sua historia e tal, mais ainda defendo que isso é uma decisão que deve ser toma quando mais velho e não quando criança, e não acho normal uma criança tomar hormônios tão novo, indo contra sua natureza, mesmo sendo bloqueadores hormonais, acho que as crianças, nem devem se preocupar com seu gênero e sexualidade nessa idade, e sim se divertir e deixa isso para o futuro, a infância é melhor fase da nossa vida e não deve desperdiçar com problemas adultos.
Não me interprete mal, nem de longe eu quis dizer pra tratarmos crianças como adultos, seria loucura. O que quis dizer é que a respeito de gênero, não ê algo que se decida, quase que 100% das vezes a gente simplesmente sabe, é natural. Não que a criança sozinha tenha capacidade pra decidir fazer ou não algum tratamento, mas com acompanhamento médico, psicológico e os pais bem conscientes do que está acontecendo, não vejo nada de mais nisso. Vc tem sua opinião, é um direito seu, mas sem querer ofender, vc não sabe o q é ter disforia. Eu sofri por muitos anos por não poder ser quem eu era, e a disforia corporal, ah, a disforia corporal, se sentir presa, todo e cada dia da sua vida à algo que não te identifica, que te enoja e depois de algum tempo vc passa a desprezar, é a pior das prisões, estar presa no próprio corpo...
Num ambiente aberto, talvez não incomodasse tanto, mas mesmo assim é um destino terrível olhar todos os dias no espelho e não ver vc, ver alguma pessoa aleatória que não devia estar ali. Uma criança pode não ter muita noção, mas se fisicamente ela é um menino, e quer se comportar como menina, o que os pais deveriam fazer? Forçar ela a viver como menino, "se divertir", deixar isso pra ser decidido depois? Nos casos em que a disforia não é tão grande, ou quando não existe (alguns e algumas trans não tem), quando a criança não demonstra nada, tudo bem os pais não fazerem nada, ela não precisa e nem deve ser forçada a considerar a possibilidade de ser trans, mas e quando ela demonstra? E quando ela percebe que aquilo que ela tem entre as oernas não deveria estar ali? Se os pais disserem pra ela não se preocupar com isso, forçá-la no outro gênero e fizerem ela deixar isso pra decidir depois, vai ser uma merda. Eu sei porque fui forçada no outro gênero, e porque já vi muitas outras pessoas que passaram pelo mesmo. Minha infância não foi minha melhor época, nem foi feliz, pra falar a verdade, eu só tenho alívio por ela ter finalmente passado, e boa parte do meu sofrimento na infância (a maior parte, eu diria) foi graças à isso.
Quando não se tem consciência de nada, ok, mas ser forçada a passar pela puberdade do gênero oposto sendo trans é um castigo insuportável, principalmente se vc souber disso. Ver seu corpo, que vc já não gosta muito, ser ainda mais envenenado e estragado pelos hormônios que vão te transformar naquilo que vc não deveria ser é desesperador, vide o suicídio de Leelah Alcorn e tantas outras pessoas trans. Eu mesma sofri pra caramba com a puberdade, vendo meu corpo se transformar em algo que para mim, à época, era simplesmente detestável, e eu nem sabia que era trans. A chance de ter depressão é enorme, a de se matar também, então não faz sentido querer que alguém ignore isso por ser menor de idade.
Repetindo, crianças que não demonstram sinais não devem pensar nisso, ou melhor, crianças não devem pensar nisso, e é esse o ponto, tratar crianças como adultos seria considerar que elas são capazes de pensar por si mesmas, não são. E aí está o papel dos pais, são eles que devem considerar a possibilidade de uma criança ser trans, se ela demonstra sinais desde cedo, e isso não passa por meses ou anos, se ela definitivamente se comporta como alguém do gênero oposto ao seu sexo, é dever deles considerar a possibilidade, procurar ajuda profissional e acima de tudo, nunca reprimí-la por isso.
O que vc fala de crianças brincarem e não se preocuparem com isso, no caso de alguém com alta disforia, não vai acontecer se ela tiver que viver trocada, muitos pais acham que é assim, mas não, ter uma parte tão importante da sua personalidade reprimida ainda na infância, quando vc é mais frágil, traz danos psicológicos terríveis. E no caso de apenas deixar a criança ser como é, não reprimí-la, mas não fazer ela ter que pensar nisso, na minha opinião, é exatamente o que os pais deveriam fazer, deixar a criança ser como é e apenas observar, se certificar de que não é fase, e considerar todas as possibilidades antes de procurar médicos ou psicológos.
Já na adolescência, deve ser algo conjunto, nessa idade podemos ainda não ter todo o discernimento necessário pra esse tipo de decisão, mas nossa mente já está se formando e as coisas começam a ficar sérias, o mundo começa a te cobrar para se encaixar (ainda mais), e seu corpo vai começar a se alterar, a menos que se faça alguma coisa. Nessa idade já temos alguma noção do que somos e do que queremos, e com a experiência dos pais, que diferentemente de nós, assistiram toda nossa infância, se lembram claramente dela e puderam analisar tudo até ali com calma e sabendo de tudo, acredito que seja plenamente possível tomar essa decisão. Negar isso à alguém nessa condição traz um sofrimento enorme para essa pessoa, e como não se tem uma visão muito clara do futuro na adolescencia, tudo parece perdido, parece que depois disso não se terá mais opções, que bosso corpo vai ser uma prisão eterna, e é aí qie depressão e suicídio costumam entrar, a pessoa sente que não tem mais saída, que vai sofrer a vida toda, e se matar parece a única opção pra acabar com esse sofrimento. No melhor dos casos, vai ser uma pessoa apática e triste por vários anos até poder fazer a transição, e vai se sentir mal por muito tempo por não ter feito antes.
Eu entendo que crianças não devem se preocupar com isso, e não devem mesmo, mas se vc reduzir os casos pra apenas as que demonstram sinais claros por muito tempo, e tem a adolescencia inteira pra se decidir de fato, a chance de alguém se enganar quanto à isso é incrivelmente desprezível. E pode-se dizer, "e quanto àquele um em um milhão que se enganou até esse ponto?" Não é impossível, então uma hora de ve acontecer, mas se vc privar todos da transição por causa disso, e todos aqueles milhares que vão se sentir péssimos, sofrer e alguns até se matar por terem que passar pela puberdade?
Enfim, sua opinião é sua, eu só dei a minha, e vc pode discordar, pra falar a verdade prefiro ouvir opiniões diferentes do que parecidas, pq assim posso reconsiderar meus pontos de vista e evoluir. Só não me entenda errado, eu nunca disse que crianças devem ser tratadas como adultos, inclusive sou contra isso, vejo algumas crianças trans super expostas, mostrando suas vidas para o mundo, agindo como se soubessem tudo sobre si mesmas, e sou contra isso, acho que crianças nem deveriam saber tão diretamente o que é ser trans, deveriam apenas saber que é possível ser o que se quiser, independentemente do seu corpo ou do que os outros disserem. Só isso já basta, mas se os pais verem muitos sinais numa criança, acho que ela deve saber dessa possibilidade abertamente e poder considerar também, mas isso só quando já estiver próxima da puberdade, aos 12 ou 13 anos, não antes.
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Gabriel F.S
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MensagemAssunto: Re: Crianças transgêneras   3/5/2018, 00:01

Miki-chan escreveu:
Gabriel F.S escreveu:
Miki-chan escreveu:
Pois bem, não fui eu que comecei o assunto, mas vcs falaram em transgeneridade num lugar aberto, ao qual eu, uma pessoa trans, tenho acesso, então se preparem pro textão kkkkkkkkk
Pra começar, posso estar errada, mas até onde eu sei, não se toma hormônios, faz cirurgia ou altera seu corpo de qq outra forma antes dos 18 anos, o q menores de idade podem tomar com permissão dos pais e médicos são bloqueadores hormonais, eles atrasam a puberdade, impedem crescimento de pêlos, mudança de voz, seios, essas coisas. Isso até os 18 anos, se a pessoa mudar de ideia, ela pode só parar de tomar e se desenvolver normalmente, senão, aí sim ela toma os hormônios pra se desenvolver como o gênero com o qual se identifica. Então não, não se faz alteração nenhuma no corpo de menor de idade, atrasar a puberdade impede que a pessoa desenvolva características sexuais secundárias, ou seja, ela não parece homem ou mulher, fica neutra como uma criança por mais tempo, o que dá à ela uma liberdade significativamente maior pra se vestir e comportar como o outro gênero sem ser notada. E é a partir dessa experiência, de viver a adolescência como o gênero com o qual se identifica, que ela realmente decide se quer ou não fazer a transição.
Obviamente eu só posso falar por mim mesma, pela minha experiência, que pode parecer pouca, considerando que faz só alguns meses que descobri que sou trans, mas a verdade é que eu já sofria com isso desde que encarei a realidade da divisão de gêneros pela primeira vez, ou seja, desde que sei o que é "menino" e "menina", desde os três ou quatro anos de idade. Como disse, só posso falar diretamente por mim, mas tenho também o que pesquisei, e segundo ambas as fontes, apesar de cada um experimentar a noção de gênero de sua própria forma, sim, as crianças sabem o que são.
Tem centenas, milhares de exemplos na internet de como crianças desde cedo diziam para os seus pais coisas como "eu sou menino(a)" (com o gênero oposto ao sexo, obviamente). E eu mesma, de certa forma, sabia o que era, ou melhor, o que eu queria ser. Meu pai, machista e homofóbico como eu já disse milhares de vezes e não canso de repetir, me ensinou bem cedo o que significa "menino", "menina" e "viado". Resumindo, enfiaram bem, bem fundo na minha cabeça que o que definia meu gênero estava entre as minhas pernas, e eu sabia que "era um menino", mas odiava aquilo, não queria ser menino, não queria de jeito nenhum, escondia os genitais entre as pernas e me olhava no espelho, desejando pela minha vida que aquilo não estivesse ali. Eu só queria ser uma menina, sonhava com isso, mas nunca tive a coragem pra contar, o medo era grande demais, qualquer sinal diferente, qualquer gosto fora dos estereótipos de gênero eram motivo pra violência verbal, e se eu dissesse algo assim, certamente seria também física.
Tive muitos problemas por isso e evoluí de uma forma estranha, me arrependi de algumas coisas... Quem se interessar, pode ler esse post em que eu falo um pouco da minha vida, normalmente escrevo essas coisas só pra mim e depois apago, mas dessa vez resolvi postar: https://assexualidade.forumeiros.com/t3881-deu-vontade-de-escrever-leia-se-quiser-p
Aviso que o texto é grande (como de costume pra mim, escrever pouco é uma arte que não domino), e pra não perder o foco aqui, não vou me aprofundar nisso, mas o que quero dizer, é que sim, as crianças sabem com que gênero se identificam, com quais outras crianças elas se identificam, com quem elas querem parecer quando crescerem. Gênero não é algo social, as formas de se expressar o gênero são, mas gênero é algo intrínseco à nós (exceto pros agêneros lol, da mesma forma que sexualidade é algo intrínseco e extremamente profundo para os alos, mas não pra nós aces), e gostar de rosa ou de azul, de carrinho ou de boneca, são apenas formas de expressar isso, de fato, um menino pode gostar de bonecas e uma menina pode gostar de carrinhos, e não ter nada a ver com gênero, afinal a expressão do gênero é social, e se a sociedade dissesse que meninos tem que gostar de rosa e meninas de azul, nada mudaria. Mas como o ace disse, não é só gostar de alguma coisa, pelo menos não sempre, quando uma menina quer se vestir de princesa, gosta de rosa e só quer amigas meninas, inconscientemente ela não está só fazendo isso por gostar, talvez ela goste de tudo isso, mas talvez ela nem goste de rosa e só queira ser como as outras meninas. Porque ela se identifica com elas, se identifica com esse gênero, e mesmo que tenha algo diferente, quer ser aceita nesse grupo antes de pensar em quebrar as regras.
A questão é que não se trata de as crianças responderem como adultos pra decidir de que gênero são (como seria na maioridade penal). Se trata de gênero ser algo tão profundo nas pessoas, que elas não precisam de raciocínio pra definir isso, não precisam pensar, não precisam decidir, é instintivo, se a criança for criada num ambiente aberto, em que nada é forçado nela, ela vai se comportar como o gênero interno dela. E isso é ser trans, não é decidir mudar de gênero, não é pensar sobre seu papel social, não é racional, é simplesmente ser. Eu sou mulher, e sou trans, mas sou mulher antes de ser trans, porque internamente eu sempre fui mulher, e sempre vou ser, o que faço com meu corpo pra refletir isso é outra coisa.
É verdade que as crianças não tem capacidade pra decidir fazer algo como cirurgia de redesignação ou reposição hormonal, e é por isso que elas não fazem. Os papéis sociais de gênero e a expressão dele não são perfeitos, até porque cada um expressa seu gênero de uma forma, e isso pode gerar confusão, alguém pode muito bem ser mulher e se expressar de maneiras tipicamente masculinas, sem que isso influenciei no seu gênero, e vice-versa. No contexto geral, os papéis sociais funcionam, ou não estaríamos há milhares de anos seguindo papéis parecidos, mesmo em civilizações completamente separadas, mas como já disse, são imperfeitos, rígidos demais e incompletos, e por isso estão começando a ser questionados (e devem ser mesmo). Isso pode confundir alguém, essa pessoa pode acabar se identificando erroneamente como do gênero oposto só porque se expressa de forma próxima àquele gênero, sem necessariamente fazer parte dele, mas é justamente pra isso que a possibilidade de reposição hormonal e futura cirurgia só vem aos dezoito anos.
Na maioria esmagadora dos casos, nós sabemos desde cedo à que gênero pertencemos, mas pra essas ocasiões muito particulares de confusão, existe esse período da adolescência em que se passa vivendo como o outro gênero. Pra experimentar, saber se é isso mesmo que se quer, e mesmo depois de começar a reposição hormonal, não é impossível parar, alguns efeitos podem ser permanentes, mas a cirurgia só vem depois de anos. E à essa altura já estamos falando de adultos, as pessoas podem cometer erros, se enganar e se arrepender, mas não dá pra decidir por elas, principalmente em algo que só elas podem realmente saber.
Eu me identifiquei rápido depois que entendi o que era disforia, parecia estar lendo uma descrição detalhada de tudo o que sentia e nunca fui capaz de explicar, mas mesmo assim pensei muito nisso, muito meeeeeesmo antes de me considerar trans. Porque é algo muito sério, muito importante, e só eu podia decidir meu futuro. Atrasar a puberdade de uma criança praticamente não tem efeitos colaterais fisicamente (se tiver algum, eu não conheço, mas deve ter aquele um em um milhão com azar), e experimentar com seu gênero não gera qualquer dano psicológico, no máximo os adolescentes ficam constrangidos de dizer pros pais que mudaram de ideia kkkk Mas isso não traz efeitos à longo prazo, pelo menos não negativos, na verdade faz a pessoa ser bem mais tolerante e aberta em relação aos outros, o que na minha opinião é ótimo. Claro que uma pessoa cis que vivesse como trans por um tempo poderia sofrer preconceitos desnecessários, mas aí já é outra história, a sociedade em geral não deveria ter preconceitos, não somos nós que temos que nos encaixar.

Essa historia de criança sabe o que quer da vida, não faz sentindo nenhum pra mim, e me assusta um pouco, como já disse em uma resposta passada, o que me assusta, é que essa é mesma desculpa que um pedófilo dá quando é pego abusando de uma criança, "Não que trans sejam como pedófilo pelo amor de Deus" mais trata uma criança como adulto é ridículo e sem sentido nenhum, e quando eu vejo um mundo em que as pessoa tratam crianças como adultos, me assusta bastante. Legal sua historia e tal, mais ainda defendo que isso é uma decisão que deve ser toma quando mais velho e não quando criança, e não acho normal uma criança tomar hormônios tão novo, indo contra sua natureza, mesmo sendo bloqueadores hormonais, acho que as crianças, nem devem se preocupar com seu gênero e sexualidade nessa idade, e sim se divertir e deixa isso para o futuro, a infância é melhor fase da nossa vida e não deve desperdiçar com problemas adultos.
Não me interprete mal, nem de longe eu quis dizer pra tratarmos crianças como adultos, seria loucura. O que quis dizer é que a respeito de gênero, não ê algo que se decida, quase que 100% das vezes a gente simplesmente sabe, é natural. Não que a criança sozinha tenha capacidade pra decidir fazer ou não algum tratamento, mas com acompanhamento médico, psicológico e os pais bem conscientes do que está acontecendo, não vejo nada de mais nisso. Vc tem sua opinião, é um direito seu, mas sem querer ofender, vc não sabe o q é ter disforia. Eu sofri por muitos anos por não poder ser quem eu era, e a disforia corporal, ah, a disforia corporal, se sentir presa, todo e cada dia da sua vida à algo que não te identifica, que te enoja e depois de algum tempo vc passa a desprezar, é a pior das prisões, estar presa no próprio corpo...
Num ambiente aberto, talvez não incomodasse tanto, mas mesmo assim é um destino terrível olhar todos os dias no espelho e não ver vc, ver alguma pessoa aleatória que não devia estar ali. Uma criança pode não ter muita noção, mas se fisicamente ela é um menino, e quer se comportar como menina, o que os pais deveriam fazer? Forçar ela a viver como menino, "se divertir", deixar isso pra ser decidido depois? Nos casos em que a disforia não é tão grande, ou quando não existe (alguns e algumas trans não tem), quando a criança não demonstra nada, tudo bem os pais não fazerem nada, ela não precisa e nem deve ser forçada a considerar a possibilidade de ser trans, mas e quando ela demonstra? E quando ela percebe que aquilo que ela tem entre as oernas não deveria estar ali? Se os pais disserem pra ela não se preocupar com isso, forçá-la no outro gênero e fizerem ela deixar isso pra decidir depois, vai ser uma merda. Eu sei porque fui forçada no outro gênero, e porque já vi muitas outras pessoas que passaram pelo mesmo. Minha infância não foi minha melhor época, nem foi feliz, pra falar a verdade, eu só tenho alívio por ela ter finalmente passado, e boa parte do meu sofrimento na infância (a maior parte, eu diria) foi graças à isso.
Quando não se tem consciência de nada, ok, mas ser forçada a passar pela puberdade do gênero oposto sendo trans é um castigo insuportável, principalmente se vc souber disso. Ver seu corpo, que vc já não gosta muito, ser ainda mais envenenado e estragado pelos hormônios que vão te transformar naquilo que vc não deveria ser é desesperador, vide o suicídio de Leelah Alcorn e tantas outras pessoas trans. Eu mesma sofri pra caramba com a puberdade, vendo meu corpo se transformar em algo que para mim, à época, era simplesmente detestável, e eu nem sabia que era trans. A chance de ter depressão é enorme, a de se matar também, então não faz sentido querer que alguém ignore isso por ser menor de idade.
Repetindo, crianças que não demonstram sinais não devem pensar nisso, ou melhor, crianças não devem pensar nisso, e é esse o ponto, tratar crianças como adultos seria considerar que elas são capazes de pensar por si mesmas, não são. E aí está o papel dos pais, são eles que devem considerar a possibilidade de uma criança ser trans, se ela demonstra sinais desde cedo, e isso não passa por meses ou anos, se ela definitivamente se comporta como alguém do gênero oposto ao seu sexo, é dever deles considerar a possibilidade, procurar ajuda profissional e acima de tudo, nunca reprimí-la por isso.
O que vc fala de crianças brincarem e não se preocuparem com isso, no caso de alguém com alta disforia, não vai acontecer se ela tiver que viver trocada, muitos pais acham que é assim, mas não, ter uma parte tão importante da sua personalidade reprimida ainda na infância, quando vc é mais frágil, traz danos psicológicos terríveis. E no caso de apenas deixar a criança ser como é, não reprimí-la, mas não fazer ela ter que pensar nisso, na minha opinião, é exatamente o que os pais deveriam fazer, deixar a criança ser como é e apenas observar, se certificar de que não é fase, e considerar todas as possibilidades antes de procurar médicos ou psicológos.
Já na adolescência, deve ser algo conjunto, nessa idade podemos ainda não ter todo o discernimento necessário pra esse tipo de decisão, mas nossa mente já está se formando e as coisas começam a ficar sérias, o mundo começa a te cobrar para se encaixar (ainda mais), e seu corpo vai começar a se alterar, a menos que se faça alguma coisa. Nessa idade já temos alguma noção do que somos e do que queremos, e com a experiência dos pais, que diferentemente de nós, assistiram toda nossa infância, se lembram claramente dela e puderam analisar tudo até ali com calma e sabendo de tudo, acredito que seja plenamente possível tomar essa decisão. Negar isso à alguém nessa condição traz um sofrimento enorme para essa pessoa, e como não se tem uma visão muito clara do futuro na adolescencia, tudo parece perdido, parece que depois disso não se terá mais opções, que bosso corpo vai ser uma prisão eterna, e é aí qie depressão e suicídio costumam entrar, a pessoa sente que não tem mais saída, que vai sofrer a vida toda, e se matar parece a única opção pra acabar com esse sofrimento. No melhor dos casos, vai ser uma pessoa apática e triste por vários anos até poder fazer a transição, e vai se sentir mal por muito tempo por não ter feito antes.
Eu entendo que crianças não devem se preocupar com isso, e não devem mesmo, mas se vc reduzir os casos pra apenas as que demonstram sinais claros por muito tempo, e tem a adolescencia inteira pra se decidir de fato, a chance de alguém se enganar quanto à isso é incrivelmente desprezível. E pode-se dizer, "e quanto àquele um em um milhão que se enganou até esse ponto?" Não é impossível, então uma hora de ve acontecer, mas se vc privar todos da transição por causa disso, e todos aqueles milhares que vão se sentir péssimos, sofrer e alguns até se matar por terem que passar pela puberdade?
Enfim, sua opinião é sua, eu só dei a minha, e vc pode discordar, pra falar a verdade prefiro ouvir opiniões diferentes do que parecidas, pq assim posso reconsiderar meus pontos de vista e evoluir. Só não me entenda errado, eu nunca disse que crianças devem ser tratadas como adultos, inclusive sou contra isso, vejo algumas crianças trans super expostas, mostrando suas vidas para o mundo, agindo como se soubessem tudo sobre si mesmas, e sou contra isso, acho que crianças nem deveriam saber tão diretamente o que é ser trans, deveriam apenas saber que é possível ser o que se quiser, independentemente do seu corpo ou do que os outros disserem. Só isso já basta, mas se os pais verem muitos sinais numa criança, acho que ela deve saber dessa possibilidade abertamente e poder considerar também, mas isso só quando já estiver próxima da puberdade, aos 12 ou 13 anos, não antes.

Não diria reprimir a criança, mais espera a criança amadurecer um pouco, por exemplo vc fala que seria horrível um tran, passa pela puberdade se identificando com o outro gênero, sim, mais porque não espera a criança chegar na puberdade, quando ela obviamente já vai está mais madura e consciente sobre o que quer da vida, e ai sim começar um tratamento de hormônios, em fez de começa esse tratamento quando criança, sendo que nem precisa de bloqueio hormonais nessa época, pq nem se tem tanto hormônio assim para se bloqueia quando criança.
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MensagemAssunto: Re: Crianças transgêneras   3/5/2018, 06:29

Gabriel F.S escreveu:
Miki-chan escreveu:
Gabriel F.S escreveu:
Miki-chan escreveu:
Pois bem, não fui eu que comecei o assunto, mas vcs falaram em transgeneridade num lugar aberto, ao qual eu, uma pessoa trans, tenho acesso, então se preparem pro textão kkkkkkkkk
Pra começar, posso estar errada, mas até onde eu sei, não se toma hormônios, faz cirurgia ou altera seu corpo de qq outra forma antes dos 18 anos, o q menores de idade podem tomar com permissão dos pais e médicos são bloqueadores hormonais, eles atrasam a puberdade, impedem crescimento de pêlos, mudança de voz, seios, essas coisas. Isso até os 18 anos, se a pessoa mudar de ideia, ela pode só parar de tomar e se desenvolver normalmente, senão, aí sim ela toma os hormônios pra se desenvolver como o gênero com o qual se identifica. Então não, não se faz alteração nenhuma no corpo de menor de idade, atrasar a puberdade impede que a pessoa desenvolva características sexuais secundárias, ou seja, ela não parece homem ou mulher, fica neutra como uma criança por mais tempo, o que dá à ela uma liberdade significativamente maior pra se vestir e comportar como o outro gênero sem ser notada. E é a partir dessa experiência, de viver a adolescência como o gênero com o qual se identifica, que ela realmente decide se quer ou não fazer a transição.
Obviamente eu só posso falar por mim mesma, pela minha experiência, que pode parecer pouca, considerando que faz só alguns meses que descobri que sou trans, mas a verdade é que eu já sofria com isso desde que encarei a realidade da divisão de gêneros pela primeira vez, ou seja, desde que sei o que é "menino" e "menina", desde os três ou quatro anos de idade. Como disse, só posso falar diretamente por mim, mas tenho também o que pesquisei, e segundo ambas as fontes, apesar de cada um experimentar a noção de gênero de sua própria forma, sim, as crianças sabem o que são.
Tem centenas, milhares de exemplos na internet de como crianças desde cedo diziam para os seus pais coisas como "eu sou menino(a)" (com o gênero oposto ao sexo, obviamente). E eu mesma, de certa forma, sabia o que era, ou melhor, o que eu queria ser. Meu pai, machista e homofóbico como eu já disse milhares de vezes e não canso de repetir, me ensinou bem cedo o que significa "menino", "menina" e "viado". Resumindo, enfiaram bem, bem fundo na minha cabeça que o que definia meu gênero estava entre as minhas pernas, e eu sabia que "era um menino", mas odiava aquilo, não queria ser menino, não queria de jeito nenhum, escondia os genitais entre as pernas e me olhava no espelho, desejando pela minha vida que aquilo não estivesse ali. Eu só queria ser uma menina, sonhava com isso, mas nunca tive a coragem pra contar, o medo era grande demais, qualquer sinal diferente, qualquer gosto fora dos estereótipos de gênero eram motivo pra violência verbal, e se eu dissesse algo assim, certamente seria também física.
Tive muitos problemas por isso e evoluí de uma forma estranha, me arrependi de algumas coisas... Quem se interessar, pode ler esse post em que eu falo um pouco da minha vida, normalmente escrevo essas coisas só pra mim e depois apago, mas dessa vez resolvi postar: https://assexualidade.forumeiros.com/t3881-deu-vontade-de-escrever-leia-se-quiser-p
Aviso que o texto é grande (como de costume pra mim, escrever pouco é uma arte que não domino), e pra não perder o foco aqui, não vou me aprofundar nisso, mas o que quero dizer, é que sim, as crianças sabem com que gênero se identificam, com quais outras crianças elas se identificam, com quem elas querem parecer quando crescerem. Gênero não é algo social, as formas de se expressar o gênero são, mas gênero é algo intrínseco à nós (exceto pros agêneros lol, da mesma forma que sexualidade é algo intrínseco e extremamente profundo para os alos, mas não pra nós aces), e gostar de rosa ou de azul, de carrinho ou de boneca, são apenas formas de expressar isso, de fato, um menino pode gostar de bonecas e uma menina pode gostar de carrinhos, e não ter nada a ver com gênero, afinal a expressão do gênero é social, e se a sociedade dissesse que meninos tem que gostar de rosa e meninas de azul, nada mudaria. Mas como o ace disse, não é só gostar de alguma coisa, pelo menos não sempre, quando uma menina quer se vestir de princesa, gosta de rosa e só quer amigas meninas, inconscientemente ela não está só fazendo isso por gostar, talvez ela goste de tudo isso, mas talvez ela nem goste de rosa e só queira ser como as outras meninas. Porque ela se identifica com elas, se identifica com esse gênero, e mesmo que tenha algo diferente, quer ser aceita nesse grupo antes de pensar em quebrar as regras.
A questão é que não se trata de as crianças responderem como adultos pra decidir de que gênero são (como seria na maioridade penal). Se trata de gênero ser algo tão profundo nas pessoas, que elas não precisam de raciocínio pra definir isso, não precisam pensar, não precisam decidir, é instintivo, se a criança for criada num ambiente aberto, em que nada é forçado nela, ela vai se comportar como o gênero interno dela. E isso é ser trans, não é decidir mudar de gênero, não é pensar sobre seu papel social, não é racional, é simplesmente ser. Eu sou mulher, e sou trans, mas sou mulher antes de ser trans, porque internamente eu sempre fui mulher, e sempre vou ser, o que faço com meu corpo pra refletir isso é outra coisa.
É verdade que as crianças não tem capacidade pra decidir fazer algo como cirurgia de redesignação ou reposição hormonal, e é por isso que elas não fazem. Os papéis sociais de gênero e a expressão dele não são perfeitos, até porque cada um expressa seu gênero de uma forma, e isso pode gerar confusão, alguém pode muito bem ser mulher e se expressar de maneiras tipicamente masculinas, sem que isso influenciei no seu gênero, e vice-versa. No contexto geral, os papéis sociais funcionam, ou não estaríamos há milhares de anos seguindo papéis parecidos, mesmo em civilizações completamente separadas, mas como já disse, são imperfeitos, rígidos demais e incompletos, e por isso estão começando a ser questionados (e devem ser mesmo). Isso pode confundir alguém, essa pessoa pode acabar se identificando erroneamente como do gênero oposto só porque se expressa de forma próxima àquele gênero, sem necessariamente fazer parte dele, mas é justamente pra isso que a possibilidade de reposição hormonal e futura cirurgia só vem aos dezoito anos.
Na maioria esmagadora dos casos, nós sabemos desde cedo à que gênero pertencemos, mas pra essas ocasiões muito particulares de confusão, existe esse período da adolescência em que se passa vivendo como o outro gênero. Pra experimentar, saber se é isso mesmo que se quer, e mesmo depois de começar a reposição hormonal, não é impossível parar, alguns efeitos podem ser permanentes, mas a cirurgia só vem depois de anos. E à essa altura já estamos falando de adultos, as pessoas podem cometer erros, se enganar e se arrepender, mas não dá pra decidir por elas, principalmente em algo que só elas podem realmente saber.
Eu me identifiquei rápido depois que entendi o que era disforia, parecia estar lendo uma descrição detalhada de tudo o que sentia e nunca fui capaz de explicar, mas mesmo assim pensei muito nisso, muito meeeeeesmo antes de me considerar trans. Porque é algo muito sério, muito importante, e só eu podia decidir meu futuro. Atrasar a puberdade de uma criança praticamente não tem efeitos colaterais fisicamente (se tiver algum, eu não conheço, mas deve ter aquele um em um milhão com azar), e experimentar com seu gênero não gera qualquer dano psicológico, no máximo os adolescentes ficam constrangidos de dizer pros pais que mudaram de ideia kkkk Mas isso não traz efeitos à longo prazo, pelo menos não negativos, na verdade faz a pessoa ser bem mais tolerante e aberta em relação aos outros, o que na minha opinião é ótimo. Claro que uma pessoa cis que vivesse como trans por um tempo poderia sofrer preconceitos desnecessários, mas aí já é outra história, a sociedade em geral não deveria ter preconceitos, não somos nós que temos que nos encaixar.

Essa historia de criança sabe o que quer da vida, não faz sentindo nenhum pra mim, e me assusta um pouco, como já disse em uma resposta passada, o que me assusta, é que essa é mesma desculpa que um pedófilo dá quando é pego abusando de uma criança, "Não que trans sejam como pedófilo pelo amor de Deus" mais trata uma criança como adulto é ridículo e sem sentido nenhum, e quando eu vejo um mundo em que as pessoa tratam crianças como adultos, me assusta bastante. Legal sua historia e tal, mais ainda defendo que isso é uma decisão que deve ser toma quando mais velho e não quando criança, e não acho normal uma criança tomar hormônios tão novo, indo contra sua natureza, mesmo sendo bloqueadores hormonais, acho que as crianças, nem devem se preocupar com seu gênero e sexualidade nessa idade, e sim se divertir e deixa isso para o futuro, a infância é melhor fase da nossa vida e não deve desperdiçar com problemas adultos.
Não me interprete mal, nem de longe eu quis dizer pra tratarmos crianças como adultos, seria loucura. O que quis dizer é que a respeito de gênero, não ê algo que se decida, quase que 100% das vezes a gente simplesmente sabe, é natural. Não que a criança sozinha tenha capacidade pra decidir fazer ou não algum tratamento, mas com acompanhamento médico, psicológico e os pais bem conscientes do que está acontecendo, não vejo nada de mais nisso. Vc tem sua opinião, é um direito seu, mas sem querer ofender, vc não sabe o q é ter disforia. Eu sofri por muitos anos por não poder ser quem eu era, e a disforia corporal, ah, a disforia corporal, se sentir presa, todo e cada dia da sua vida à algo que não te identifica, que te enoja e depois de algum tempo vc passa a desprezar, é a pior das prisões, estar presa no próprio corpo...
Num ambiente aberto, talvez não incomodasse tanto, mas mesmo assim é um destino terrível olhar todos os dias no espelho e não ver vc, ver alguma pessoa aleatória que não devia estar ali. Uma criança pode não ter muita noção, mas se fisicamente ela é um menino, e quer se comportar como menina, o que os pais deveriam fazer? Forçar ela a viver como menino, "se divertir", deixar isso pra ser decidido depois? Nos casos em que a disforia não é tão grande, ou quando não existe (alguns e algumas trans não tem), quando a criança não demonstra nada, tudo bem os pais não fazerem nada, ela não precisa e nem deve ser forçada a considerar a possibilidade de ser trans, mas e quando ela demonstra? E quando ela percebe que aquilo que ela tem entre as oernas não deveria estar ali? Se os pais disserem pra ela não se preocupar com isso, forçá-la no outro gênero e fizerem ela deixar isso pra decidir depois, vai ser uma merda. Eu sei porque fui forçada no outro gênero, e porque já vi muitas outras pessoas que passaram pelo mesmo. Minha infância não foi minha melhor época, nem foi feliz, pra falar a verdade, eu só tenho alívio por ela ter finalmente passado, e boa parte do meu sofrimento na infância (a maior parte, eu diria) foi graças à isso.
Quando não se tem consciência de nada, ok, mas ser forçada a passar pela puberdade do gênero oposto sendo trans é um castigo insuportável, principalmente se vc souber disso. Ver seu corpo, que vc já não gosta muito, ser ainda mais envenenado e estragado pelos hormônios que vão te transformar naquilo que vc não deveria ser é desesperador, vide o suicídio de Leelah Alcorn e tantas outras pessoas trans. Eu mesma sofri pra caramba com a puberdade, vendo meu corpo se transformar em algo que para mim, à época, era simplesmente detestável, e eu nem sabia que era trans. A chance de ter depressão é enorme, a de se matar também, então não faz sentido querer que alguém ignore isso por ser menor de idade.
Repetindo, crianças que não demonstram sinais não devem pensar nisso, ou melhor, crianças não devem pensar nisso, e é esse o ponto, tratar crianças como adultos seria considerar que elas são capazes de pensar por si mesmas, não são. E aí está o papel dos pais, são eles que devem considerar a possibilidade de uma criança ser trans, se ela demonstra sinais desde cedo, e isso não passa por meses ou anos, se ela definitivamente se comporta como alguém do gênero oposto ao seu sexo, é dever deles considerar a possibilidade, procurar ajuda profissional e acima de tudo, nunca reprimí-la por isso.
O que vc fala de crianças brincarem e não se preocuparem com isso, no caso de alguém com alta disforia, não vai acontecer se ela tiver que viver trocada, muitos pais acham que é assim, mas não, ter uma parte tão importante da sua personalidade reprimida ainda na infância, quando vc é mais frágil, traz danos psicológicos terríveis. E no caso de apenas deixar a criança ser como é, não reprimí-la, mas não fazer ela ter que pensar nisso, na minha opinião, é exatamente o que os pais deveriam fazer, deixar a criança ser como é e apenas observar, se certificar de que não é fase, e considerar todas as possibilidades antes de procurar médicos ou psicológos.
Já na adolescência, deve ser algo conjunto, nessa idade podemos ainda não ter todo o discernimento necessário pra esse tipo de decisão, mas nossa mente já está se formando e as coisas começam a ficar sérias, o mundo começa a te cobrar para se encaixar (ainda mais), e seu corpo vai começar a se alterar, a menos que se faça alguma coisa. Nessa idade já temos alguma noção do que somos e do que queremos, e com a experiência dos pais, que diferentemente de nós, assistiram toda nossa infância, se lembram claramente dela e puderam analisar tudo até ali com calma e sabendo de tudo, acredito que seja plenamente possível tomar essa decisão. Negar isso à alguém nessa condição traz um sofrimento enorme para essa pessoa, e como não se tem uma visão muito clara do futuro na adolescencia, tudo parece perdido, parece que depois disso não se terá mais opções, que bosso corpo vai ser uma prisão eterna, e é aí qie depressão e suicídio costumam entrar, a pessoa sente que não tem mais saída, que vai sofrer a vida toda, e se matar parece a única opção pra acabar com esse sofrimento. No melhor dos casos, vai ser uma pessoa apática e triste por vários anos até poder fazer a transição, e vai se sentir mal por muito tempo por não ter feito antes.
Eu entendo que crianças não devem se preocupar com isso, e não devem mesmo, mas se vc reduzir os casos pra apenas as que demonstram sinais claros por muito tempo, e tem a adolescencia inteira pra se decidir de fato, a chance de alguém se enganar quanto à isso é incrivelmente desprezível. E pode-se dizer, "e quanto àquele um em um milhão que se enganou até esse ponto?" Não é impossível, então uma hora de ve acontecer, mas se vc privar todos da transição por causa disso, e todos aqueles milhares que vão se sentir péssimos, sofrer e alguns até se matar por terem que passar pela puberdade?
Enfim, sua opinião é sua, eu só dei a minha, e vc pode discordar, pra falar a verdade prefiro ouvir opiniões diferentes do que parecidas, pq assim posso reconsiderar meus pontos de vista e evoluir. Só não me entenda errado, eu nunca disse que crianças devem ser tratadas como adultos, inclusive sou contra isso, vejo algumas crianças trans super expostas, mostrando suas vidas para o mundo, agindo como se soubessem tudo sobre si mesmas, e sou contra isso, acho que crianças nem deveriam saber tão diretamente o que é ser trans, deveriam apenas saber que é possível ser o que se quiser, independentemente do seu corpo ou do que os outros disserem. Só isso já basta, mas se os pais verem muitos sinais numa criança, acho que ela deve saber dessa possibilidade abertamente e poder considerar também, mas isso só quando já estiver próxima da puberdade, aos 12 ou 13 anos, não antes.

Não diria reprimir a criança, mais espera a criança amadurecer um pouco, por exemplo vc fala que seria horrível um tran, passa pela puberdade se identificando com o outro gênero, sim, mais porque não espera a criança chegar na puberdade, quando ela obviamente já vai está mais madura e consciente sobre o que quer da vida, e ai sim começar um tratamento de hormônios, em fez de começa esse tratamento quando criança, sendo que nem precisa de bloqueio hormonais nessa época, pq nem se tem tanto hormônio assim para se bloqueia quando criança.
É exatamente o que eu disse, ela nem precisa saber o q é ser trans até a perto da puberdade, quem tem que pensar nisso antes são os pais, e tratamentos médicos antes disso são desnecessários.
Muito embora eu ache que cada caso seja um e possa haver excessões, no geral não se deve fazer isso tão cedo. O importante é só não reprimir, não exigir da criança que aja como o gênero de nascimento, se, por exemplo, uma menina quer cortar o cabelo curto e se enturmar com os meninos, é só deixar ela (ou ele) livre, sem pressão. O incômodo com o corpo pode ser grande, mas costuma ganhar força só mais tarde, na infância o principal sofrimento que se pode passar é social, são as pessoas, principalmente a família, te exigindo a ser de um jeito ou de outro, não tendo essa cobrança, fica tudo bem. O motivo pra fazer os tratamentos antes da maioridade é só por causa da puberdade, por isso a ideia é atrasá-la até lá, mas se não fosse por isso, não teria porque fazer também.
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MensagemAssunto: Re: Crianças transgêneras   11/5/2018, 01:24

Ótimos textos, Miki-chan.

Miki-chan escreveu:
A questão é que não se trata de as crianças responderem como adultos pra decidir de que gênero são (como seria na maioridade penal). Se trata de gênero ser algo tão profundo nas pessoas, que elas não precisam de raciocínio pra definir isso, não precisam pensar, não precisam decidir, é instintivo, se a criança for criada num ambiente aberto, em que nada é forçado nela, ela vai se comportar como o gênero interno dela. E isso é ser trans, não é decidir mudar de gênero, não é pensar sobre seu papel social, não é racional, é simplesmente ser.

Isso, as crianças sabem, apesar de não entenderem. Pode ser estendido para praticamente qualquer área. As crianças sabem que se elas jogarem uma bola pra cima, a bola vai cair - mas elas não entendem nada de física. Elas sabem que se os pais brigarem com ela, ela irá se sentir triste/culpada/com raiva - e não entendem nada de psicologia. Elas sabem que se caírem de joelhos no chão vai doer e machucar - mas não entendem nada de fisiologia. Isso é tudo natural. Até bebês são assim, antes mesmo de aprender a falar eles já sabem algumas coisas. O que falta para eles é a capacidade cognitiva e a maturidade emocional para entender as coisas.
Acontece que se elas não souberem o que é aceleração gravitacional ninguém liga (aliás, quem no mundo questionaria isso para uma criança ?). Mas se a pessoinha nasceu com um pênis e pede uma Barbie, ou uma vagina e pede um Max Steel ela vai ser repreendida. E porquê ? Ela sabe que é aquilo que ela quer. Porque aquilo é errado ? Se eu falar que vou jogar uma bola pra cima e ela não vai cair, a criança sabe que eu estou errado. E se eu chamar uma menina de menino ela vai saber que eu estou errado. Se a criança fala que a bola vai cair todo mundo concorda com ela, mas se ela fala que é menina de repente todo mundo contraria a coitada. E a criança pensa "mas que doideira de mundo é esse que todo mundo me contraria quando eu falo isso?" (ou seja lá como uma criança pensa), ela até chegou a apanhar por ter falado isso. Agora pergunta pra criança o que está acontecendo "sei lá", mas os pais diriam "meu bom senhor, veja bem, aqui nessa certidão está escrito 'masculino'", "de fato, está", "bom, então havemos de concordar que quando nosso filho diz que é uma menina é claramente um engano da parte dele", "é uma conclusão razoável, mas o que faria com que ela dissesse ser uma menina, se fosse, na verdade, um menino?" e assim começou uma discussão entre os pais da criança e esse que vos narra essa história.

Hm, já nem sei mais o que estou escrevendo. O ponto é que as crianças sabem instintivamente o que são, embora não possam explicar nem entender. E, não, elas não tem capacidade de tomar uma decisão tão drástica assim sozinhas.
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MensagemAssunto: Re: Crianças transgêneras   11/5/2018, 02:06

Fernando escreveu:
Ótimos textos, Miki-chan.

Miki-chan escreveu:
A questão é que não se trata de as crianças responderem como adultos pra decidir de que gênero são (como seria na maioridade penal). Se trata de gênero ser algo tão profundo nas pessoas, que elas não precisam de raciocínio pra definir isso, não precisam pensar, não precisam decidir, é instintivo, se a criança for criada num ambiente aberto, em que nada é forçado nela, ela vai se comportar como o gênero interno dela. E isso é ser trans, não é decidir mudar de gênero, não é pensar sobre seu papel social, não é racional, é simplesmente ser.

Isso, as crianças sabem, apesar de não entenderem. Pode ser estendido para praticamente qualquer área. As crianças sabem que se elas jogarem uma bola pra cima, a bola vai cair - mas elas não entendem nada de física. Elas sabem que se os pais brigarem com ela, ela irá se sentir triste/culpada/com raiva - e não entendem nada de psicologia. Elas sabem que se caírem de joelhos no chão vai doer e machucar - mas não entendem nada de fisiologia. Isso é tudo natural. Até bebês são assim, antes mesmo de aprender a falar eles já sabem algumas coisas. O que falta para eles é a capacidade cognitiva e a maturidade emocional para entender as coisas.
Acontece que se elas não souberem o que é aceleração gravitacional ninguém liga (aliás, quem no mundo questionaria isso para uma criança ?). Mas se a pessoinha nasceu com um pênis e pede uma Barbie, ou uma vagina e pede um Max Steel ela vai ser repreendida. E porquê ? Ela sabe que é aquilo que ela quer. Porque aquilo é errado ? Se eu falar que vou jogar uma bola pra cima e ela não vai cair, a criança sabe que eu estou errado. E se eu chamar uma menina de menino ela vai saber que eu estou errado. Se a criança fala que a bola vai cair todo mundo concorda com ela, mas se ela fala que é menina de repente todo mundo contraria a coitada. E a criança pensa "mas que doideira de mundo é esse que todo mundo me contraria quando eu falo isso?" (ou seja lá como uma criança pensa), ela até chegou a apanhar por ter falado isso. Agora pergunta pra criança o que está acontecendo "sei lá", mas os pais diriam "meu bom senhor, veja bem, aqui nessa certidão está escrito 'masculino'", "de fato, está", "bom, então havemos de concordar que quando nosso filho diz que é uma menina é claramente um engano da parte dele", "é uma conclusão razoável, mas o que faria com que ela dissesse ser uma menina, se fosse, na verdade, um menino?" e assim começou uma discussão entre os pais da criança e esse que vos narra essa história.

Hm, já nem sei mais o que estou escrevendo. O ponto é que as crianças sabem instintivamente o que são, embora não possam explicar nem entender. E, não, elas não tem capacidade de tomar uma decisão tão drástica assim sozinhas.

Eu até entendo essa cultura de deixa as crianças se descobrir por si só sem preconceitos e etc, e to pouco me lixando se elas brincam com bonecas ou bonecos, se ela ou ele gosta mais de fica com meninas ou meninos, até pq isso n quer dizer nada, é legal tudo isso, tudo mundo muito bonito, enfim, na minha opinião os pais são os guia dos filhos, e fazem oq acharem melhores para vida deles, meu pensamento é que as criança tem que ter liberdade como todo mundo, obvio, não são animais domésticos, mais tem um limite para isso, se por exemplo tivesse um filho e pegasse ele ouvindo esse merda de musica de hoje em dia, como alguns funk, que pregam ideologias de drogas e sexo, eu sem duvida iria repreender ele, pq eu sei que a mensagem que aquela musica prega vai totalmente contra oq é certo para mim, e contra oq é melhor para os outros também, alias n quero que ele vire um marginal ou coisa pior, e sei que aquele tipo de musica entre outra coisa, podem n ser o melhor para vida dele, penso que as criança pode até entende como algo funciona, como o exemplo da bola caindo que vc deu, mais n quer dizer que possa entende oq seja melhor para vida delas "nem nós sabemos as vezes", é por isso que existem os pais, para guia a nós quando criança, para que n façamos escolha e tomemos decisões erradas, que futuramente possa nos prejudicar, agora é aquilo cada um faz oq acha melhor para seu filho, no meu caso seria assim que resolveria isso, com calmo e paciência.
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MensagemAssunto: Re: Crianças transgêneras   13/5/2018, 22:30

Annabelle escreveu:
Sha escreveu:
Annabelle escreveu:
Isso sem contar que, geralmente, as pessoas que dizem que existem crianças transexuais são contra a redução da maioridade penal, ou seja, pra essa gente, uma criança de oito anos tem maturidade para trocar de sexo, mas um adolescente com o dobro da idade não tem maturidade para responder criminalmente como adulto... mão no rosto

Crianças transgênero existem e a maioridade penal não tem a ver com isso. Eu sou à favor.

Acho que se a criança insiste em se vestir como o sexo oposto, cortar o cabelo ou deixá-lo longo, deve-se respeitar essa vontade. Já fazer plásticas e o uso de hormônios, só a partir dos 18 anos.

Acredito que com o tempo o gênero será cada fez menos importante. Não terá essa divisão clara entre homens e mulheres. E para quem crê em reencarnação, sabe que podemos variar de gênero. Vir como mulher em uma vida e homem em outra.

Sha, tudo bem, em nenhum momento eu disse que crianças transexuais não existem; caso não tenha ficado claro, a minha intenção foi apenas expor a incoerência desse pessoal que diz que crianças tem maturidade para uma coisa (como trocar de sexo) mas não para outra (responder criminalmente como adulto).

E quanto a isso de o gênero com o tempo ser menos importante, perdoe-me discordar. A reprodução é uma tarefa básica do ser humano, e para haver reprodução são necessários um gameta masculino e um feminino (isso, é claro, nas espécies dióicas, o que é o caso dos seres humanos). Portanto, a divisão em "masculino" e "feminino" na espécie humana sempre será a regra, e a transexualidade sempre será a exceção (é claro que isto não muda o fato de que os transexuais devem ser respeitados como qualquer cidadão e ter os mesmos direitos).

Quanto à reencarnação, cada um tem a sua religião (eu também tenho a minha) e elas devem ser respeitadas. Porém, acho que ao falar de um assunto tão sério quanto a transsexualidade, as opiniões baseadas na ciência devem prevalecer sobre as opiniões baseadas na religião.


Acho que como uma das poucas pessoas trans que visita esse fórum, talvez eu devesse me prestar a falar alguma coisa que seja útil.

Primeiramente:

1- Nada tem a ver afirmar que é incoerente uma criança pode decidir o gênero dela e não ser capa de responder por um crime, são coisas diferentes, contextos diferentes. Falta estudo sociológico e empatia para entender essas questões.

2- Sim. Gênero será cada vez menos importante, mas isso não significa que as pessoas não irão se identificar mais com eles. Não precisamos de homem ou mulher para reprodução, não só por existir reprodução in vitro mas também porque mulheres lésbicas podem ter filhos naturalmente se uma delas for trans, o mesmo vale para homens trans gays que podem gestar. Lembrando que há pessoas intersexo que também entram na equação.

3- Supondo que vocês achem horrível e cedo demais uma criança decidir o próprio gênero, por que vocês não dizem um "ai" pra normatização compulsório cisgênera? não achem que algo está errado aí também? não acha também que é cedo demais afirmarem que é um menino só por ter pênis? fazer uma pessoa passar desde tenra idade por um processo invasivo que só vai trazer marcas ruins a ela quando crescer? por que só podemos decidir nossos gêneros só quando adultos? por que é sempre os outros que devem dizer o que é melhor para nós? e quanto a nossa autonomia desde que nascemos?

4- Acho que vocês precisam se informar mais sobre o assunto também, começando por ouvir as pessoas trans.
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MensagemAssunto: Re: Crianças transgêneras   13/5/2018, 22:51




E também lembrando, cada narrativa trans é única, existe casos clássicos documentados pela psiquiatria em que crianças manifestam traços de transgeneridade, mas esses mesmos traços podem surgir na vida na adulta ou na adolescência, na puberdade. Todos os casos são válidos, você, trans, que está lendo isso, é válido. Todo o amor para você. Nós vamos mudar essa merda de mundo.
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MensagemAssunto: Re: Crianças transgêneras   14/5/2018, 00:31

Darth Dyvah escreveu:
Annabelle escreveu:
Sha escreveu:
Annabelle escreveu:
Isso sem contar que, geralmente, as pessoas que dizem que existem crianças transexuais são contra a redução da maioridade penal, ou seja, pra essa gente, uma criança de oito anos tem maturidade para trocar de sexo, mas um adolescente com o dobro da idade não tem maturidade para responder criminalmente como adulto... mão no rosto

Crianças transgênero existem e a maioridade penal não tem a ver com isso. Eu sou à favor.

Acho que se a criança insiste em se vestir como o sexo oposto, cortar o cabelo ou deixá-lo longo, deve-se respeitar essa vontade. Já fazer plásticas e o uso de hormônios, só a partir dos 18 anos.

Acredito que com o tempo o gênero será cada fez menos importante. Não terá essa divisão clara entre homens e mulheres. E para quem crê em reencarnação, sabe que podemos variar de gênero. Vir como mulher em uma vida e homem em outra.

Sha, tudo bem, em nenhum momento eu disse que crianças transexuais não existem; caso não tenha ficado claro, a minha intenção foi apenas expor a incoerência desse pessoal que diz que crianças tem maturidade para uma coisa (como trocar de sexo) mas não para outra (responder criminalmente como adulto).

E quanto a isso de o gênero com o tempo ser menos importante, perdoe-me discordar. A reprodução é uma tarefa básica do ser humano, e para haver reprodução são necessários um gameta masculino e um feminino (isso, é claro, nas espécies dióicas, o que é o caso dos seres humanos). Portanto, a divisão em "masculino" e "feminino" na espécie humana sempre será a regra, e a transexualidade sempre será a exceção (é claro que isto não muda o fato de que os transexuais devem ser respeitados como qualquer cidadão e ter os mesmos direitos).

Quanto à reencarnação, cada um tem a sua religião (eu também tenho a minha) e elas devem ser respeitadas. Porém, acho que ao falar de um assunto tão sério quanto a transsexualidade, as opiniões baseadas na ciência devem prevalecer sobre as opiniões baseadas na religião.


Acho que como uma das poucas pessoas trans que visita esse fórum, talvez eu devesse me prestar a falar alguma coisa que seja útil.

Primeiramente:

1- Nada tem a ver afirmar que é incoerente uma criança pode decidir o gênero dela e não ser capa de responder por um crime, são coisas diferentes, contextos diferentes. Falta estudo sociológico e empatia para entender essas questões.

2- Sim. Gênero será cada vez menos importante, mas isso não significa que as pessoas não irão se identificar mais com eles. Não precisamos de homem ou mulher para reprodução, não só por existir reprodução in vitro mas também porque mulheres lésbicas podem ter filhos naturalmente se uma delas for trans, o mesmo vale para homens trans gays que podem gestar. Lembrando que há pessoas intersexo que também entram na equação.

3- Supondo que vocês achem horrível e cedo demais uma criança decidir o próprio gênero, por que vocês não dizem um "ai" pra normatização compulsório cisgênera? não achem que algo está errado aí também? não acha também que é cedo demais afirmarem que é um menino só por ter pênis? fazer uma pessoa passar desde tenra idade por um processo invasivo que só vai trazer marcas ruins a ela quando crescer? por que só podemos decidir nossos gêneros só quando adultos? por que é sempre os outros que devem dizer o que é melhor para nós? e quanto a nossa autonomia desde que nascemos?

4- Acho que vocês precisam se informar mais sobre o assunto também, começando por ouvir as pessoas trans.

A 1 e a 2, não tem nada ave com a minha opinião, sobre a questão 3, no caso do cisgênero, a pessoa não corre o risco de se arrepende futuramente, e ela não levar o corpo dela a um processo de mudança como os trangênero, então não tem pq discutir sobre isso "pelo menos para mim", agora se quiserem discutir sobre cisgênero depois fiquei a vontade,  enfim, na verdade eu nunca falei nd sobre ter pênis, é homem, e ter vagina é mulher, minha opinião só é contra a submete as crianças a esse processo de transgênero, e continuo defendendo, que n precisa iniciar um processo desse na infância, sendo que na infância a criança nem produz tanto hormônio assim, e sim penso que os pais são os guias do filhos e se eles não quiserem submete os filhos deles a esse processo, e dizer não para criança, eles tem todo direito de fazer isso, como a pessoa que quiser submeter a dela também tem, agora quando eu falo crianças, falo antes da puberdade, alias dá hormônios a uma criança para mim não faz sentido nenhum, e nunca vai fazer. Sobre a questão 4, acho que a opinião de todos são importantes, mesmo sendo trans ou não, alias por ser trans n torna ninguém um expert no assunto.


Última edição por Gabriel F.S em 14/5/2018, 00:49, editado 2 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Crianças transgêneras   14/5/2018, 00:40

Darth Dyvah escreveu:



E também lembrando, cada narrativa trans é única, existe casos clássicos documentados pela psiquiatria em que crianças manifestam traços de transgeneridade, mas esses mesmos traços podem surgir na vida na adulta ou na adolescência, na puberdade. Todos os casos são válidos, você, trans, que está lendo isso, é válido. Todo o amor para você. Nós vamos mudar essa merda de mundo.

Ninguém ta falando que ser trans é errado, só para deixa bem claro!
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MensagemAssunto: Re: Crianças transgêneras   14/5/2018, 00:51

Gabriel F.S escreveu:
Darth Dyvah escreveu:
Annabelle escreveu:
Sha escreveu:
Annabelle escreveu:
Isso sem contar que, geralmente, as pessoas que dizem que existem crianças transexuais são contra a redução da maioridade penal, ou seja, pra essa gente, uma criança de oito anos tem maturidade para trocar de sexo, mas um adolescente com o dobro da idade não tem maturidade para responder criminalmente como adulto... mão no rosto

Crianças transgênero existem e a maioridade penal não tem a ver com isso. Eu sou à favor.

Acho que se a criança insiste em se vestir como o sexo oposto, cortar o cabelo ou deixá-lo longo, deve-se respeitar essa vontade. Já fazer plásticas e o uso de hormônios, só a partir dos 18 anos.

Acredito que com o tempo o gênero será cada fez menos importante. Não terá essa divisão clara entre homens e mulheres. E para quem crê em reencarnação, sabe que podemos variar de gênero. Vir como mulher em uma vida e homem em outra.



Sha, tudo bem, em nenhum momento eu disse que crianças transexuais não existem; caso não tenha ficado claro, a minha intenção foi apenas expor a incoerência desse pessoal que diz que crianças tem maturidade para uma coisa (como trocar de sexo) mas não para outra (responder criminalmente como adulto).

E quanto a isso de o gênero com o tempo ser menos importante, perdoe-me discordar. A reprodução é uma tarefa básica do ser humano, e para haver reprodução são necessários um gameta masculino e um feminino (isso, é claro, nas espécies dióicas, o que é o caso dos seres humanos). Portanto, a divisão em "masculino" e "feminino" na espécie humana sempre será a regra, e a transexualidade sempre será a exceção (é claro que isto não muda o fato de que os transexuais devem ser respeitados como qualquer cidadão e ter os mesmos direitos).

Quanto à reencarnação, cada um tem a sua religião (eu também tenho a minha) e elas devem ser respeitadas. Porém, acho que ao falar de um assunto tão sério quanto a transsexualidade, as opiniões baseadas na ciência devem prevalecer sobre as opiniões baseadas na religião.


Acho que como uma das poucas pessoas trans que visita esse fórum, talvez eu devesse me prestar a falar alguma coisa que seja útil.

Primeiramente:

1- Nada tem a ver afirmar que é incoerente uma criança pode decidir o gênero dela e não ser capa de responder por um crime, são coisas diferentes, contextos diferentes. Falta estudo sociológico e empatia para entender essas questões.

2- Sim. Gênero será cada vez menos importante, mas isso não significa que as pessoas não irão se identificar mais com eles. Não precisamos de homem ou mulher para reprodução, não só por existir reprodução in vitro mas também porque mulheres lésbicas podem ter filhos naturalmente se uma delas for trans, o mesmo vale para homens trans gays que podem gestar. Lembrando que há pessoas intersexo que também entram na equação.

3- Supondo que vocês achem horrível e cedo demais uma criança decidir o próprio gênero, por que vocês não dizem um "ai" pra normatização compulsório cisgênera? não achem que algo está errado aí também? não acha também que é cedo demais afirmarem que é um menino só por ter pênis? fazer uma pessoa passar desde tenra idade por um processo invasivo que só vai trazer marcas ruins a ela quando crescer? por que só podemos decidir nossos gêneros só quando adultos? por que é sempre os outros que devem dizer o que é melhor para nós? e quanto a nossa autonomia desde que nascemos?

4- Acho que vocês precisam se informar mais sobre o assunto também, começando por ouvir as pessoas trans.

A 1 e a 2, não tem nada ave com a minha opinião, sobre a questão 3, o assunto aqui n é cisgênero e sim trangênero, enfim, na verdade eu nunca falei nd sobre ter pênis, é homem, e ter vagina é mulher, minha opinião só é contra a submete as crianças a esse processo de transgênero, e continuo defendendo, que n precisa iniciar um processo desse na infância, sendo que na infância a criança nem produz tanto hormônio assim, e sim penso que os pais são os guias do filhos e se eles não quiserem submete os filhos deles a esse processo, e dizer não para criança, eles tem todo direito de fazer isso, como a pessoa que quiser submeter a dela também tem, agora quando eu falo crianças, falo antes da puberdade, alias dá hormônios a uma criança para mim não faz sentido nenhum, e nunca vai fazer. Sobre a questão 4, acho que a opinião de todos são importantes, mesmo sendo trans ou não, alias por ser trans n torna ninguém um expert no assunto.

Só que no ponto 3 tu tá negando a autonomia da criança transgênera e também a realidade da maioria das famílias do mundo que não tem informação ou consciência sobre transgeneridade, o que significa que essa pessoa vai sofrer pelo resto da vida por causa da família e provavelmente vai ter uma transição atrasada para o que deseja e sem o acompanhamento certo, porque como alternativa vai tentar fazer por conta. E desculpa mas eu peço que releia o ponto que eu citei cisgeneridade justamente para tecer um contraponto com o que fazem com pessoas trans, não há como discutir um sem abordar o outro. E as opiniões das pessoas trans são mais importantes porque são elas que sofrem tudo isso na pele, sofrem todo tipo de violência por parte das pessoas cisgeneras. Vocês devem nos escutar, isso é indiscutível. Afirmar o contrário disso é análogo a dizer que a opinião de gente branca deve ser ouvida quando se fala sobre racismo. Não faz sentido.
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MensagemAssunto: Re: Crianças transgêneras   14/5/2018, 01:14

Darth Dyvah escreveu:
Gabriel F.S escreveu:
Darth Dyvah escreveu:
Annabelle escreveu:
Sha escreveu:
Annabelle escreveu:
Isso sem contar que, geralmente, as pessoas que dizem que existem crianças transexuais são contra a redução da maioridade penal, ou seja, pra essa gente, uma criança de oito anos tem maturidade para trocar de sexo, mas um adolescente com o dobro da idade não tem maturidade para responder criminalmente como adulto... mão no rosto

Crianças transgênero existem e a maioridade penal não tem a ver com isso. Eu sou à favor.

Acho que se a criança insiste em se vestir como o sexo oposto, cortar o cabelo ou deixá-lo longo, deve-se respeitar essa vontade. Já fazer plásticas e o uso de hormônios, só a partir dos 18 anos.

Acredito que com o tempo o gênero será cada fez menos importante. Não terá essa divisão clara entre homens e mulheres. E para quem crê em reencarnação, sabe que podemos variar de gênero. Vir como mulher em uma vida e homem em outra.



Sha, tudo bem, em nenhum momento eu disse que crianças transexuais não existem; caso não tenha ficado claro, a minha intenção foi apenas expor a incoerência desse pessoal que diz que crianças tem maturidade para uma coisa (como trocar de sexo) mas não para outra (responder criminalmente como adulto).

E quanto a isso de o gênero com o tempo ser menos importante, perdoe-me discordar. A reprodução é uma tarefa básica do ser humano, e para haver reprodução são necessários um gameta masculino e um feminino (isso, é claro, nas espécies dióicas, o que é o caso dos seres humanos). Portanto, a divisão em "masculino" e "feminino" na espécie humana sempre será a regra, e a transexualidade sempre será a exceção (é claro que isto não muda o fato de que os transexuais devem ser respeitados como qualquer cidadão e ter os mesmos direitos).

Quanto à reencarnação, cada um tem a sua religião (eu também tenho a minha) e elas devem ser respeitadas. Porém, acho que ao falar de um assunto tão sério quanto a transsexualidade, as opiniões baseadas na ciência devem prevalecer sobre as opiniões baseadas na religião.


Acho que como uma das poucas pessoas trans que visita esse fórum, talvez eu devesse me prestar a falar alguma coisa que seja útil.

Primeiramente:

1- Nada tem a ver afirmar que é incoerente uma criança pode decidir o gênero dela e não ser capa de responder por um crime, são coisas diferentes, contextos diferentes. Falta estudo sociológico e empatia para entender essas questões.

2- Sim. Gênero será cada vez menos importante, mas isso não significa que as pessoas não irão se identificar mais com eles. Não precisamos de homem ou mulher para reprodução, não só por existir reprodução in vitro mas também porque mulheres lésbicas podem ter filhos naturalmente se uma delas for trans, o mesmo vale para homens trans gays que podem gestar. Lembrando que há pessoas intersexo que também entram na equação.

3- Supondo que vocês achem horrível e cedo demais uma criança decidir o próprio gênero, por que vocês não dizem um "ai" pra normatização compulsório cisgênera? não achem que algo está errado aí também? não acha também que é cedo demais afirmarem que é um menino só por ter pênis? fazer uma pessoa passar desde tenra idade por um processo invasivo que só vai trazer marcas ruins a ela quando crescer? por que só podemos decidir nossos gêneros só quando adultos? por que é sempre os outros que devem dizer o que é melhor para nós? e quanto a nossa autonomia desde que nascemos?

4- Acho que vocês precisam se informar mais sobre o assunto também, começando por ouvir as pessoas trans.

A 1 e a 2, não tem nada ave com a minha opinião, sobre a questão 3, o assunto aqui n é cisgênero e sim trangênero, enfim, na verdade eu nunca falei nd sobre ter pênis, é homem, e ter vagina é mulher, minha opinião só é contra a submete as crianças a esse processo de transgênero, e continuo defendendo, que n precisa iniciar um processo desse na infância, sendo que na infância a criança nem produz tanto hormônio assim, e sim penso que os pais são os guias do filhos e se eles não quiserem submete os filhos deles a esse processo, e dizer não para criança, eles tem todo direito de fazer isso, como a pessoa que quiser submeter a dela também tem, agora quando eu falo crianças, falo antes da puberdade, alias dá hormônios a uma criança para mim não faz sentido nenhum, e nunca vai fazer. Sobre a questão 4, acho que a opinião de todos são importantes, mesmo sendo trans ou não, alias por ser trans n torna ninguém um expert no assunto.

Só que no ponto 3 tu tá negando a autonomia da criança transgênera e também a realidade da maioria das famílias do mundo que não tem informação ou consciência sobre transgeneridade, o que significa que essa pessoa vai sofrer pelo resto da vida por causa da família e provavelmente vai ter uma transição atrasada para o que deseja e sem o acompanhamento certo, porque como alternativa vai tentar fazer por conta. E desculpa mas eu peço que releia o ponto que eu citei cisgeneridade justamente para tecer um contraponto com o que fazem com pessoas trans, não há como discutir um sem abordar o outro. E as opiniões das pessoas trans são mais importantes porque são elas que sofrem tudo isso na pele, sofrem todo tipo de violência por parte das pessoas cisgeneras. Vocês devem nos escutar, isso é indiscutível. Afirmar o contrário disso é análogo a dizer que a opinião de gente branca deve ser ouvida quando se fala sobre racismo. Não faz sentido.

No caso do cisgênero já dei uma editada, queria fala mais sobre trangênero, mais um complementa o outro enfim. Sobre negar autonomia da crianças transgêneras n vi eu faze isso, simplesmente disse que é algo que deve ser pensando e analisado com cuidado, e se um pai quiser ou n submeter o filho ou filha nesse processo, ele tem todo direito de fazer isso sem julgamento nenhum, e o seguinte, se vc esperar, ate a puberdade, a criança n vai sofre problema nenhum, alias ela nem ta produzindo tanto hormônio ainda, ao ponto de ter consequência na vida dela, então pq n espera um pouco, em vez de mete hormônio na criança, e começar um processo radical do nada, agora sobre opinião do assunto, no caso o assunto transgênero, a opinião de todos tem a mesma importância, agora o drama que uma pessoa trans ou negra passo, ai é totalmente diferente, pq drama é algo que só se entende passando pelo mesmo, agora um assunto sobre o caso é outra coisa, eu posso comenta e dizer minha opinião sobre o racismo mesmo n sendo negro, não é verdade, mais já mais vou poder dizer como é sofre racismo, certo.
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Fernando
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MensagemAssunto: Re: Crianças transgêneras   14/5/2018, 21:17

Darth Dyvah escreveu:
Afirmar o contrário disso é análogo a dizer que a opinião de gente branca deve ser ouvida quando se fala sobre racismo. Não faz sentido.

Que lógica é essa? Faz todo o sentido. Ser branco não significa que a pessoa não possa ter conhecimento sobre o racismo, e ser não-branco não quer dizer que a pessoa seja qualificada para falar sobre o assunto, além da experiência pessoal.
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MensagemAssunto: Re: Crianças transgêneras   15/5/2018, 13:54

Darth Dyvah escreveu:
Afirmar o contrário disso é análogo a dizer que a opinião de gente branca deve ser ouvida quando se fala sobre racismo. Não faz sentido.

Isso que você fez neste trecho destacado por mim se chama falácia ad hominem. Consiste em desqualificar o argumentador em vez de analisar o argumento. Todas as pessoas têm o direito de dar sua opinião, independente de cor de pele, orientação sexual ou identidade de gênero. Sem contar que negros também podem ser racistas (não estou dizendo que isto ocorre na mesma proporção do que o contrário ocorre).
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MensagemAssunto: Re: Crianças transgêneras   15/5/2018, 18:33

Olha, essa discussão está uma porcaria. Estou pulando fora.
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MensagemAssunto: Re: Crianças transgêneras   16/5/2018, 00:04

Ace Ventura escreveu:
Olha, essa discussão está uma porcaria. Estou pulando fora.

É verdade ta mudando um pouco o foco do tópico.
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Crianças transgêneras

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